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Animal Racional

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Ao observarmos a colocação de Aristóteles, que homem ele é um “animal racional”, somos tentados a compreender como se razão fosse algo acrescido í  natureza animal. Fazendo de um simples animal algo evoluí­do, ou seja, que pensa. Parece-nos que não se trata somente disto. Mas sim de uma nova realidade, onde o animal é transformado pela alma racional. O homem não pertence ao conjunto dos seres instintivos, mas ao grupo dos seres dotados de “logos”. Seres capazes de si e da divindade.
Poderí­amos compreender razão como um modo de desenvolver o pensar. No consenso popular, diz-se que tem razão aquele que raciocina bem, que rapidamente encontra solução para as questíµes mais difí­ceis. Mas temos a impressão de que razão vai além de uma compreensão simplória. A razão enquanto “logos” diz muito mais.
Razão enquanto “logos” diz Linguagem. Linguagem é mais do que um simples instrumento de relação entre os indiví­duos. Ela é o próprio do humano. Até mesmo o “lógos” se dá dentro de uma linguagem, o pensamento se dá dentro de um modo de encaminhá-lo. Este modo de ser da racionalidade depende de um substrato, depende de um “logos” universal. Para sermos racionalidade dependemos do “logos” de um criador e gerador, que nos sustenta.
Somos racionais na medida em que portamos o “logos”. Os medievais tinham claro as concepçíµes de alma, cada grau de participação do ser é dotado de uma alma diferente. Os Elementos portam a elementativa, os vegetais a vegetativa e os animais a alma sensitiva. O homem é dotado de todas estas, porém convertidas em “logos”, razão. Assim, no homem está o animal que porta a razão. Esta razão transforma todas as outras almas no modo de ser próprio da racionalidade.
O homem caracteriza-se por sua racionalidade. Este modo de ser é capaz de recolher, ajuntar e organizar tudo. O homem é um dos principais participantes da divindade, visto que é capaz de ordenar, assim como o Cosmos ordenou o Caos, o homem ordena o universo criado pela divindade. Compreendemos “logos” como o recolher e o ordenar, mas não é somente isso. Ele é também linguagem, como já foi tratado acima. Enquanto linguagem ele possibilita a abertura para a vida, para o mundo e para os outros.
í‰ por meio da linguagem que se dá a relação. E relação de uma forma, mais distante, também diz “logos”, razão. Pois é a razão que possibilita a relação do homem, não somente com os entes que o cercam, mas também consigo mesmo.
Razão também diz algo de consciência. Temos a consciência de nossa miserabilidade e sabemos o nada que somos. Mas só conseguimos vislumbrar isso por meio de um confronto com a realidade antropológica que somos.
O homem enquanto racional é um ser capaz de maravilhar-se com a novidade. A capacidade de vislumbrar o novo só é dada ao homem, nenhum outro ser (material) é capaz de tirar de si mesmo “coisas novas e velhas”. O dom da razão é a possibilidade de renovação, de mudança, de transformação.

Capa desta Edição
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