Nunca me dei bem com operações que incluam bolas de cristal, tarô, búzios ou qualquer outra forma de prever o que vai ser amanhã. Longo prazo, pra mim, anda na casa dos cinco minutos. Uns quatro anos depois do acidente fatal de Ayrton Senna eu tava no Canadá e assisti, na TV, uma “mesa redonda” de cronistas de automobilismo canadenses e americanos. Discutia-se quem teria sido o melhor piloto de F1 do todos os temos: deu Senna na cabeça, e o Schumacher já existia. Há alguns dias, jornalistas de automobilismo do todo mundo fizeram uma eleição pra se identificar, outra vez, o melhor dos melhores: deu Senna de novo. Isso pra dizer o que? Que, de novo, pra mim, Schumacher não teria sido tudo o que acabou sendo se Ayrton estivesse vivo; é só dar uma olhada contra quem e contra o que o alemão correu esse tempo todo. Sei que vou bater de frente contra alguns espíritos empedernidos, mas Barrichello foi obrigado a tirar o pé – ou to mentindo? – pra que alemão ganhasse pelo menos uma corrida. Isso prova que, em matéria de equipamento, pelo menos, a Ferrari possibilitou a Schumacher toda aquela “desenvoltura” que nos acostumamos a ver. Mas pra que tudo isso? Porque o alemão ta de volta, agora de Mercedes e nas mãos de Ross Brown, o mesmo estrategista dos seus tempos de Ferrari. Agora o detalhe: se durante toda a sua boa vida com as baratas de Maranello Michael tinha pouco com o que se preocupar, o descanso acabou. É ingenuidade imaginar que a Ferrari vai pra pista o ano que vem com os mesmos problemas que enfrentou este ano; e tem mais: Massa e Alonso. Um bicampeão, e um que só não foi campão por incompetência da equipe; só aí já tem encrenca pra ninguém botar defeito. A McLaren vem de Jason Button e Lewis Hamilton, um campeão e um ex; a Red Bull, umas gratas surpresas do ano passado, vem de Sebastian Vettel e Mark Webber, que não são de matar com o dedo; a Williams, que até agora é um mistério pro ano que vem – mas não se pode subestimar Frank Williams – tem Rubens Barrichello como número um; a Renault, Robert Kubica, um polaco carne de pescoço, e quem corre contra ele sabe disso. Daí pra baixo, os azarões, as novas equipes e outras não tão novas, mas com condição de surpreender, dependendo situação, e sem esquecer que ao lado dele, Michael, na Mercedes, tem o Niko Rosberg que não é a coisa mais santa do mundo depois que acende a luz verde. Bom, pra completar, é bom não esquecer das alterações que devem ser inauguradas por obra e graça da FIA: os pneus slick, o novo sistema de contagem de pontos; a extinção das paradas pra reabastecimento (o que sempre permitiu algum tipo de estratégia), e os novos circuitos onde o alemão ainda não andou. Agora você pode decretar: mas você quer um complô contra o Schumacher! Não, cara-pálida, só uma coisinha: se depois de todo esse tempo parado, ele volta e passa por cima de todo mundo, penso, ele vai ser quase igual ao Ayrton, melhor, nunca.
Bom ano novo pra vocês.
Ed. 501 30/12/2009





