

Tenho procurado combater certas dependências. Mas como é difícil! Não apenas porque o acesso à droga é um estalar, ou melhor, um movimentar de dedos, mas também porque negá-la é quase que condenar-se ao isolamento.
-“Credo! Mas você ainda está na caverna?”.
A janela emperrada teimava em não fechar. As nuvens carregavam-se assustadoramente anunciando o fim do mundo. Um novo pavor instalado ao perceber uma gota de água vindo em direção à janela como que atirada por mãos vingadoras. O temor na constatação instantânea da impossibilidade do tamanho da gota e do seu formato: uma cúpula gótica. E na fragmentação imediata da associação das ideias um raio de lucidez transportando para um lugar fantástico. O barulho da gota estourando na vidraça fazendo trazer novamente para o estado de pânico diante da certeza diluviana.
Tinha um forno de pedra, enorme, no canto da cerca que dividia o terrero das galinha ca parte do lote aonde era plantada as verduras. Aí, tinha, também, um pomar dinchê o zóio de tão lindo, cas amexera, perera; uma pitanguera que parecia cutucá as nuvem de tão alta. Um pequeno parrerá cas uva tercí i bregerá i uns pesseguêro que quando florido dava a impressão quéra coisa de quadro pintado. Assim, pensados, tinha uns pé de hortênsia de cor diferentes que formava um tipo dinfeite i lembrava um labirinto.
Abraços apertados,
Abraços não tão apertados,
Abraços!
Com tapinha nas costas,
Com esfregação das mãos para cima e para baixo,
Com um embalo para os lados, como a dançar.
Abraços respeitosos, formais,
Abraços de saudade,
Abraços esmagadores.
Abraços rápidos, tipo que que é isso?
Abraços demorados, tipo é isso!
Abraços fraternos,
Abraços fáceis,
Abraços difíceis,
Abraços que contam histórias,
Abraços que resgatam histórias,
Abraços que fazem história.
Abraços desconfortáveis,
Abraços desconfortantes,
Abraços reveladores,
Nos menos:
1 – Corrupção política: noticiada à exaustão; sensacionalizada ao limite da substituição por uma outra tragédia, nova ou repetida. Muito mais garantia de audiência do que informação educativa.
2 – Violência: nas mais diferentes expressões, negação de direitos que produz dependência e veneração. Pior de todas: violência contra crianças; a confirmar a rede de cumplicidades.
3 – Hipocrisia: exposição muros caiados; primeiros lugares. Catarata moralista apontando para o cisco no olho alheio.
Daqui a pouco chegarão as férias e pouco depois outro daqui a pouco anunciará o início e reinício das aulas que trarão no bojo da efervescência que esse momento representa na vida do aluno uma série de questões até agora mal resolvidas, porque mal discutidas, mas que determinam a realidade escolar.
Tenho por mim que o cenário pluralizado em que a construção do processo definidor da política de Assistência Social, no Brasil, tem estabelecido alguns jargões que acabam se acomodando com absoluta naturalidade no vocabulário da gente. Momento histórico é um deles.
Quando falaram, na surdina, que as rosas não falam, gritaram indignadas, em alto e bom som, as Rosas Marias.
Quando falaram que a voz do povo é a voz de Deus, legitimaram divinamente a corrupção endêmica permeante das relações políticas.
Quando falaram que mais vale um pássaro na mão do que dois voando, havia o IBAMA?
Quando disseram que língua de sogra é igual veneno de cobra, pediram autorização para as cobras?
Quando prometeram botar pra quebrar, quebraram o bote?
No canto do muro o bem-te-vi insinua-se descaradamente para a rolinha. Uma taturana gigante rói a folha única do café. O pica-pau desistiu do tronco da canela fedorenta e veio na grama cortada recém fartar-se de grilinhos, grilões e aleluias; trouxe a pica-pau. O jacu rabudo se exibe para a gralha que, toda convencida, saltita pra lá e pra cá, como se o mundo fosse só ela, só dela. O filhote de pardal, sem as devidas penas traseiras não consegue projetar-se para o alto e foi de cabeça ao muro. A mãe, no desespero, não vê o bichano na espreita e deixa o desmioladinho órfão.
Chego assim, meio isbaforida pra ser das primera na fila do açogue. Crédo! Penso com meu botão, será quesse povo durmiu aqui no mercado?
Tenho uma dificuldade imensa de escrever coisas complexas. Encontro uma resistência metafísica asfixiante para escrever coisas minimamente prolixas. Quando percebo uma idéia simples de tradução simultânea possível, com sentido imediato, e eu escreveria com sentido plausível mas desisti para não ficar tabacariano demais já que metafísica e lúcida lá estão presentes e esse aposto sem vírgulas é uma antítese conceitual metalinguística confirmadora das afirmações colunais primeiras, ao contrário, induzo-me ao registro imediato e inequívoco, como agora.
Curvo-me diante ti, Senhora, percebo o abismo que sou e a fortaleza que és. Não consigo, nem poderia jamais conseguir, entender a força da tua serenidade.
Vivo o paradoxo revelador da mais humana das naturezas apontando para tudo o que se reconhece enquanto fragilidade de fé, incompletude de ser, pobreza de espírito.
No diálogo silencioso dos nossos olhares a revelação de tudo o que não sou e uma tristeza consciente de não ser... apenas não ser.
Nóis tava tudo ali nas poltrona da sala de aguardamento das resposta. Ele se virô i tinha alguma coisa na mão, que parecia um copo mais era como se não fosse; me oiô bem no fundo dos zóio i deu uma intortada no canto da boca que feiz parecê dum cinismo queu nunca tinha visto em nenhuma otra cara de nenhuma otra pessoa (sei que aquilo me impressionô demais i fiquei meio assim que perturbada. Amigos de data sem lembrança nós praticamente era da mesma casa i eu nunca tinha visto aquilo.
Por favor, por enquanto não me dê notícia ruim.
Não fique me enchendo o saco com afirmações esdrúxulas nem com teorias furadas sobre felicidade.
Que quero eu saber da tua opinião sobre felicidade?
Simplesmente seja feliz, oras!
Pare com isso!
Que tonguice isso de dizer que tudo tem jeito!
Enquanto andarmos tropeçando em lixo não tem jeito.
O mundo não tem mais jeito.
Não tem mais solução.
Vamos todos morrer. Que novidade. Claro que vamos todos morrer!
Uns antes, outros antes, também. Ninguém depois.
Porque o fragmento do tempo não sujere depois.
Definitivamente a inevitável se arronda de mim. É só eu fechá os zóio i ela já vem assim na sorraterice de raposa véia que fede as pena das franga comidas de madrugada. O rio das anta nova transbordando. O rio das anta véia secando. O rio das anta chique trazendo as tripa dos cabrito matado pras comemoração... Uma neblina que parece fumaça se misturando cas fumaça que parece nelblina. Aquela fria, esta fidida. I isfria na medida cas água se avolumam i parece que vai levá tudo. Passô um cachorrinho de mintira i uma véia grita pralguém salvá o cachorro.
Manchete de capa: COLABORADOR DO HOJE CENTRO SUL MORRE, DE RAIVA, ENQUANTO ESCREVE.
Morreu aos quarenta e cinco anos de idade, vítima da raiva e um pouco de sono e mais um pouco de desalento, alimentador da desesperança, o colaborador do Jornal Hoje Centro Sul, o Sr. Eu Mesmo Escrevente.
Estava fora; de quê,
do quê,
de onde?;
quando,
de repente,
percebi-me destituído de qualquer rumo.
Olhei para o infinito e vi estrelas.
Olhei para dentro de mim
e não percebi nada.
Estava vazio...
Escondi-me de mim,
em mim.
Encontrei-me em mim,
sem mim.
Fechei os olhos para a máscara que não usei.
Fiz de conta que era máscara
a verdade que não aceitei.
Quando o fiz, fiz errado.
Descobri-me ninguém toda a vida.
Tristemente ninguém...
Há piedade sentida de mim,
antes de um torpor repulsivo.
Olhei pela fresta da verdade
Algumas verdadeiras mentiras se confundem com algumas verdades mentidas. E quando não é possível entender essa fusão ou quando uma está travestida da outra, cumpre-se que se desmascare primeiro a mentira porque no automático do desmascaramento a verdade aparece. Assim, das esparsas lembranças semeadas nos áridos e pedregosos terrenos das histórias inacabadas, as poucas saudades brotadas não resistiram aos mesmos raios de sol que vieram para fazer germinar frágeis vidas e esturricar fortes hipocrisias.
A improvável desilusão incomodando a consciência!
A mulher chegou e perguntou: “É aqui que dão dinheiro pra vagabundo?”
Imaginando tratar-se do que se tratava e porque não era mesmo, a resposta: “Não!”
Ela: “Mas não é aqui que fazem o cadastro das pessoas que querem receber o Bolsa Família e o Leite das Crianças?”
-Não!
-Como não? Lá em tal lugar me informaram que vocês aqui é que ficam dando esses benefícios do governo que fazem as pessoas se acomodarem e não quererem trabalhar. Você não é o ...?