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Edição 1183 - Já nas bancas!
28/11/2019

Semana da Consciência Negra é marcada por eventos em Irati

Semana da Consciência Negra é marcada por eventos em Irati

Em Irati, a Semana da Consciência Negra foi marcada por palestras e conscientização em escolas e universidades neste mês de novembro. Dentre as instituições que discutiram o tema, a Universidade Estadual do Centro Oeste, Unicentro, e o Centro Estadual Presidente Costa e Silva, Colégio Florestal.

O preconceito étnico e cultural foi um dos principais aspectos de debate. De acordo com a professora Silvana Bello, do Colégio Florestal, faz parte das diretrizes da educação no Paraná que todo ano as escolas estaduais definam equipes multidisciplinares para tratar sobre preconceito.

 “Formamos equipes para debater esses assuntos com os alunos, procurando diminuir o preconceito. Não só o preconceito racial contra o negro, mas também contra o indígena. Toda escola vai ter sua equipe que faz seu plano de ação”, disse.

Uma das palestrantes foi a professora Jucelly Sheila Chaves, que contou aos alunos sua experiência após fazer 12 dias de registro na aldeia indígena Rio d’Areia, em Inácio Martins, para a sua formação. “Eu participei ativamente das atividades da comunidade, fiz trabalho comunitário”, conta. Ela cita que em uma das experiências foi acompanhar o irmão do cacique na retirada da erva-mate, principal fonte de renda da aldeia.  

Ao mostrar fotos da aldeia indígena aos seus alunos de Gonçalves Júnior falou para eles sobre a dificuldade da extração de erva-mate. “Um dos alunos me disse: ‘Difícil não é isso professora, difícil é o teu tralhado. Esse trabalho eu não queria [ser professora]’. Veja como somos cheios desses pré-conceitos, eu achava uma grande dificuldade porque não é do meu cotidiano, não faz parte da minha vida, mas para eles é um trabalho simples”, explica. 

Comunidades quilombolas também sofrem com o preconceito. Evelyn Strassmann, que veio de Curitiba para representar o Incra falou sobre o tema. Segundo ela, uma das dificuldades é a regularização dos territórios. “Uma comunidade que vive à margem da sociedade, em um estado de extrema pobreza, como vai  ter acesso à escola, saúde, vacinação e campanhas? Como vão saber que eles têm direito a regularizar o território deles? O Estado tem que levar ao público alvo – nesse caso os quilombolas – a informação. Muitas vezes a informação não chega pela precariedade desses povos, que não tem comunicação. O Incra tem alguns trabalhos que eles vão a campo buscar onde possa existir essas comunidades”, disse.

Novembro Negro

Já a Unicentro realizou o Novembro Negro, com diversas programações ao longo do mês. Uma das primeiras foram mesas-redondas, onde se discutiu sobre relações raciais - uma sobre dominação e resistência e outra abordando a urgência da educação antirracista. O evento integrou o projeto "Conhecendo a cultura afro-brasileira", do Coletivo Teresa de Benguela de Irati.

A Unicentro também foi palco do VI Sarau Cultural Afro-Brasileiro que trouxe a peça Negro Não Nego, onde as atrizes e os atores contam a história de resistência do povo afro-brasileiro desde o período colonial no Brasil. O dia ainda contou com exposição sobre mulheres negras de luta do Sul do Brasil e outra sobre o cotidiano e arquitetura nos terreiros de Irati.

Outra programação foi o Cine Afro, que exibiu o filme American Son, com um debate posteriormente com os participantes da atividade em alusão ao Dia da Consciência Negra.

Texto: Da Redação/ Hoje Centro Sul

Fotos: Jonas Stefanechen/ Hoje Centro Sul

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