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Edição 1163 - Já nas bancas!
29/05/2019

Segurança na Internet: como se proteger de golpes?

Pode ser fácil cair em um golpe na internet. Especialistas ensinam como perceber esses golpes e como se proteger

Segurança na Internet: como se proteger de golpes?

Atualmente, a maioria das pessoas possui acesso a algum tipo de tecnologia, como o celular ou o computador. Seja no trabalho ou em casa, a tecnologia deixa mais produtivo o dia a dia das pessoas. No entanto, essa tecnologia pode esconder um lado obscuro, que envolve, por exemplo, os crimes realizados pela internet.

Conhecidas como cibercriminosas, pessoas com intenções maliciosas podem invadir celulares e computadores, tendo acesso às informações pessoais e as roubando para conseguir ter vantagens financeiras.

O acesso à informação pode ser muito fácil. O jornal Hoje Centro Sul conversou com um hacker que reside na região e demonstrou como consegue ter acesso a informações pessoais como RG, CPF, senhas de redes sociais e também números de cartões de crédito.

O método utilizado por esse hacker se denomina phishing, uma técnica de fraude online para roubar informações através dos erros das vítimas. “Ophishingé a forma mais usada. Entrar no perfil da rede social e descobrir o que a pessoa gosta é o primeiro passo. Criar um anúncio que chame a atenção e faça a pessoa clicar na página é o segundo passo. O último passo éobrigar a pessoa a fazer um login. Com isso você acessa as informações que queria e a pessoa nem percebe que caiu em um golpe”, disse.

Criando uma página falsa, o hacker sugere que a vítima utilize uma rede social para participar de um sorteio. Obviamente o sorteio nunca acontecerá e provavelmente nem será lembrado pela vítima. “A forma que eu mais uso é criar um sorteio no site, que não serve para nada, valendo o que a pessoa gosta. Crio um cadastro com as informações que preciso, a pessoa cadastra uma senha, você vai noFacebook testar a senha, é a mesma que ela colocou no cadastro. É muito simples. O sorteio nunca existe e a pessoa até esquece que participou, pois colocando para daqui três meses ninguém vai lembrar”, conta.

As redes de wi-fi públicas também são um meio fácil de obter informações. “Através de um aplicativo eu posso desativar e fazer uma cópia daquela rede, apagando a original. Deixando apenas a rede criada por mim, quando a pessoa entra através de check-in (termo utilizado para verificação de conta), passa todas as informações de conta do celular”, explica.

Como se proteger?

O desenvolvedor de web, Adriano Luis Lopes da Silva, explica que a melhor forma de se proteger na internet é pensando de maneira lógica. “Os hackers trabalham em cima do erro. Se a pessoa se tocar que não há necessidade, ela não vai fazer. Lógico que isso é uma coisa que muitas vezes não se percebe, não é comentado, ninguém conversa sobre isso”, disse.

Adriano cita que as formas de perceber um golpe são visíveis, se nos tornarmos atentos a alguns fatores. “Ao entrar no Facebook, por exemplo, e depois em site de terceiros, esse site pede para você entrar no Facebook novamente, é uma página estranha. Isso pode ser uma tentativa de estar capturando seu login e senha dentro da plataforma desse hacker. Tem que pensar logicamente: se eu já entrei uma vez, porque vou entrar de volta?O Facebook é uma plataforma universal, as ferramentas de desenvolvimento já identificam automaticamente se você já entrou ou não no seu perfil, vincula automaticamente. Não precisa fazer login duas vezes”, conta.

A lógica é citada também pelo professor do eixo tecnológico de informática do Instituto Federal do Paraná (IFPR), Arlindo LuisMarcon Junior. “Os mesmos cuidados que você tem no mundo real, tenha na internet. Se você não conversa com pessoas desconhecidas, não converse com pessoas desconhecidas na internet. Se no mundo real você não paga em estabelecimentos que você não confia, porque deve fazer na internet? O mesmo cuidado que você tem no mundo real você tem que ter mais no mundo virtual”, comenta. 

Outro ponto é estar atento aos sites duvidosos e sua credibilidade, já que muitos hackers clonam páginas. “Temos vários fatores de identificação. Quando você entra em uma página no topo aonde tem o link do site, vai ter o cadeado que sempre mostra pelo navegador, clicando nele vai abrir um menu e você clica em certificados. Vai estar escrito quem assinou, se tiver a assinatura é seguro. Caso contrário, é fraude”, disse o desenvolvedor.

Um método de saber se é uma página falsa é verificar quem a criou. Um site chamado Whois.com mostra quem registrou o site. Adriano explica como usar corretamente: “Nesse site você vai pegar o primeiro bloco[do endereço] até ‘.com’ e vai jogar dentro desse buscador. Ele vai mostrar todas as informações de quem é o dono daquele domínio publico, é uma forma fácil de identificar se tem credibilidade. E não existe a possibilidade de hackear esse método por ser um registro público”. No caso de sites terminados em .com.br o site recomendado é registro.br/2/whois.

O professor do IFPR conta que ter softwares originais é outra forma de estar se protegendo. “Algumas precauções básicas como ter softwares originais e manter ele atualizado, verificar diariamente. Ter um bom antivírus e sempre evitar programas crackeados. É uma boa forma de se proteger”, disse.

Apesar de ser um investimento caro e de pouca procura, o professor diz que as pessoas deveriam dar mais importância para a segurança de sua informação. “Comprar algo originalnesse caso não é gasto e sim investimento. Está se livrando de problemas que pode ter futuramente. Por exemplo, pagamos seguro de carrocom a intenção de não usar. Pago para não correr o risco de ter que investir futuramente para recuperar o que perdi. Na internet é a mesma coisa”, explica.

Acessar redes públicas de internet através de verificação de conta também pode ser uma armadilha. “Acessar internet em rede pública, apesar de ser muito tentador não gastar os dados móveis, tente evitar o máximo esse tipo de coisa. É muito fácil criar uma rede de wi-fi em local público e capturar todas as informações que passam por essa rede. É como uma conversa. No meio do caminho pode ter alguém escutando, alguém atrás da porta. É basicamente o que acontece entre um dispositivo e um ponto de wi-fi”, diz o professor.

Senhas

Outro ponto de segurança é tentar elaborar senhas mais difíceis. Informações públicas como nome e nome de familiares são senhas muito fáceis. Além disso, o uso da mesma senha em diferentes redes sociais não é aconselhável.

Segundo o professor Arlindo, o uso de sinais como pontos de interrogação, exclamação ou jogo da velha podem ajudar. “Evite coisas triviais ligadas a você, qualquer coisa conhecida. Crie uma senha própria e particular que inclua caracteres especiais, tente criar uma senha difícil e complicada. Não use a mesma senha para diferentes sites e contas. Se a pessoa descobre a senha do Facebook, por exemplo, se você está utilizando a mesma senha no e-mail automaticamente você perdeu o controle de tudo. Troque as senhas frequentemente. A maioria das pessoas mantém a mesma senha por anos ou para o resto da vida”, reforça.

Popularidade

Dentre os problemas ao usar as redes sociais, estão as tentativas de muitos de se tornarem populares. O conselho é evitar adicionar pessoas desconhecidas. “Não vá atrás de número de seguidores. Essa imagem de quanto mais seguidores eu tenho mais conhecido e importante eu sou, não é válida no mundo real. É fictício, não existe”, disse o professor do IFPR.

É seguro comprar na internet?

O desenvolvedor de web, Adriano Luis Lopes da Silva, conta que dentro da internet existem plataformas que possibilitam ter segurança. O ponto é analisar e identificar a credibilidade. “Plataformas como PagSeguro, PayPal, MercadoLivre, entre outras. Todas tem mecanismos e políticas de segurança para cuidar que quando você está digitando o cartão ninguém vai conseguir capturar aquilo. Depois que você digita a sua senha, eles não vão interferir no processo de homologação do cartão que é junto com a empresa credora. Quando você digita vai direto para a empresa do cartão, não passa por outros meios”,  explica.

Texto: Karin Franco e Jonas Stefanechen/Hoje Centro Sul

Fotos: Jonas Stefanechen/Hoje Centro Sul

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