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Edição 1204 - Já nas bancas!
11/03/2020

Editorial - Números reais devem pautar a discussão sobre o transporte coletivo

Editorial - Números reais devem pautar a discussão sobre o transporte coletivo

Qualquer contrato entre o poder público e um ente privado tem critérios claros, com definições dos termos pactuadas em relação ao que pode e o que não pode.  Para a execução do serviço de transporte coletivo, o Município faz uma concessão a uma ou mais empresas, entes privados, e há regras e parâmetros a serem seguidos.

Em Irati, há aproximadamente três décadas a Viação Arilur Ltda., a Transiratiense, é quem presta os serviços que, ano após ano, tem tido seu preço elevado acima da inflação e queda do número de usuários. Em 2015 a tarifa do transporte coletivo custava R$ 2,80 e atualmente custa R$ 4,40. Em cinco anos, o iratiense passou a pagar 57% a mais pelo ônibus, o que pesa do orçamento do trabalhador.

No período: em 2015 a inflação foi de 10,67%; em 2016 de 6,29%; em 2017 de 2,95%; em 2018 de 3,73%; em 2019 de 4,31%. Aplicando todos estes índices ao valor de R$ 2,80 de 2015 teríamos o preço da passagem custando hoje cerca de R$ 3,67, entretanto o valor é R$ 4,40. Isso significa que o iratiense paga 20% a mais que o acumulado da inflação pelo transporte público. Estes aumentos seriam motivação para que cada vez mais pessoas deixem de usar o transporte? No fim do mês é mais barato ir trabalhar de carro ou de moto? 

Considerando a relação comodidade x preço compensa usar o transporte coletivo? Este questionamento cabe não apenas para Irati, mas para grande parte do Brasil. Diferente de países de primeiro mundo onde o transporte coletivo é eficiente e ágil, no Brasil a situação é outra. Demora, excesso de passageiros, veículos desconfortáveis, preço elevado da tarifa formam uma somatória de fatores que, de forma geral, vem desmotivando o uso desse tipo de transporte no país.

É preciso analisar todos os fatos que envolvem o transporte coletivo friamente. Assim como também é necessário avaliar o real impacto da gratuidade para pessoas com idade entre 60 e 64 anos no transporte coletivo de Irati. Para tanto, o primeiro passo é que se tenham números reais e auditados de usuários. O que hoje não existe. Por isso acontecerá o cadastramento de usuários, pois a discussão é séria e precisa ter dados que a embase. Até porque não cabe ao poder público conceder benefícios e subsídios a entes privados de forma indiscriminada.

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