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Edição 1158 - Já nas bancas!
11/06/2019

Com o frio, aumenta procura por serviços médicos no Pronto Atendimento 24 horas

Com o frio, aumenta procura por serviços médicos no Pronto Atendimento 24 horas

O inverno começa apenas no dia 21 de junho, mas as temperaturas já estão baixas há vários dias e a procura por atendimento médico aumentou, sobretudo na saúde pública.

Segundo o médico Eduardo Bento, crianças e idosos são os que mais procuram o Pronto Atendimento Municipal de Irati nesta época. “Toda segunda-feira estamos atendendo mais de 100 pessoas em um período de 12 horas”, disse.

Muitos procuram o serviço mesmo não sendo casos de emergência ou urgência. O médico orienta quando as pessoas devem ir ao Pronto Atendimento e quando devem procurar à Unidade Básica de Saúde mais próxima de suas casas.

Eduardo Bento esclarece que as pessoas precisam ir ao Pronto Atendimento quando estiverem com sintomas como “febre alta, queda do estado geral, quando a pessoa começa a ficar bem caída, ficar só de cama, ter secreção purulenta, tanto na tosse quanto na coriza”. Ele também destaca os sintomas de problemas menos graves, em que não é preciso ir ao Pronto Atendimento. “Febra baixa, dor de cabeça, dor articular são sintomas gripais e a pessoa podeprocurar uma Unidade Básica de Saúde”, explica.

O médico comenta que uma gripe demora de cinco a dez dias em um paciente normal e que se deve procurar o atendimento primeiro nas unidades básicas de saúde, especialmente em casos mais brandos, já que o paciente possui mais condições de esperar. Contudo, há situações em que a pessoa possui sintomas brandos no momento de marcar a consulta, mas quando volta para a realização da consulta, os sintomas se agravam.

Nesses casos, o médico explica que há encaminhamento para o Pronto Atendimento. “A pessoa tem que procurar a unidade básica de saúde, depois dali ela vai ser encaminhada ao Pronto Atendimento. Lógico que tem algumas coisas que não vai ter tempo de irlá. Vamos supor uma hipertensão, uma pressão alta como é popularmente conhecida, pode ir direto ao Pronto Atendimento, que isso se enquadra no critério de atendimento um pouco mais rápido”, disse.

Outra situação é quando a equipe de saúde consegue verificar sintomas agudos no paciente assim que ele chega à unidade. Nesses casos, ele deve ser encaminhado diretamente ao Pronto Atendimento. “Se a pessoa procurar ela vai receber a orientação: ‘Você pode ir para o Pronto Atendimento’. Até eles mesmo fazem o contato conosco: ‘Estamos encaminhando um paciente um pouco mais grave’. O paciente já chega com o encaminhamento da Unidade Básica de Saúde e sabendo o critério de gravidade, já vai ser atendido conforme a estratificação de risco”, explica.

Uso errado gera transtornos

Para o médico, a busca pelo Pronto Atendimento sem sintomas agudos é a razão para a demora nos atendimentos. “Hoje em dia o Pronto Atendimento está sobrecarregado pelas pessoas não terem esse conhecimento, saber para o que procurar o ProntoAtendimento e para o que procurar a Unidade Básica de Saúde. Com a conscientização da população nós conseguiremos sanar alguns problemas. Sobrecarrega o serviço, porque são coisas que não são de cunho do Pronto Atendimento e as pessoas que precisam, acabam esperando um pouco mais devido à grande procura”, disse.

No Pronto Atendimento, ele explica que o paciente é classificado de acordo com o risco. “O paciente chega e é triado pela equipe de enfermagem. Ele é classificado por uma estratificação de risco, chamada estratificação de risco de Manchester. Então, ele entra no risco de gravidade e ele vai ser atendido conforme a necessidade”, afirma.

Aestratificação de risco de Manchester usa cores para classificar a urgência de atendimento dos pacientes, e levaem consideração os sintomas apresentados no momento, bem como algum histórico médico que pode interferir nos sintomas.

De maneira geral, as cores mostram à equipe quem deve ser atendido primeiro e quanto tempo um paciente pode esperar. Nos casos da cor vermelha, o atendimento deve ser imediato, sem esperar. Na laranja, o atendimento é muito urgente, mas o paciente pode esperar até 10 minutos. No caso do amarelo, a situação é urgente, mas pode esperar até 60 minutos para o atendimento. Já no caso do verde, há pouca urgência e o paciente pode aguardar até 120 minutos (2 horas) ou até mesmo ser encaminhado para outros serviços. No caso da classificação azul, não há urgência e o atendimento pode esperar até 240 minutos (4 horas), ou ser encaminhado para outros serviços.

Doenças respiratórias

O médico explica que as doenças respiratórias, que são as mais comuns com o frio,podem ser divididas em dois tipos: a das vias aéreas superiores e das vias aéreas inferiores. “Das vias aéreas superiores é a própria gripe, sinusite, faringite, otitite. A das vias aéreas inferiores pega a parte pulmonar, a pneumonia, bronquiolite, bronquite, asma, essas são doenças da via aérea inferior”, disse.

Há casos ainda que a pessoa já possui alguma doença, e a chegada do inverno traz mais complicações. “As pessoas tabagistas, pessoas que mexem muito com fogão à lenha e mexem com agrotóxico, se encontram em outro tipo de patologia que é a doença pulmonar obstrutiva crônica. Isso é uma doença a longa data.Nessa época elas descompensam, elas começam a ter um pouco mais de outras doenças associadas ao que ela já tem. Vamos supor que ela tem enfisema pulmonar - que isso já é um problema a longadata- , ela pega uma gripe, acaba descompensando, então essa pessoa pode estar procurando o Pronto Atendimento. Porque ela vai descompensar e desacerbar a doença que ela tem”, explica.

O frio ainda deve trazer atenção quanto a problemas cardíacos. “Nesse frio, a tendência de pessoas com problemas cardíacos aumenta. Devido ao fato de não estarem fazendo atividades do cotidiano, estando mais acamadas, acabam evoluindo casos de infarto. Aumenta o número de casos de infarto no inverno”, disse.

Prevenção

A prevenção é uma das principais ferramentas para enfrentar o inverno de forma saudável. O médico Eduardo Bento destaca que a prevenção envolve os cuidados básicos conhecidos por todos. “É sempre estar lavando as mãos, evitar grande aglomerado de pessoas. Sei que é difícil, mas tentar evitar ao máximo”, aconselha.

Outro fator importante para esta época é a hidratação. “Tomar bastante líquido é o principal cuidado que a pessoa deve ter, mesmo nessa época do frio. Nós brasileiros não temos o costume de tomar tanta água, principalmente quem é da região Sul. Tomar quanto mais água, melhor. Quanto mais hidratação, é melhor. Sucos naturais ajudam bastante. Direto da fruta, não os sucos enlatados”, disse. Ele ainda destaca que é importante manter uma alimentação saudável.

Além da prevenção, são necessários cuidados para evitar a contaminação entre pessoas. “Sempre passar álcool gel. É importante porque sempre vai estar cumprimentando alguém e o vírus da gripe é transmitido pelo contato aéreo, tanto pelas mãos quanto gotículas de saliva, então enquanto estamos conversando, estamos eliminando gotículas de saliva, e isso pode estar passando um para o outro”, explica.

Gripe: Quando procurar?

Sintomas

Pronto Atendimento

Unidade Básica de Saúde

Febre

Febre alta (acima de 39° a 41° em adultos).

Febre baixa (37,6° a 39°).

Dor do corpo e articulações

Quando o paciente não consegue sair da cama e realizar tarefas cotidianas.

Quando o paciente possui dores, mas consegue sair da cama e realizar tarefas, mesmo com dificuldade.

Dor de cabeça

Dor aguda.

Há dor de cabeça, mas ainda é possível realizar tarefas.

Tosse

Repetida e intensa, acompanhada por secreção.

Pode estar acompanhada por secreção, mas não é muito intensa.

Dor de garganta

Aguda.

Leve.

Gripe normal X H1N1

A gripe conhecida por todos é causada pelo vírus Influenza. Esse vírus é dividido em três tipos principais: A, B ou C, que por sua vez, possuem subtipos. A gripe H1N1, como é popularmente conhecida, é um subtipo da Influenza A.

Mas é pela intensidade dos sintomas que as pessoas podem suspeitar se é uma gripe comum. “Os sintomas de uma gripe normal são febre baixa, dor de cabeça, coriza, coloração bem clara, parecendo uma água que saia do nariz, dor de garganta, um pouco de queda do estado geral, mas bem pouco. Você não vai ter ânimo para fazer as coisas, mas você vai conseguir”, disse.

Em uma situação mais grave, como a H1N1, os sintomas são muito mais fortes. “NaH1N1 são quase os mesmos sintomas, mas mais grave. É uma febre alta, que não melhora com medicação, queda do estado geral, você não sai da cama, não tem forças para nada, uma dor de cabeça com mais intensidade, uma tosse mais carregada, uma tosse mais produtiva, esses são os sintomas da H1N1”, disse.

A certeza do diagnóstico é feita com exames, que podem demorar. Por isso, a orientação é que as pessoas procurem o atendimento médico o mais breve possível.

Texto: Karin Franco

Foto: Pixabay,  Jonas Stefanechen/Hoje Centro Sul

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