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Edição 996 - Já nas bancas!
17/06/2016

Onda de furtos preocupa população iratiense

Segundo a Polícia Militar houve um crescimento de 10% a 15% no número de furtos qualificados. Somente no mês passado, foram 43 furtos qualificados em Irati. Comandante da PM destaca cuidados para evitar furtos

Onda de furtos preocupa população iratiense

Imagine chegar à sua casa à noite, após sair com sua família, e se deparar com a casa toda revirada e com objetos faltando. Foi o que aconteceu com Odineia Ferreira, moradora do bairro Alto da Glória, em Irati, que teve sua casa furtada no fim de maio, durante a noite. Foram levados TV, celular, dinheiro, perfume e jaqueta.

Odineia conta que duas semanas antes, a casa de uma vizinha já tinha sido furtada, em plena luz do dia. Para ela o que fica agora é sensação de insegurança. “A gente fica insegura. Fica em casa porque tem que ficar”, diz. A família também colocou um alarme na casa. “Mas ainda fica o trauma”, diz Odineia.

Relatos de furtos em Irati também se espalharam pelas redes sociais no último mês. Um dos relatos é do ex-prefeito Rodrigo Hilgemberg que em sessenta dias sofreu dois assaltos em seus estabelecimentos comerciais e um arrombamento. “Ao que parece, o submundo das drogas é que determina a segurança de nossa cidade. As polícias fazem o que podem. Investigam, prendem e os menores logo estão nas ruas novamente tocando terror. Algo está errado. Uma lei que protege ( e deve sim proteger) menores, mas não re-educa e não pune os infratores e reincidentes. Isso é desanimador”, disse em seu relato.

A sensação de insegurança é confirmada pelos dados da Polícia Militar de Irati. De acordo com o comandante do 8ª Companhia Independente da Polícia Militar, Major Joas Marcos Carneiro Lins, o furto qualificado teve um aumento de 10% a 15% em maio desse ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 43 furtos qualificados apenas no mês de maio.

Para o comandante, o aumento do índice se deve a dois fatores: o microtráfico na região e a falta de cuidado da população em proteger os seus bens.

População atuando junto com a PM

Segundo o comandante, para que o índice diminua é necessário um trabalho conjunto com a sociedade para que haja a conscientização de como proteger seus bens para evitar o furto.

“A Polícia Militar, principalmente em Irati, está trabalhando com informações de serviço reservado, porque nós temos alguns modus operandi de alguns elementos que agem da mesma forma e, partindo desse princípio, consegue direcionar o policiamento para que efetivamente possa prender essas pessoas. É evidente que nada adianta fazer esse tipo de policiamento se a própria população não se conscientizar de que ela tem que manter sua casa bem fechada, que ela não pode deixar objetos à vista desses elementos, porque o marginal busca o modo mais fácil para poder operar, e dentro desse processo nós temos que estar atentos junto com a população”, alerta.

O comandante cita, por exemplo, que as pessoas jamais podem deixar janelas abertas e portas destravadas. "Nós temos ocorrências que o cidadão deixou a porta aberta para trabalhar e voltou à noite. E daí foi surpreendido com o furto de objetos dentro da sua residência”, conta o Major Joas.

"Não podemos deixar um veículo com a chave na ignição, com o vidro aberto, que se o marginal verificar que a chave está na ignição ele fatalmente vai levar esse carro. Se ele observar que dentro do interior do carro tem uma bolsa com objetos, na cabeça dele, ele acha que tem dinheiro e ele vai arrebentar o vidro e vai furtar aquela bolsa. Então são alguns cuidados básicos que tem que se ter para que se possa efetivamente reduzir esse índice”, disse. “Onde o marginal acha que tem facilidade é onde ele vai agir, por isso que nós trabalhamos com serviço de inteligência para tentar pegar efetivamente e tentar pinçar os locais onde esse marginal está atuando”, relata.

A ajuda da população no combate também é importante, segundo o comandante. Através de denúncias anônimas a Polícia Militar já conseguiu realizar prisões em flagrante. “Nós conseguimos prender por conta da colaboração da população que nos liga, que nos passa as características dos elementos, o local onde está, o local onde foi. Nós temos aqui o telefone 181 que é o disque-denúncia, você não precisa se identificar em momento algum, somente passar as informações tanto de tráfico de drogas, de armas, de objetos, de furtos, nós temos o nosso telefone de emergência que é o 190 que é 24h para atendimento”, conta.

Microtráfico

O outro fator para que o índice tenha aumentado é o microtráfico na região. O furto qualificado também está atrelado ao microtráfico.  "Os usuários de drogas eles buscam entrar nas residências pegando qualquer coisa, um celular, um relógio de parede, uma televisão, um computador, para trocar por droga”, ressalta o comandante.

Por isso, a Polícia Militar em conjunto com a Polícia Civil atua no combate da receptação. “Nós com o serviço de inteligência fazemos um policiamento mais voltado para a receptação, que a partir do momento que a gente tira a receptação, não tem mais o que roubar porque se o ladrão for roubar, não tem pra quem vender”.

“Nós trabalhamos com o enfraquecimento das quadrilhas”, conta. “Apreendendo algumas drogas e em operações pontuais em locais de que há informação de que existe este tráfico de drogas”, disse o comandante.

“Quanto maior o número de retirada de circulação de drogas, menor será o índice de criminalidade da cidade. Nós trabalhamos dessa forma, enfraquecendo o crime organizado “, disse.

Caminho para o fim do tráfico

Para o comandante, o combate ao tráfico de drogas de modo que ele acabe deve passar por dois pontos. “Primeiro ponto é a legislação, o segundo ponto é a educação”, disse.

Segundo ele, tem sido difícil qualificar o tráfico, já que muitos traficantes estariam carregando menos drogas para poder se passar por usuário.  “Para você qualificar o tráfico de entorpecentes é muito difícil porque tem que ter uma certa quantidade, o traficante hoje ele já sabe, ele já usa o menor, pequenas quantidades, porções, valores em dinheiro baixo. Às vezes você não consegue qualificar. Esse microtraficante que é usuário também, ele pega três pedras, vende duas, para fumar uma, ou três cigarros, para fumar um e vender, manter seu vício e tentar fazer dinheiro daquilo dali”, disse.

Sobre a educação, o comandante diz que é preciso que os pais cuidem da educação dos seus filhos, ensinando sobre dizer não às drogas, além de prestar atenção em sinais que possam demonstrar que algo não está bem com o seu filho. “É dentro de casa que começa. Você cuidando do seu filho, porque se o pai ou a mãe não cuidar do filho hoje, o traficante vai cuidá-lo amanhã”, disse.

Como se proteger de furtos

- Sempre verifique se a casa está fechada e trancada antes de sair; verifique também se o carro está fechado e em caso de bicicletas, se ela está trancada em algum lugar;

- Em caso de viagem, quando a casa ficar vazia, avise um vizinho para ficar de olho na casa e avisar sobre qualquer movimento estranho;

- Alarmes e qualquer sistema de monitoramento também podem ajudar para inibir a ação dos assaltantes;

- Não deixe objetos à vista no quintal da casa ou no carro;

- Guardar a nota fiscal dos objetos é extremamente importante. Ela é a prova para conseguir recuperar o objeto e provar quem é o dono. Além disso, pedir a nota fiscal em compras online – principalmente em revendas de objetos – ajuda a ter certeza da origem do produto e de prevenir que o comprador adquira um objeto advindo de um furto.

Furto X Roubo

Furto - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel.

Furto qualificado - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; com emprego de chave falsa;

Furto simples - subtração de coisa móvel sem quaisquer dos agravantes descritos no furto qualificado.

Roubo - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul e Arquivo/Hoje Centro Sul

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