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Edição 1163 - Já nas bancas!
17/06/2019

Editorial - É preciso pensar na macroestrutura para avançar

Editorial - É preciso pensar na macroestrutura para avançar

Os índices da educação no Paraná mostram que o estado tem avançado, mas que ainda há lacunas a serem preenchidas na realidade paranaense.

Um dos dados é sobre a infraestrutura, que mostra avanços, mas também mostra deficiências nas escolas estaduais. Nos dados do Censo Escolar, feito pelo Ministério da Educação, mostram que as escolas estaduais têmacesso ao básico como energia e água em quase sua totalidade e acesso às bibliotecas em 91% das escolas. Contudo, os mesmos dados mostram que apenas 51% das escolas possuem refeitório e 44% possuem retroprojetor. Já outros dados da mesma pesquisa mostram avanços, mas que ainda não são totalmente abrangentes. É o caso dos laboratórios de informática, onde 86% das escolas estaduais possuem. A pesquisa também mostra dados das escolas municipais do Paraná que trazem uma realidade pior do que a estadual.

Outro índice que também pode ser levado em consideração é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O último dado foi divulgado ano passado e é referente à prova aplicada em 2017. Nos dados, o Paraná repete um cenário parecido com o restante do país: conseguiu melhorar nos anos iniciais, mas nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio ainda apresenta dados preocupantes.

Nos anos iniciais, o Paraná ultrapassou a meta estipulada no Ideb ficando com 6,5. A nota mostra uma grande evolução desde 2005, quando o estado estava com uma nota de 4,6. No entanto, esse cenário começa a mudar quando falamos das demais séries. Nos anos finais do Ensino Fundamental, o estado ficou abaixo da meta ficando com apenas 4,9. Já no Ensino Médio o resultado é pior. Divulgado pela primeira vez no índice, o Ideb do Ensino Médio paranaense ficou em 4,0, um ponto abaixo da meta estipulada.

Os índices trazem interrogações: por que o bom resultado não continua nos demais anos? A infraestrutura interfere? Se sim, por que os melhores resultados estão nos anos iniciais, que são em sua maioria de responsabilidade de escolas municipais, que têm infraestrutura pior, e não nos anos finais, que são de responsabilidade de escolas estaduais?

No entanto, ao invés desses questionamentos, o que está em voga na discussão do Paraná nas últimas semanas é o Projeto Escola Sem Partido. Um dos principais atos do projeto é fixar um cartaz com deveres do professor. No projeto, a justificativa é para evitar que a audiência cativa dos alunos seja usada para manipulações políticas, ideológicas, morais e religiosas.

Apesar de muitos acreditarem que essa é a solução milagrosa da educação, o projeto nada mais quer criar uma lei para resolver complexos conflitos humanos que ocorrem dentro das escolas. A ética do professor pode ser discutida, mas há instâncias e há meios mais eficazes do que simplesmente criar uma lei. Esses meios envolvem diálogo com professores e núcleos regionais, mas é algo muito distante se pensarmos na nossa sociedade atual.

Mesmo assim, a resolução desses conflitos soluciona micro problemas de relacionamento e não o macro problema atual da educação brasileira. Ano a ano, conseguimos avançar em um lugar e não no outro. Há projetos bons, mas localizados em poucas regiões. Enquanto isso, não há discussões pensando em um projeto macro de educação, com ações, metas e projetos bem definidos. É preciso pensarmos macro se quisermos avançar.