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Edição 1204 - Já nas bancas!
18/02/2020

Projeto social ajuda moradores de rua em Irati

Projeto social ajuda moradores de rua em Irati

Um projeto social em Irati vem ajudando moradores de rua com comida, roupas, recuperação de vícios e a voltarem a ter um lugar para morar. O projeto “Falta Amar” foi criado em maio de 2019 por Bruna Gomes Oliveira, 18 anos.

A ideia do projeto surgiu quando Bruna notou que várias pessoas  estavam falando sobre os moradores de rua em Irati, que sofriam por conta do frio e ninguém tomava uma atitude. “Pensei em mudar essa situação de alguma forma e comecei a postar [em redes sociais] pedindo ajuda para criar um projeto maior. Várias pessoas se interessaram e conseguimos roupas, cobertas e fazer os sopões com o patrocínio do Empório da Fruta com frutas, legumes e carne algumas vezes para ajudar essas pessoas”, disse.

O grupo cresceu e chegou reunir 15 pessoas, mas atualmente apenas cinco desenvolvem o projeto.

Moradores de rua

A primeira reação dos moradores de rua foi com receio. Isso porque, a maioria deles já sofreu agressões estando na rua. “A primeira vez que fomos visitar, eles ficaram preparados para brigar. Achamos eles em um prédio abandonado, estavam em sete. Chegamos e falamos que tínhamos trazido roupa e comida e eles agradeceram. Nos contaram que o importante para eles era a atenção que estávamos dando e não a comida. Em sua maioria, eles conseguem sobreviver de doações”, explica.

Em uma de suas experiências, Bruna explica a forte ligação que percebeu entre os moradores de rua e os animais. “Um dia conhecemos dois moradores de rua e queríamos levá-los para a Casa de Passagem, para ficar dois dias até entrar em contato com a família. Eles aceitaram ir apenas se levássemos os cachorros. Colocamos os animais dentro do automóvel e levamos para a casa de um membro do nosso grupo. À noite, o animal conseguiu pular o muro e fugiu. Quando eles ficaram sabendo que o cachorro tinha fugido, queriam sair da Casa de Passagem atrás do animal. Às vezes deixam de comer pra dar para o cachorro, quando dávamos sopa, eles pegavam um pote e davam para o animal”, conta.

Bruna explica que há um motivo forte para essa ligação. “Os moradores de rua contam que essa relação com o cachorro é porque os animais são os únicos que não abandonam eles e os animais os protegem”, conta.

Vício

Muito do abandono aconteceu pelas próprias famílias, especialmente com quem possui um vício. A desistência acontece após a família persistir ajudar a pessoa a sair do vício, porém ela não consegue.

Bruna conta o argumento de um ex-alcoólatra que morava na rua e entrou no grupo Alcoólicos Anônimos. “A família tenta internar, mas acaba desistindo, porque tenta internar e não resolve. O argumento que um ex-alcoólatra usou para a gente, foi que, quando ele tentou parar a primeira vez de usar álcool a família veio e disse que ele não iria conseguir, porém quando ele entrou para o AA [Alcoólicos Anônimos], ele encontrou pessoas que estavam passando pela mesma situação e que deram apoio, e assim, ele conseguiu se entender e se reerguer”, disse.

Segundo Bruna, através de sua experiência com o projeto, pessoas que começam a morar na rua se tornam viciadas após o contato com pessoas que já estavam viciadas na rua. “Começamos a frequentar o Alcoólicos anônimos e descobrimos que muitos que estão lá e conseguiram se recuperar já foram moradores de rua e que usavam a bebida como fuga para esquecer os problemas”, conta.

Causas

Mas afinal o que levaria pessoas a morarem nas ruas? Bruna explica que pode haver diversas causas. “Quase todos os moradores de rua que conversamos, contam que estão na rua por uma decepção amorosa. Teve um caso de um gay que a família não aceitou e foi para a rua, nisso ele conheceu outra pessoa que era dependente químico e entrou no mesmo caminho. Outro caso teve uma desilusão amorosa, não conseguiu superar e foi para a rua, pois ficou desnorteado e não sabia o que fazer”, explica.

Desde que iniciou o projeto “Falta Amar”, Bruna conta que dois moradores de rua vieram a falecer. “Um dos moradores de rua que morreu foi a Elen. Ela tinha muita convulsão e só descobrimos que ela morreu porque a família entrou em contato novamente, acreditamos que teve uma convulsão e uma parada cardíaca. O outro que morreu foi o Pedro que teve uma tuberculose”, disse.

Os moradores de rua são tranquilos segundo Bruna, porém, uma vez foi necessário contar com a ajuda da polícia. “Eles estavam na Praça da Bandeira e começaram a brigar por causa de uma mulher e uma das pessoas do projeto foi chamar para comer, eles vieram com uma faca, e o pessoal ficou todo meio assim, porque é perigoso. Daí foi chamado a polícia, porque poderia dar morte do jeito que estavam muito alterados. Quando os policiais chegaram, eles se espalharam”, explica.

A boa notícia é que é possível ver número de moradores de rua menor. “Percebemos que deu uma diminuída muito grande de moradores de rua. Fomos distribuir no final do ano a cesta de natal para eles e encontramos apenas três”, conta.

Projeto

O projeto “Falta Amar” se estendeu para famílias carentes e Bruna conta que isso foi emocionante para ela. “Começamos a atender famílias carentes, temos sete famílias fixas que ajudamos mensalmente com as cestas básicas. Para mim foi muito chocante a primeira vez que visitei a dona Tereza, ela mora sozinha, não tinha nada na casa. Muitas vezes [são doadas] só arroz, feijão, macarrão, coisas básicas que para eles é algo tão importante, foi algo que me mudou muito”, conta.

O projeto também se estendeu para as escolas com palestras sobre prevenção e atendimento durante a semana. “Temos uma psicóloga formada no projeto e começamos a fazer palestras em quatro escolas, três em Irati e uma em Fernandes Pinheiro, sobre prevenção ao suicídio aonde nós relatamos nossas experiências particulares. E foi falado sobre ansiedade e outras doenças emocionais e depois nossa psicóloga abriu espaço para fazer atendimento psicológico durante a semana”, finaliza Bruna.

Texto: Da Redação/ Hoje Centro Sul

Fotos:Divulgação e Jonas Stefanechen/Hoje Centro Sul 

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