facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 955 - Já nas bancas!
31/05/2016

Caso de Anna Silvia Cabral tem reviravolta

Anna Silvia Cabral teria se suicidado no natal de 2012; contudo, perícia particular traz nova versão, que ela teria sido vítima de homicídio; Joel Felipe Cardoso, na época marido de Anna, é acusado; defesa de Joel afirma que não há provas

Caso de Anna Silvia Cabral tem reviravolta

Um novo capítulo surgiu recentemente no caso da morte de Anna Silvia Cabral, após uma perícia particular apontar que a mulher de 34 anos não teria cometido suicídio no natal de 2012 em Fernandes Pinheiro, mas que teria sido vítima de homicídio. A perícia particular foi contratada pela família de Anna.

A nova informação foi adicionada ao processo que corre no Ministério Público de Teixeira Soares. Segundo o promotor Marcos Antônio Lopes Stamm o processo está em andamento e aguardando um novo laudo da perícia. “Estamos aguardando um terceiro laudo para tentar tirar a dúvida”, disse.

O suspeito acusado pelo Ministério Público é Joel Felipe Cardoso, na época marido de Anna.

Em reportagem do programa Cidade Alerta, da TV Record, exibida nesta segunda-feira (23), os advogados da família de Anna falaram sobre o novo laudo. “Foi realizado uma perícia específica, por um perito particular, que acabou concluindo por ser um caso de estrangulamento e não de enforcamento”, afirmou o advogado Samir Assad .

O outro advogado da família, Luciano Borges, acredita que o julgamento possa acontecer no próximo ano. “A gente acredita que até o final do ano o réu seja pronunciado, hoje ele já é acusado por homicídio triplicamente qualificado e no ano que vem seja submetido a júri”, disse.

A perícia particular foi realizada por um pedido dos pais de Anna, que suspeitavam de Joel. Os pais alegam que a suspeita teria nascido após Joel informá-los que os bens de Anna já estavam em seu próprio nome.

Investigação

Segundo o delegado da Polícia Civil de Teixeira Soares, Rodrigo da Silva Cruz, na época do fato foram realizados todos os procedimentos do inquérito. “Foram feitas todas as diligências possíveis, como laudo do IML (Instituto Médico Legal), a respeito da causa mortis, oitivas de familiares da falecida, oitiva de testemunhas que moravam em torno da casa onde houve o fato”, explicou.

De acordo com o delegado, o laudo do IML apontou para enforcamento.

O delegado ainda disse que o inquérito policial já foi encerrado e enviado para o Ministério Público. “Diante da coleta de dados obtida durante o transcurso da execução penal da investigação policial, eu encerrei o inquérito e remeti ao Ministério Público”, disse.

A perícia particular foi anexada quando o processo já estava no Ministério Público. Em 02 de março de 2015, o promotor que era responsável pela Comarca de Teixeira Soares, Joel Rutte, apresentou denúncia por homicídio contra Joel Felipe Cardoso.

Defesa de Joel diz que não há provas

Os advogados de Joel, Josué Hilgenberg e Antonio Cesar Portela, dizem que não há elementos para a acusação. “O que ocorre dentro do processo é que existem dois laudos preliminarmente que nós analisamos, só um pelo assistente de acusação, pela família da suposta vítima, e outro apresentado pela defesa. Então hoje não existe uma comprovação firme para sustentar que o Joel realmente é o autor do suposto crime”, disse Josué.

“O que a defesa técnica tem nesse momento para dizer é que realmente irá se inteirar do assunto com mais profundidade, mas preliminarmente, entendo que não existe ainda toda essa sustentação, provas concretas, já que há uma discussão no processo de peritos. Acredito, sim, que a medicina legal irá influenciar muito no futuro do andamento do processo”, explicou Josué.

Para o advogado, o que ocorreu foi realmente suicídio. “Essa tese é a tese verdadeira que de fato ocorreu e a defesa técnica irá sustentar e ratificar o que já foi sustentado lá no início, não é uma perícia privada que vai realmente desmontar toda uma construção séria que houve no momento do fato”, disse.

Enforcamento ou estrangulamento

No artigo “Enforcamento ou estrangulamento”, publicado pelo JusBrasil, Denise Simonaka explica a diferença entre as duas formas de asfixia violenta:

“O enforcamento se dá com a suspensão completa ou incompleta, do corpo em ponto fixo, cuja força atuante é o próprio peso da vítima, por meio de um laço que constringe o pescoço.

Já no estrangulamento, que também é uma constrição por um laço, a força constritiva é externa. O que constringe é o laço, acionado por uma força externa.

A análise do sulco deixado pelo laço é necessária para determinar se a causa da morte foi enforcamento ou estrangulamento.

O sulco é a marca do material utilizado como laço que ocasionou o enforcamento, aparece em baixo relevo, desenhando o instrumento que constringiu o pescoço.

No enforcamento, o sulco é oblíquo ascendente, possui profundidade variável, sendo interrompido no nó, ficando por cima da cartilagem tireóidea.

No estrangulamento, o sulco é horizontal, possui profundidade uniforme, não sendo interrompido e ficando no meio do pescoço.”

Texto: Da Redação/Hoje Centro Sul

Fotos: Divulgação e Arquivo Pessoal

Galeria de Fotos