Desde que estourou esse fuzuê da batida proposital - confessada - do Piquet Jr., pra beneficiar o Alonso, eu venho me perguntando: como é que um cara como o Piquet pai, que direta ou indiretamente gerenciava
a carreira do filho, entra numa dessas. Prá mim, que acompanho a F1 há muito tempo, fica dificil conciliar a figura do Nelson, tricampeão mundial, com essa que surge participando de uma sórdida maracutaia - como se houvesse honesta maracutaia - pra garantir o emprego do filho na Renault. Também faz parte do raciocínio - do meu (às vezes eu consigo) - uma lebrança recente: há uns quatro, cinco meses, quando começou a tomar forma a demissão do garoto pela equipe, um repórter embutiu na pergunta o clima pesado que já reinava e quis saber se ele renovaria com a equipe. A resposta teve o tom de que encrencas quem resolvia era o pai dele. Juntando agora as frações, não fica dificil deduzir que já naquele momento o Briatore já tava contra a parede. Só que eu tenho a impressão que ele achou que ninguém ia chutar o pau da barraca, enganou-se.
A gente sabe que a F1, como qualquer modalidade esportiva que depende de grana em toneladas, não é exatamente o cenário ideal pra reuniões de damas de caridade e clubes de serviço - falo dos sérios clubes de serviço, cara-pálida - mas o que não dava pra imaginar é que o nível fosse cair tanto. Por partes. Sabemos que o Piquet Jr. em termos de pilotar carros de corrida, a única coisa que herdou do pai foi o nome. O guri é ruim mesmo. Claro que em categorias inferiores e a interferência do Nelson, conseguiu sair-se razoavelmente.
Ainda, na sombra do pai, chegou aonde chegou. E penso que agora acabou. Ou alguém aí tá achando
que algum “capo” da F1 tenha achado maravilhosa a armação e queira ter a familia Piquet à seu serviço?
É a mesma coisa, ou pior, que ação trabalhista. No caso é traição trabalhista. Mas como grana fala mais alto, posso estar completamente errado.
A parte mais hilária da maracutaia, é a justificativa do piloto pro acidente: “Eu estava em estado mental muito frágil” Vampará de brincadeira! E alguém em estado mental muito frágil vai ter condição psicológica de cumprir com tanta eficiência uma história acertada antes da corrida? “Para ter certeza de que eu iria causar o acidente na curva correta, eu chamei várias vezes a equipe no rádio para confirmar o número da volta, o que eu normalmente não faço”. Isso é declaração do Piquet Jr.
A declaração faz parte da carta/denúncia do piloto à FIA e é a descrição da estratégia traçada entre ele, Flavio Briatore e Pat Symonds, chefe de engenharia da Renault. Engraçado que em tempo algum essa gente pensou que com a palhaçada estariam colocando em risco a vida de outros participantes da prova.
Lavanderia - É claro que ninguém iria imaginar é que o Briatore deixasse barata a insurgência dos Piquet, e foi fundo.
“O Nelsinho teve um caso com senhor mais velho que ele”. Poético isso, né? Palavras do meigo Flavio Briatore, à respeito de seu antigo piloto. E por que não falou antes antes? Antes não fazia mal, agora faz. Tá bom! Quem não deve ter ficado indignado com o chefe da equipe é Nelson, o pai. Ele sempre falou quase isso do Ayrton, do Mansell, do Rubinho.
Tá provando do próprio veneno. Pra encerrar, quanto mais vejo F1, mais fico com saudade da F1. Jo Siffert e Jo Bonier; Niki Lauda, Jean Pierre Beltoise, Nani Galli, Jackie Stewart, Jack Brabham, Bruce Mac Laren, Jim Clark, Jochen Rindt, Villeneuve, Emerson, Moco, Ayrton, Nelson, Patrick, Depailler, Berger, Fraçois Cevert, Graham Hill e mais um monte de gente.
Emporcalharam o jogo, é coisa de mau atleta que quando não consegue na “catingoria”, decreta que do queixo pra baixo é canela. Provados os culpados, tem que banir do esporte esse povo. Deu burro na cabeça. A F1 não merece isso.
Oásis - De vez em quando a luz do fim do túnel não é a do trem vindo de lá prá cá. Foi o que aconteceu sexta-feira, dia 11, no salão nobre do (pra mim) Grupo Escolar Duque de Caxias. Promoção pelos 65 anos da Federação das Indústrias do Paraná, trouxe à Irati o Quarteto Mousikê. Violinos: Consuelo Froehner e Cristiane Marie Falco Klingelfus; viola, Márcio Ferreira Rodrigues e, violoncello, Clodoaldo Nunes Silva. Uma luz que bem que podia se repetir mais vezes.
Mas em país chitãos e xororós, a luz fica mais por conta do trem em sentido contrário mesmo. De qualquer forma valeu o esforço do Enezito Ruppel.
Ed. 486 16/09/2009





