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Edição 1183 - Já nas bancas!
29/11/2019

Ideia de construir hospital do câncer em Irati poderá ter modificações

Ideia de construir hospital do câncer em Irati poderá ter modificações

A construção de um novo hospital oncológico em Guarapuava não deverá afetar a continuação das atividades da Unidade Avançada do Hospital Erasto Gartner em Irati. É o que garantiu o superintendente do Hospital Erasto Gaertner, Adriano Rocha Lago, em reunião na última sexta-feira (22) com prefeitos, na Associação dos Municípios Centro Sul do Paraná (Amcespar), em Irati.

Segundo o superintendente, os serviços em Irati continuam os mesmos. “Não muda absolutamente nada. Tudo que é feito hoje, continua, até com a possibilidade de alguns laboratórios aumentarem”, disse.

Neste mês, o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo de Guarapuava lançou um edital para a construção do novo hospital, que contará com verbas estaduais e federais. O projeto, que custará ao todo mais de R$ 60 milhões, ainda deverá contar com a participação do Hospital Erasto Gartner, que fará a gestão da unidade.

O envolvimento do hospital de Curitiba trouxe dúvidas sobre a continuidade dos planos futuros em Irati. Na reunião, Adriano aproveitou para esclarecer essas dúvidas e contar sobre os planos para Irati.

Erasto em Irati

Somente em outubro deste ano, a Unidade Avançada do Hospital Erasto Gartner em Irati já conseguiu fazer 134 infusões quimioterápicas, tendo 300 pacientes e realizando 600 atendimentos. “Tudo que é feito em Irati para as nove cidades da 4ª Regional continua”, disse Adriano Lago.

Além disso, há planos para ampliação e integração com serviços em Curitiba. “A gente há tempos está estruturando um ambulatório de pacientes paliativos, já estamos pensando na questão de ter uma capela para poder manipular os quimioterápicos aqui e aqueles 5% que vão à Curitiba [fazer quimioterapia] fazer aqui”, explica.

Durante a reunião, o superintendente também revelou que há uma conversa para a compra de um hospital privado em Irati, mas que ainda está em fase inicial de negociação.

Atualmente, a unidade de Irati recebe cerca de R$ 200 mil mensalmente do Governo Estadual para o custeio do hospital. Adriano aproveitou a reunião para reafirmar que o recurso é essencial para o funcionamento do projeto em Irati. “O único risco que o projeto do Erasto corre é o Governo não querer mais isso”, disse.

Envolvimento com Guarapuava

O superintendente esclareceu o envolvimento do Hospital Erasto Gaertner com o novo hospital em Guarapuava, que pertencente ao Hospital São Vicente. O papel do Erasto será cuidar do gerenciamento das equipes de saúde e dos equipamentos. “A contratação dos colaboradores, o atendimento multiprofissional, o atendimento médico, a manutenção e a operação de todo e qualquer equipamento, tudo isso é como se fosse o hospital em Curitiba. Ele é uma marca, é uma gestão do Erasto, mas em parceria com o Hospital São Vicente”, disse.

Segundo ele, essa gestão poderá facilitar o atendimento de pacientes da 4ª Regional, porque será utilizado o mesmo sistema que se usa em Irati e Curitiba. “O que vai facilitar muito porque o prontuário do paciente vai ser o mesmo, porque o sistema é nosso, os médicos, os protocolos, a forma de ter a linha de cuidado do paciente é o mesmo, haja vista que todos os pacientes colocam para a gente que o que acontece em Irati é o mesmo que acontece em Curitiba ou o mesmo que acontece em Curitiba acontece em Irati. É isso que queremos para o projeto de Guarapuava”, conta.

Mudança do projeto

O superintendente admite que o projeto de construir um hospital do câncer em Irati poderá sofrer remodelações. Ele explica que o posicionamento do Erasto é esperar o que será feito em Guarapuava, para então se pensar no projeto em Irati. “A partir do momento que funcionar Guarapuava é que a gente vai ver que oferta de serviço nós podemos levar para lá, sem criar uma demanda repetitiva aqui”, disse.

Um dos itens que podem ser revistos será a radioterapia. O projeto original em Irati previa que essa modalidade de tratamento fosse ofertada, porém o hospital de Guarapuava deverá ofertar a radioterapia.

Na reunião, Adriano explicou que atualmente há duas maneiras em que se obtém esse tipo de equipamento: uma privada, que custa em torno de R$ 10 milhões, e outra através do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS (PER/SUS), do Ministério da Saúde, que prevê a aquisição de mais de 80 equipamentos com recursos federais para hospitais brasileiros. Segundo ele, o Ministério da Saúde já estaria em processo licitatório para a aquisição de um equipamento para Guarapuava e isso poderá dificultar um processo similar para Irati.

Essa parte do projeto poderá ser um dos pontos revistos e a hipótese de que o tratamento seja em Guarapuava já é analisada, mas não confirmada. “Talvez o primeiro e talvez um dos mais importantes porque é um investimento de alto custo, muito próximo de R$ 10 milhões, e é algo estritamente estratégico que é a radioterapia. Vemos um grande potencial dos pacientes da 4ª Regional viajarem só 90 km  - alguns, dependendo da cidade, viajam menos do que isso do que fazer em Irati  -  e evitar o transtorno de Curitiba. Curitiba, além de ter mais quilometragem, não podemos esquecer que o acesso à cidade e saída da cidade, às vezes, demora mais que o próprio deslocamento. Isso não acontece em Guarapuava”, frisa.

O presidente da Amcespar, Júnior Benato, destacou que os prefeitos estão trabalhando para que os serviços sejam ofertados. “O que estamos pleiteando com o Governo do Paraná é que os tratamentos mais especializados, como a radioterapia ou cirurgias oncológicas, sejam feitos procedimentos também aqui em Irati. Claro que não queremos entrar em conflito com o hospital de referência de Guarapuava, mas nós queremos que o hospital de Irati, da nossa 4ª Regional, da Amcespar”, disse.

Presenças

Compareceram na reunião, o prefeito de Inácio Martins e presidente da Amcespar, Júnior Benato; de Irati, Jorge Derbli; de Fernandes Pinheiro, Cleonice Schuck; de Mallet, Moacir Alfredo Szinvelski; de Rebouças, Luiz Zak; de Teixeira Soares, Lula Thomaz;  e de Imbituva, Bertoldo Rover. Além de representantes e secretários dos municípios.

Cuidados paliativos

No próximo ano, o Hospital Erasto Gaertner em Curitiba deverá inaugurar um hospital para cuidados paliativos, isto é, cuidados especializados para pacientes que não tem mais possibilidades de cura. “É um hospital pequeno, de baixa complexidade, onde os pacientes que não tem como tratar o câncer, mas a gente precisa tratar dele [paciente], da família, dar qualidade de vida, ele se sentir bem. Nós vamos ter uma estrutura para atender cerca de 800 pacientes por mês, 13 quartos com 26 leitos. Todo esse projeto ficará disponível para os pacientes da 4ª Regional”, conta.

A expectativa é que se possa trazer um pouco deste trabalho para Irati. “Lógico, nem tudo conseguiremos fazer, mas queremos ampliar essa linha de cuidado desses pacientes também na unidade de Irati”, relata.

Consultas

Recentemente, algumas filas para consultas especializadas para a 4ª Regional de Saúde aumentaram devido a divergências entre Governo Estadual e Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. “Desde o começo do ano nós vínhamos enfrentando uma dificuldade nos atendimento oncológicos da nossa região. E Curitiba, único município do estado do Paraná que tem uma gestão plena na saúde, resolveu de trancar o sistema dela que é o E-saúde, e com isso não pudemos acessar a saúde na parte oncológica aqui da nossa regional. Claro que fizemos uma intervenção já na primeira reunião da Amcespar a respeito disso, novamente Curitiba tornou a abrir durante um período ali de mais ou menos de quatro, cinco meses, até a pouco tempo atrás, que acabou fechando de novo. Fomos conversar com o novo governo, com o próprio secretário Beto Preto, da Saúde, para que normatizasse uma coisa, que desse um norte, porque não podemos ficar nessa instabilidade”, disse o presidente da Amcespar, Júnior Benato.

Segundo ele, a situação já está resolvida. “Hoje tivemos a grata satisfação de receber o diretor geral do Erasto dizendo que foi normatizado, inclusive com ação do Ministério Público”, disse.

Construção do hospital em Guarapuava

Atualmente, o Hospital São Vicente de Paulo, em Guarapuava, já possui uma ala no hospital para o tratamento de quimioterapia, que atende mais de mil pacientes. Para expandir os serviços, uma nova unidade do hospital sendo edificada em outra área do município de Guarapuava, na Cidade dos Lagos. A nova unidade hospitalar está sendo construída em três partes: o setor de quimioterapia (que está quase concluído), uma parte com a radioterapia e outra com os leitos, ambulatórios, UTI e demais serviços.

Texto/Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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