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Edição 1183 - Já nas bancas!
20/11/2019

Editorial - Diferentes visões de mundo

Editorial - Diferentes visões de mundo

O território que hoje chamamos como Brasil já era ocupado por seres humanos muito antes de Pedro Álvares Cabral chegar ao litoral. A descoberta do fóssil Luzia, em Minas Gerais, mostra que há mais de 12 mil anos já havia a circulação de seres humanos na região.

Nas Américas, civilizações antigas como a Maia, no México, ou os Incas, na região do Peru à Argentina, mostram que povoados já possuíam conhecimentos avançados e acabaram deixando para trás verdadeiros monumentos que existem até os dias de hoje.

No Brasil, as tribos indígenas tinham costumes e culturas diferentes, além de serem nômades e seminômades, sobrevivendo da caça, da pesca, do extrativismo e da agricultura. Na época em que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, estima-se que três milhões de índios viviam no território. Em 2010, último ano de contagem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número era de quase 900 mil índios.

Nos últimos anos, diversas ações foram feitas para recuperar e continuar a preservar a história e cultura desses povos. Um dos marcos foi a Constituição Brasileira de 1988 que assegurou diversos direitos aos índios. Hoje, índios têm acesso à educação e principalmente às ações que ajudam a preservar a cultura e tradições dos povos, como o ensino das línguas nativas.

Contudo, o povo indígena ainda tem o desafio de conviver entre as diferentes visões de mundo. Diferente do mundo europeu, que acabou tendo seu modelo cultural implementado no país, o mundo indígena tem costumes e visões diferentes de organização, comportamento e modos de ser. Por não terem grandes populações numa só aldeia, se organizam coletivamente e não há classes sociais como em grandes cidades. Crianças aprendem na prática, observando o que os pais e os adultos fazem.

Com visões diferentes, conflitos ocorrem e a sociedade precisa se preparar com informações. Os agentes do poder público de Irati, por exemplo, foram em buscam de capacitações para saber como gerenciar iniciativas para garantir que tanto a cultura indígena quanto outros direitos e deveres sejam preservados. É preciso balancear as duas realidades e tentar chegar a um acordo comum para que a vivência de todos seja pacífica.

A população também pode ajudar buscando mais informações e tentando entender como funcionam esses povos. Essa aproximação pode evitar conflitos, que muitas vezes escalam a situações mais drásticas por desconhecimento e estranheza de visões de mundo diferentes.