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Edição 1178 - Já nas bancas!
27/06/2019

Editorial - É o momento de encontrar alternativas

Editorial - É o momento de encontrar alternativas

A agricultura no Brasil se tornou o principal setor da economia no país, trazendo resultados positivos até em momentos em que a economia estava em recessão. Junto a esse contexto, muitas tecnologias foram desenvolvidas e aplicadas no campo, com o objetivo de aumentar cada vez mais a produção e a rentabilidade das lavouras brasileiras.

Uma das tecnologias que se espalharam a todo o tipo de agricultores foi o do agrotóxico, ou como também é conhecido, os defensivos agrícolas. Os mais variados tipos de agrotóxicos são usados nas lavouras, sejam elas pequenas, médias ou grandes.

Contudo, a quantidade de uso de agrotóxicos e a necessidade do uso têm sido discutidas nos últimos anos. O Brasil é um dos que mais usa agrotóxico no mundo e o aumento de casos de câncer em zonas rurais, além de efeitos no meio ambiente, reacenderam o debate a favor ou contra o uso de agrotóxicos.

Quem é a favor, destaca que os problemas surgem quando o agrotóxico é mal usado, não respeitando a quantidade e o modo de aplicação do produto. Já quem é contra, destaca que mesmo o uso correto do produto não evita a contaminação, e o produto pode contaminar alimentos, água, ar e consequentemente, as pessoas.

Apesar de não ter uma pesquisa definitiva que relacione os agrotóxicos ao câncer, muitas pesquisas tem agitado o mundo trazendo desde condenações judiciais a proibição no território.

Nos Estados Unidos, em maio, a empresa Monsanto foi condenada a pagar U$ 2 bilhões de indenização, já que um júri entendeu que o produto Roundup - que é feito a base de glifosato, um dos agrotóxicos mais utilizados no Brasil – foi o causador de câncer dos agricultores que processavam a empresa. A empresa ainda pode recorrer da decisão, mas essa é a terceira condenação desde o ano passado. Em agosto de 2018, um jardineiro venceu um processo fazendo a mesma acusação e no final de março, a empresa foi condenada a pagar U$ 80 milhões para um agricultor de 70 anos.

Há dois anos, a decisão da França de proibir o uso do glifosato a partir de 2020, depois de uma pesquisa demonstrar que há contaminação de alimentos, gerou revolta em agricultores que protestaram da decisão. O governou recuou e decidiu promover o fim do uso, estimulando produtos alternativos.

A discussão do uso de agrotóxicos coincide com um momento no planeta onde estamos revendo nossos processos de produção. Cada vez mais as palavras desenvolvimento sustentável e sustentabilidade estão no vocabulário de países desenvolvidos que já estimulam ações para diminuir poluição, promover cuidados com ecossistemas e melhorias na qualidade de vida.

No Brasil, o momento é de tentar entender o que os dados nos mostram e encontrar cenários possíveis para que agricultores não sejam vítimas de seus próprios meios de produção. É preciso que o poder público olhe com seriedade nesse momento e também promova meios para que novas alternativas sejam viáveis aos agricultores, que são os mais atingidos por essa questão.