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No canto do muro o bem-te-vi insinua-se descaradamente para a rolinha

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No canto do muro o bem-te-vi insinua-se descaradamente para a rolinha. Uma taturana gigante rói a folha única do café. O pica-pau desistiu do tronco da canela fedorenta e veio na grama cortada recém fartar-se de grilinhos, grilões e aleluias; trouxe a pica-pau. O jacu rabudo se exibe para a gralha que, toda convencida, saltita pra lá e pra cá, como se o mundo fosse só ela, só dela. O filhote de pardal, sem as devidas penas traseiras não consegue projetar-se para o alto e foi de cabeça ao muro. A mãe, no desespero, não vê o bichano na espreita e deixa o desmioladinho órfão. Um cachorro persegue o bicicleteiro que no desvencilhar-se das mordidas, tenta desviar a raposa surgida do nada e cai sobre as cortantes pedras da beira do caminho. Ao longe um galo ensaia um canto novo. Ao perto uma galinha ensaia um ovo novo. Uma mula apavorada troteia entre as árvores e perde a cabeça. Um negrinho, de uma perna só, encapuzado e cachimbando, ri alto sem mostrar os olhos. Uma fumaça preta se levanta de entre as árvores, um rolo compressor deita gravetos e amassa o capim. Uma lebre aparece e desaparece. Um veadinho aparece e desaparece. Dois veadinhos aparecem e desaparecem. Três lebres desaparecem. Dois rolos compressores deitam galhos, deitam árvores, deitam a terra. Um buraco se abre e um coró anão se suicida. Um rosto transparece no canto esquerdo do trator primeiro. Um sabiá acelera as batidas das asas, pára no ar e insiste em beijar a flor do maracujá que nasceu na casa abandonada do joão-de-barro no galho da castanheira abandonada. O rolo compressor deita tudo e solta fumaça preta enegrecendo as folhas de tudo e o ar e o sol e os pássaros. E uma cobra sai da toca do tatu e é esmagada. Uma coruja da asa suja inutilmente grita de alerta. Um tiro acerta. Uma porta aberta. Um tiro. Uma porta. Uma borboleta. Tiro. Alerta. A fumaça. O pardalzinho caído. Um abismo. A cara no rolo compressor rindo. As lebres. O alerta da coruja. O alarme. Uma boca suja. Uma cirene. Uma fumaça. O alarme. A cirene. Uma chuva forte a cirene o pardalzinho a cobra a cirene...
-Dona Merislawa! Obrigado por me acordar, de novo. Acho que...
-Pode dispensá essa lenga lenga de sempre do que bão ca senhora me acordô i isso tudo. Vamo direto pros assunto queu tô incafifada se era você.
-Se era eu aonde? Quando? Afinal o qu...
-Não carece de ficá assim todo cum tom de autoridade porqueu bem que quis conhecê aquele chinelo de dedo. Só não desci da jardinera porque ia demorá a outra i eu tinha injeção praplicá.
-Ah! A senhora está...
-Eu tô, não! Eu sempre apliquei as injeção. Meu istojo tem mais de... mais isso não interessa. Eu tinha que te ligá muito mais pra dizê da feiura de te vê daquele jeito comento pitanga perto do Xavier, isganiçado. Parecia um morto de fome, seu Robis. O que cas pessoa vão pensá?
-Ah! Então era a senhora que deu um tchauzinho? Eu só vi uma mãozinha acenando, pois bem na hora eu desviei o olhar pra uma pitanga que mais parecia uma maçã, de tão grande.
-Tem gente que não se apruma mesmo. Que ca dianta í corrê no Parque desse jeito? Se sabe que pitanga ingorda né?
-Bem, eu sei que pitanga fortalece os músculos e faz afta. E quanto a engor...
-Quanto a ingordá já sei que cê vai dizê que se quizé imagrecê tem que fechá a boca. Mais do jeito queu te vi ca boca cheia de pitanga, acho quéssaistória de fortalecimento dos músculo pode até ter fundamento.
-Pode não. Tem!
-Como assim?
-Pois te digo com muita segurança que antes das pitangas malmente estava conseguindo dar uma. Não sei se é só coincidência, mas agora estou conseguindo, com certo esforço, é verdade, mas estou conseguindo, até três. Se é pitanga ou não, não sei, mas estou muito satisfeito.
-Seu Robis? Seu Robis? Acorde! Dormiu de novo? Saiu dos pesadelo i agora tá sonhando? Seje realista! Trêis? Todo dia?
-Bem que eu gostaria! Mas não é todo dia que eu tenho disponibilidade de ir caminhar no Parque. De certo que se fosse todo dia, logo logo estaria conseguindo cinco. Correndo, né, porque na caminhada faço até dez, com tranquilidade.
-Ah! Então as trêis cocê falô era volta correndo no Parque?
-Ué! E a senhora achou o quê?
-Nada, nada. Ademais eu só queria mesmo é te dizê pra manerá nas pitanga. Porque fica até chato a gente passá i as veiz ter que fazê de conta que não te conhece ou que não te viu, pra não te invergonhá. Sabe, né? essa coisa das decadência iii...
-Iii obrigado, Dona Merislawa. Bem fácil mesmo que eu vou deixar de comer pitanga porque a senhora vai passar por mim e se constranger. Problema da senhora. Até mais. Passar bem!
-Istúpido! Tchau.

ROBSON MIGUEL CAMARGO
Ed. 494 11/11/2009

Capa desta Edição
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