Tenho uma dificuldade imensa de escrever coisas complexas. Encontro uma resistência metafísica asfixiante para escrever coisas minimamente prolixas. Quando percebo uma idéia simples de tradução simultânea possível, com sentido imediato, e eu escreveria com sentido plausível mas desisti para não ficar tabacariano demais já que metafísica e lúcida lá estão presentes e esse aposto sem vírgulas é uma antítese conceitual metalinguística confirmadora das afirmações colunais primeiras, ao contrário, induzo-me ao registro imediato e inequívoco, como agora. E das muitas manifestações de fidelidade de leitura... está bem, muitas mas não tantas assim; olhar reprovador, sorriso desconfiado? dúvida? muito bem, menos do que não tantas assim que significa poucas; menos ainda? pouquíssimas! confesso, duas, minto, três, sem registro em cartório. E lá se vai a materialização da intenção de uma coluna esteticamente coerente; coerentemente estética ou, para ser objetivo, que é uma das qualidades essenciais ao bom colunista, esteticacoerentemente pensada. E isso é maravilhoso porque explicita a intenção prévia; descartando a possibilidade da improvisação e confirmando o compromisso com a simplicidade, com a pureza, com a objetividade. Com redundâncias sim, e gerundiando propositalmente, para enfatizar o caráter da ininterruptabilidade conceitual e confirmar a estética catártica das intenções criadoras pessoais.
Muito bem, vou ao que é difícil. Vou aos procedimentos do Lula, primeiro quanto à transposição do São Francisco: seria pejorativamente redundante fazer as referências elogiosas pessoais para a e por isso cito o escritor Marcelo Carneiro da Cunha, que afirma, que se a Veja o um bispo são contra, ele é a favor. Diz o Escritor que o Velho Chico, expandido, promoverá a emancipação de um sem número de pessoas para quem além de tudo, falta água. Diz ele, ainda e também, que a autonomia de vida, que começa pela disponibilidade de água, produz independência política, acabando, portanto, com os currais eleitorais que explicam a perpetuação da miséria, pois a revela como o mais sórdido instrumento de manipulação das massas, pois subjug a vidas pelo condicionamento à sobrevivência. Bingo! (exclamação minha) “A disponibilidade de água faz brotar a dignidade”, mas isso nos é incompreensível. E continua as ponderações, apontando para o rompimento inimaginável do mando político, numa região que era a melhor tradução de imperialismo político familiar, e não carece dizer que se referia à Bahia, quando o povo, que também é conhecido como eleitor, percebeu-se concretamente mais autônomo. E tenho que finalizar isso porque está ficando difícil demais, até porque isso não há por aqui, e eu ainda tenho que ir ao segundo, do Lula, que diz respeito ao enfrentamento a uma empresa, que no seu segmento produtivo é a maior, ou uma das duas maiores do mundo. Não, minto, pela segunda vez na mesma coluna: não é enfrentamento à empresa, que já foi estatal, mas à forma como vem sendo administrada. Porque quer o presidente, que a empresa seja melhor. E é aí que eu reforço os aplausos a ele, porque ser melhor, não é simplesmente faturar mais. Ou seja, o pensar presidencial estabelece que além do minério, a empresa em questão tem que produzir mais Brasil. Coisa de louco e de difícil compreensão diante dos indicativos financeiros que mostram o antes e o depois da privatização, mas não fazem nenhuma menção ao processo e valores envolvidos. E ainda, na finalização desse segundo do Lula, pasmar diante dos comentários críticos de um respeitado senhor, ex-ministro da fazenda, pitacando na política monetária. Porque na sua gestão houve mais desvios de recurso do que há agora; os Sarneys mandavam tanto quanto agora; mas a inflação mangalargava com naturalidade própria e afim a quem está imune aos seus resultados nojentos. Só isso.
Na seqüência eu escreveria, coisa difícil, dos e-mails comerciais que recebo, por primeiro com destaque à oferta de produtos que acabam com os pés de galinhas, sutilmente chamados de marcas de expressão; por segundo dos produtos que melhoram o desempenho sexual. Barbaridade! Quem anda me espionando? Que estratégias essas empresas adotam para conhecer, identificar mesmo, os seus consumidores? Me falaram, não sei se é verdade, mas tudo leva a crer que é, que andam fazendo entrevistas, incluindo aí, certamente, o espelho do meu banheiro e o do escritório, e o retrovisor do carro,. Escreveria, porque vou mesmo escrever, coisa difícil também,... o quê? Não tem mais espaço? É espaço demais pra leitores de mim de menos? Credo! Que maldade! Fica a certeza de que daqui pra frente só é possível melhorar, pois piorar é impossível.
Ah inveja babada!
Ed. 491 21/10/2009





