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Edição 982
16/05/2016

População discute o combate a criminalidade e suspeitos de furto são mortos em confronto com a polícia

Na noite em que a população discutia soluções para a violência em Prudentópolis, município era alvo da “gangue da marcha-ré”; troca de tiros entre a polícia e suspeitos acabou em duas mortes

População discute o combate a criminalidade e suspeitos de furto são mortos em confronto com a polícia

O início da semana teve mais um episódio violento em Prudentópolis, com tiroteio e morte de dois suspeitos de um furto.

Na terça-feira (10), o município foi alvo da chamada “gangue da marcha-ré”. A ação foi capturada por câmeras de segurança, que mostraram os suspeitos colidindo um carro propositalmente contra a porta de uma empresa agrícola e praticando  furto de uma quantia em dinheiro. Logo após o crime, os suspeitos fugiram do local.

Na quarta-feira (11), uma ação conjunta entre a Polícia Militar e Polícia Civil de Prudentópolis, com apoio da Polícia Militar de Guarapuava, encontrou os suspeitos em uma estrada rural, na localidade de Manduri em Prudentópolis. Segundo o comandante da 4ªCia-16ºBPM/Prudentópolis, capitão QOPM Clever Anaczewski, a polícia já estava acompanhando os passos dos suspeitos e chegou à exata localização dos mesmos após uma denúncia anônima.

No local, a equipe tentou abordar os suspeitos, que começaram a atirar. A polícia revidou. Durante o tiroteio, dois suspeitos foram atingidos e acabaram falecendo. Um dos suspeitos tinha 17 anos e já possuía um mandado de busca e apreensão. O outro era maior de idade e também era foragido. O terceiro suspeito, que também estava no local, fugiu em direção a um matagal e a polícia ainda não havia o localizado até o fechamento desta reportagem.

O carro usado durante a ação de terça-feira,  um Ford Fox preto, havia sido roubado no distrito de Guairacá, em Guarapuava, na segunda-feira (09).

De acordo com o comandante da Polícia Militar de Prudentópolis, as pessoas da “gangue da marcha-ré” não possuem ligação com as outras pessoas que atuaram em Curitiba e região metropolitana. Contudo, usaram a mesma prática vista nestas cidades.

O capitão Clever ainda informou que os suspeitos eram de Prudentópolis.

Onda de violência é discutida

Na mesma noite de terça-feira em que a “gangue da marcha-ré” atuava em Prudentópolis, a população do município se reunia na Câmara de Vereadores para discutir,  em uma audiência pública,  soluções para problemas relacionados à segurança.

Estiveram presentes no local o prefeito Adelmo Luiz Klosowski, o secretário de Administração, Eli Corrêa Fernandes, a secretária de Assistência Social, Jane Diniz Poli, a secretária de Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico, Cristiane Boiko Rossetim, o presidente em exercício da Câmara Municipal, José Adilson dos Santos, o comandante da Polícia Militar em Prudentópolis, capitão Clever Anaczewski, o delegado de Polícia Civil da comarca, Osmar Pontes Júnior, o juiz de Direito, José Augusto Guterres, o promotor de Direito, Rafael Cavichioli, o presidente da Subseção da OAB de Prudentópolis, Luiz Carlos Antônio, e representantes da sociedade civil organizada.

As autoridades foram unânimes em afirmar que o Estado é o responsável por tomar medidas e decisões que garantam a segurança pública e elogiaram os esforços do governo municipal em buscar alternativas e em cobrar providências.

O promotor de justiça, Rafael Cavichioli, sugeriu a elaboração de um abaixo-assinado dirigido ao governo do Paraná, solicitando providências. Ele também salientou que é dever do Estado garantir a segurança.

A criação de uma Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, conhecida como APAC, em Prudentópolis foi sugerida pelo juiz José Augusto Guterres. Em sua apresentação, ele mostrou que a APAC é uma instituição para cumprimento de pena que preza pela humanização e recuperação, e vem logrando êxito em diversas cidades do Brasil e também em outros países, com um índice de recuperação de até 95% dos condenados.

Na avaliação do comandante da 4ª Cia- 16º BPM de Prudentópolis, capitão Clever, o resultado da audiência foi positivo,  já que as autoridades puderam explicar à população a competência de cada órgão, além de dar orientações à população em relação às estratégias para se defender.

Contudo, o capitão acredita que essas reuniões teriam resultados melhores se fossem realizadas de forma a prevenir a criminalidade. “Foi positivo, pena que aconteceu quando a população já foi atingida. Essas reuniões são mais utéis quando se foca em prevenção”, disse.

Mesmo assim, o comandante elogiou a participação da sociedade que lotou o auditório da Câmara de Vereadores.

Para o delegado Osmar Albuquerque Pontes Junior , a audiência “foi proveitosa na medida em que as pessoas puderam tirar as dúvidas em relação à segurança pública”.

Segurança em Prudentópolis

A audiência pública aconteceu após os moradores de Prudentópolis começarem demonstrar preocupações com a violência na cidade. Segundo dados da própria Polícia Militar, o número de roubos dobrou de 2010 a 2015, sendo que somente neste ano já foram registrados 57 roubos até abril.

O número de homicídio também aumentou. Em 2010, foi registrado apenas um homicídio, já em 2015, o número aumentou para oito homicídios.

Apesar disso, o total de ocorrências atendidas pela 4ª Cia PM/Prudentópolis teve uma leve queda nos últimos cinco anos. Em 2010, foram atendidas 1.429 ocorrências, e em 2015, 1.410 ocorrências.

De acordo com o comandante Clever, a Polícia Militar tem tido estrutura suficiente para enfrentar a onda de roubos e furtos. Contudo, os criminosos tem tido cada vez mais audácia. “Cercamos por todos os lados. É uma guerra de gato e rato”, disse.

Além disso, a maioria dos crimes cometidos atualmente em Prudentópolis são feitos por pessoas da própria cidade. “De fora é minoria. A maioria dos marginais, atualmente, são daqui”, disse o comandante. Soma-se a isso a participação de adolescentes. “O principal problema é o envolvimento de adolescentes nos crimes”. Um dos exemplos é exatamente o caso da “gangue da marcha-ré”, que teve a participação de um adolescente de 17 anos, que foi morto.

Para o comandante, fatores externos que não estão ao alcance da polícia fazem com que se chegue a esta situação. “Segurança pública não depende só da polícia. É uma questão social”, disse. Ele também apontou a desigualdade social, miséria e desemprego como alguns dos fatores que afetam a segurança pública.

Carceragem da Polícia Civil está superlotada

Enquanto o número de crimes cresce, a carceragem da Polícia Civil de Prudentópolis continua superlotada. A informação foi confirmada pelo delegado Osmar Pontes Júnior, da Policia Civil de Prudentópolis. “Há mais que o dobro do que é a capacidade”, disse o delegado.

Segundo ele, a superlotação faz com que os policiais acabem assumindo outras funções.

“Afeta o trabalho da Polícia Civil, que é de investigação”, conta. Ao invés de realizar o trabalho de investigação, parte do efetivo precisa cuidar da população carcerária da delegacia. “O efetivo acaba desviando de função”, disse.

O delegado afirma que o Estado realizou uma promessa de esvaziar as delegacias, mas que ainda não houver um retorno efetivo.

 

Texto: Karin Franco, com informações Assessoria PMP

Fotos:Assessoria PMP e Rádio Najuá/Élio Kohut

 

Estatísticas de Prudentópolis:

População Prudentópolis em 2010: 48.792 habitantes

População Prudentópolis em 2015: 51.567 habitantes

Fonte: IBGE

 

Total de ocorrências atendidas 4ª Cia-PM/Prudentópolis em 2010: 1.429 ocorrências.

Total de ocorrências atendidas 4ª Cia-PM/Prudentópolis em 2015: 1.410 ocorrências.

Fonte: RPG/PMPR

 

Roubos em 2010: 46

Roubos em 2015: 105

Roubos em 2016: 57

 

Homicídios em 2010: 01

Homicídios em 2015: 08

 

Lesões corporais em 2010: 100

Lesões corporais em 2015: 70

Lesões corporais em 2016: 41

 

Ocorrências totais atendidas em 2012: 1.700

Ocorrências totais atendidas em 2013: 1.486

Ocorrências totais atendidas em 2014: 1.101

Ocorrências totais atendidas em 2016 (até abril): 0.637  

Fonte: RPG/SisCOP PMPR

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