Produtores querem reajuste de 19,5% devido ao custo de produção e os danos das chuvas
Centro-Sul - Dirigentes das entidades dos produtores de tabaco e das empresas fumageiras estiveram reunidos nos dias 13 e 14 de janeiro na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre, para discutir o preço do tabaco na safra atual. A representação dos produtores, formada pelas Federações de Agricultura e dos Trabalhadores na Agricultura dos três estados do Sul e Afubra, não aceitou nenhuma das ofertas das empresas por terem ficado muito abaixo do solicitado.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Irati, Alceu Hreciuk, esteve no evento, representando a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) e conta que o acordo não foi firmado porque as empresas não aceitaram o reajuste de 19,5% que foi proposto pelos produtores de tabaco.
De acordo com Hreciuk, o valor foi determinado após uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Porto Alegre, em parceria com entidades, representantes das empresas fumageiras e Afubra. “Nesta pesquisa constatou-se que o custo de produção aumentou em 14,4%. Nós estamos pedindo um reajuste de 19,5%, que seria o custo e um pouco mais de rentabilidade que o produtor tem que ter”, afirma o presidente.
As propostas de reajuste das empresas fumageiras foram as seguintes: Alliance One, 10,2%; Kannenberg, 10% e Souza Cruz 6,10%. A empresa Universal Leaf não apresentou nenhuma proposta e solicitou um prazo maior para verificar a definição do mercado internacional.
Hreciuk contesta os valores apresentados pelas empresas, visto que a pesquisa de custo foi feita com a participação destas. “As fumageiras mesmo com o levantamento de custo sendo feito em conjunto, não querem reconhecê-lo. Ainda temos a possibilidade de fazer uma nova negociação até o dia 10 de fevereiro. Se não conseguirmos pelo menos 14,4%, não teremos um acordo no preço do tabaco este ano”, acrescenta o presidente.
Entre as alegações das empresas, a Aliance One, diz que o aumento foi só de 10,2% e que está com problemas para colocar o fumo no mercado internacional. Já a Kannenberg fez um custo elaborado por orientadores que trabalharam junto na pesquisa de campo, mas o valor interno da empresa e não bateu com os valores apresentados pelas entidades.
Enquanto isso, os produtores já estão vendendo o fumo, por isso a recomendação feita é de que o produto não seja comercializado abaixo da média de R$ 6,79 por quilo, ou R$ 101,85 a arroba para o Tipo TO2. “Se conseguir esse valor, são os 19% que estamos pedindo”, destaca Hreciuk.
Segundo o presidente, as principais empresas que atuam na região Centro-Sul são a Alliance One, Continental Tobaccos Alliance (CTA) e a Souza Cruz. “Uma dessas empresas está praticando um preço bom. O baixeiro, que é o fumo de menor qualidade foi vendido de R$ 5,00 até R$ 6,00 o quilo, o que dá a média de R$ 101,00 a arroba”, ressalta Hreciuk.
Danos da chuva
O excesso de chuva, que ocorre desde o mês de setembro, atingiu principalmente o estado do Rio Grande do Sul, onde as perdas na produção de fumo chegaram a 15%. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Irati conta que em nossa região houve uma redução de 10% na produção. “Nós estamos trabalhando com esta quebra de produção para conseguir o reajuste de 19,5% no preço. Quando estes prejuízos acontecem temos que pressionar para conseguir as melhorias”, conclui Hreciuk.
TEXTO: MARINA LUKAVY, DA REDAÇÃO.
FOTO: ARQUIVO.
Ed. 504 03/02/2010





