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Edição 1204 - Já nas bancas!
05/03/2020

Rede Feminina busca mais voluntárias para acolher pacientes no Erasto Gaertner em Irati

A rotatividade das voluntárias e o aumento do número de atendimentos na unidade do Erasto em Irati motivaram a Rede Feminina a lançar a campanha para conseguir novas colaboradoras

Rede Feminina busca mais voluntárias para acolher pacientes no Erasto Gaertner em Irati

Dedicar um pouco de tempo para auxiliar as pessoas que fazem tratamento oncológico. Esta é a função das voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Irati (RFCC) que, dentre as várias atividades que podem desempenhar na entidade – como auxiliar em eventos, vender bilhetes de jantares para arrecadar recursos e fazer trabalhos de costura e crochê –, decidem atuar dentro da unidade de atendimento do Hospital Erasto Gaertner, auxiliando as pessoas.

Lá, o trabalho é acolher os pacientes: ouvir suas histórias, acalmar aqueles que estão iniciando o tratamento oncológico, oferecer palavras de conforto, entregar mantas, goros e cachecóis para aquecer quem acabou de fazer a quimioterapia, servir chá e alimentos.

“A ideia é fazer o paciente se sentir acolhido desde o primeiro momento, para não ter a sensação de ‘me jogaram nesse lugar aqui e não sei aonde vou’”, explica a presidente da RFCC, Ieda Regina Waydzik. Segundo ela, este trabalho requer uma escala diária de voluntárias. São duas no período da manhã e duas no período da tarde. E como a unidade do Erasto Gaertner está gradativamente aumentando o número de atendimentos – agora, por exemplo, passará a ter consultas e quimioterapias às sextas-feiras –, são necessárias mais integrantes na Rede Feminina para acolher os pacientes.

“Precisamos de mais voluntárias, porque o serviço lá é psicologicamente cansativo, porque você está em contato direto com o momento que a pessoa recebe uma má notícia, o momento que ela está super desanimada de estar tendo que submeter a tratamento médico. Às vezes, é a primeira consulta, que ela vai receber a notícia boa ou ruim; e elas conversam muito com as voluntárias, que ficam ali dando atenção e tentando acalmar as pessoas. E isso é bastante desgastante, então não é toda pessoa que se adapta”, explica Ieda.

A presidente da RFCC comenta que estes dois fatores, a rotatividade das voluntárias e o aumento do número de atendimentos, motivaram a Rede Feminina a lançar a campanha para conseguir novas voluntárias.  “A função que mais está nos fazendo falta agora é aquela voluntária que possa estar dentro do hospital”, diz.

O que é preciso para ser voluntária

Para ser voluntária há alguns requisitos, além de ter disponibilidade de pelo menos 4 horas por semana para o trabalho. A presidente da RFCC explica o que é preciso. “Primeiro é não fumar, não estar em tratamento de câncer. Muitas pessoas passam pelo tratamento de câncer e querem ajudar, mas a pessoa precisa estar uns três anos fora [sem estar em tratamento], porque senão ela sofre psicologicamente”, diz Ieda.

Ao decidir ser voluntária é preciso procurar uma funcionária do Erasto Gaertner que atua junto à RFCC, Mariane, e receber as primeiras orientações. Depois conversar com voluntárias que já atuam há mais tempo e recebe um treinamento, já no convívio com os pacientes. Nos primeiros dias, as novas voluntárias atuam em conjunto com as integrantes da RFCC para que saibam com agir.

“É um trabalho em que você se doa, tem que esquecer o teu problema para encarar o problema do outro”, lembra Ieda, que acrescenta que as voluntárias podem ser mais jovens ou mais velhas, desde que tenham vontade e disponibilidade de participar.

A Rede Feminina dá as diretrizes para que haja uma boa relação entre as voluntárias, os pacientes e a equipe técnica do hospital – médicos, enfermeiros, atendentes. “Uma coisa que não deixamos é a voluntária opinar no tratamento, não é permitido contar a própria vida para o paciente, porque ele está ali em um momento complicado, vivendo um drama e temos que orientar a voluntária nesse sentido. Também não é permitido o uso do celular”, explica a presidente da RFCC.

Voluntárias contam como é a experiência

 “A gente vem para ajudar e acaba sendo ajudada. As experiências que os pacientes passam para a gente, a força, a fé, a coragem, são muito gratificantes”, conta Marli Dwulatka, que há seis meses é voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Irati (RFCC). Ela, assim como várias outras mulheres, dedica quatro horas por semana para ir até a unidade de atendimento do Hospital Erasto Gaertner.

“Saí daqui às vezes triste, por estar vendo o sofrimento, mas ao mesmo tempo é muito gratificante porque a minha vida lá fora mudou muito. Hoje eu vivo mais serenamente e pensando que o viver é hoje”, conta.

Outra voluntária, Beatriz Sandeski Correia, atua dentro a unidade do Erasto Gaertner de Irati desde 2017, quando este braço do hospital começou a funcionar na região.  “É uma experiência muito boa. A gente aprende muito e passa a ver a vida de uma forma diferente”, relata.

Ela cita que há momentos tristes, em que a voluntária acompanha o sofrimento do paciente e momentos alegres. “Tem muitos casos de superação que você fica vibrando com a pessoa, que diz: ‘Agora estou de alta, só daqui a seis meses, para acompanhamento’. Então tem todos os lados. A gente aprende tanta coisa, daí volta para casa e pensa: ‘Nossa, às vezes você briga com o marido por picuinha... Meu Deus, o que eu estou fazendo!’”.

Outra questão marcante citada pelas duas voluntárias é ver como a fé dos pacientes os auxilia a passar pelo tratamento e se recuperar.

Segundo Marli a fé faz com que as pessoas tenham serenidade para enfrentar o câncer e o tratamento. Ela cita casos de pacientes que os médicos disseram que teriam de três a seis meses de vida, mas que já superam o que a ciência previa. “Isto faz com que a gente se emocione muito e veja que a gente tem que ajudar, na verdade não é ajudar, a gente que é ajudada”, diz a voluntária, referindo-se ao fato de a fé alterar a expectativa de vida.

Diferença entre Rede Feminina e Anapci

Fundada em 2017, na ocasião, da vinda da unidade de atendimento do Hospital Erasto Gaertner para Irati, a Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC) de Irati é composta por aproximadamente 50 mulheres voluntárias que prestam apoio emocional aos pacientes e seus acompanhantes, dentro da unidade de atendimento do Erasto Gaertner em Irati. Elas também atuam em eventos para arrecadação de recursos para auxiliar os pacientes com alimentos, fraudas, mantas, gorros, sapatinhos de tricô.

Ieda Regina Waydzik explica a diferença entre os serviços da Rede Feminina e da Associação Núcleo de Apoio ao Portador de Câncer (Anapci). “Nós [Rede Feminina], atuamos dentro do hospital, nosso trabalho é direto com o doente ali no momento do atendimento médico. A Anapci atende muito a família, atende o paciente também, no acompanhamento de psicólogo, mas a visita da Anapci acontece na casa do paciente. A diferença básica é essa”, comenta.

A Anapci oferece toda a assistência social de que as famílias de pessoas em tratamento oncológico, muitas vezes carentes, necessitam. Faz a doação de cestas básicas, acompanhamento dos filhos e parentes dos pacientes.

Como ser voluntária da Rede Feminina

Para ser voluntária é preciso não ser fumante, não estar em tratamento contra o câncer e ter disponibilidade de quatro horas semanais para trabalhar. As interessadas em atuar dentro da unidade do Erasto Gaertner oferecendo auxílio aos pacientes devem entrar em contato através do telefone (41) 99207-6894.

Texto/Fotos: Letícia Torres/Hoje Centro Sul

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