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BSS

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A revista Aero Magazine, em sua última edição, trás uma matéria sobre a apresentação da Esquadrilha da Fumaça – EDA, aqui, lá, BSS, Brazilian Smoke Squadron, em Dayton, Ohio, EUA, assinada por Marcelo de Barros Camargo, que é o tipo da viagem pra ser feita. Ele descreve com detalhes, desde a decolagem na Academia da Força Aérea, em Pirassununga, até a chegada ao local da apresentação, voando no Hércules C-130 de apoio da esquadrilha Uma coleção de belas fotos deixa a matéria mais interessante. A parte mais tocante do relato, pra mim, é o final da matéria onde ele fala da etapa de Tampa, FL, até a base de Dayton: “Cumprimos a etapa em 04:30, chegamos bem a frente dos T-27. Até que, de repente, eles (os Tucanos) aparecem em formação, sobrevoando a pista com a fumaça acionada, para registro da imprensa da imprensa local. Aplausos”. Este trecho me da um tranco e me joga no ano de 1995, numa cidadezinha chamada Abbotsford, bem pertinho de Vancouver, Oeste do Canadá. Tava lá no “Abbotsford Air Festival”, uma festa que se realiza de dois em dois anos e que reúne uma grande quantidade de quase tudo o que voa, ou que um dia voou. E a Fumaça tava lá. Conhecia todos os pilotos da Esquadrilha da época. Pouco tempo antes eles haviam se apresentado aqui em Irati, então tava tudo em casa. Foi lá que eu vi pela primeira vez o tal de Galaxy C5-A, o Harrier, o Sukhoi 31, o Extra 300 e mais uma coleção de belíssimas máquinas de voar. Mas voltando a matéria da Aero, é indescritível a sensação de, no meio de todas essas cobras criadas, você ouvir o pelo sistema de som do festival que os próximos a decolar para a sua apresentação são os pilotos e os Tucanos do Brazilian Smoke Squadron. Cara pálida, da uns trezentos tipos de frio na barriga, você tem a impressão que é você que ta taxiando pra posição de decolagem. Daí entra praquele “script” que a gente já conhecia daqui: decolagem, subida pra altura de inicio de manobra e acertando a formação, e aí o bicho pega. Quando você olha pra direção de onde vem todo mundo e a fumaça é acionada, você transforma tudo aquilo em Brasil, queira ou não, e a garganta arde, e você torce, quieto, mas torce. Eles passam na tua – e do povaréu - frente, baixinho, motor no esbarro, quando cruzam a cabeceira a puxada e o inevitável “tunô” ascendente pra ganhar altura e começar tudo de novo. E você diz pra você, eu conheço esses caras, eles já voaram em casa, lá em Irati, quem nem tem mais campo de aviação, mas quando tinha eles voaram lá. Por isso, caros, a última parte da matéria da Aero foi a que mais me tocou. É muito bom ver esse tipo de Brasil lá fora, você passa a entender melhor um país maltratado por aqueles que deviam, por dever de oficio, não raro, cuidar pra que se cumprisse aqui, no mínimo, a civilidade que se vê fora daqui. Se não for pedir muito.

Ed. 491 21/10/2009

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