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Edição 1163 - Já nas bancas!
24/05/2019

Paraná se prepara para o fim da vacinação contra febre aftosa

Paraná se prepara para o fim da vacinação contra febre aftosa

A campanha de vacinação contra a febre aftosa, realizada neste mês de maio, poderá ser a última a ser feita no Paraná. Isso porque o estado está em processo de se declarar livre da febre aftosa sem a necessidade de vacinar o rebanho. A Secretaria Estadual de Agriculturae do Abastecimento (Seab) estima que o novo status do Paraná irátrazer mais rendimento ao setor da agropecuária no estado.

“Temos boas condições técnicas para garantir a defesa agropecuária do estado e, com a suspensão, temos a possibilidade concreta de entrar nos melhores mercados de proteínas animais", disse o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, no primeiro fórum “Paraná livre de febre aftosa sem vacinação”, em Paranavaí, na última semana.

Na região, um desses fóruns aconteceu nesta terça-feira (21), em Guarapuava, onde a equipe da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) de Irati esteve presente. No evento, foram discutidos os passos que ocorrem após a liberação da vacina e também os benefícios que a liberação trará ao setor.

Campanha

Apesar de a liberação da vacinação estar muito próxima, o Paraná precisa ainda preencher alguns requisitos para conseguir esse novo status. Um deles é que esta última campanha, visando animais de 0 a 24 meses, precisa ter o máximo de participação dos agricultores.

“Tem que ter um ótimo resultado nessa campanha. Apesar de que esta campanha seja só de 0 a 24 meses, mas tem que ser vacinado praticamente 100% dessa categoria. Todo mundo que tem nessa categoria de animal tem que fazer sua parte”, disse Cristina Barra do Amaral Bittencourt, médica-veterinária da Adapar de Irati.

A campanha vai até 31 de maio e os agentes da Adapar têm fiscalizado tanto as propriedades como as clínicas veterinárias que vendem a vacina. A compra, transporte e aplicação da vacina é de responsabilidade do produtor, que precisa apresentar a documentação para a Adapar.

“Além de vacinar, eles têm que anotar a categoria de animais existentes e animais vacinados. Então por idade, de 0 a 12 meses, de 13 a 24, de 25 a 36, e com mais de 36, e por sexo. Eles têm que preencher o comprovante de vacinação, ou eles podem trazer [na Adapar] assinado ou anotado já, as categorias, e na própria loja veterinária, onde eles fizerem a compra da vacina, eles podem fazer a comprovação”, explica Cristina.

A expectativa é que 4,1 milhões de cabeças sejam vacinadas em todo o estado. Cristina explica que na região, a meta deverá ser cumprida. “Nas últimas campanhas tivemos índices bem bons, acima de 98% que é o desejado. Esses por centos que ficam para trás, nós sempre vamos atrás pra ver o que está acontecendo. É produtor que não tinha mais gado, que já abateu ou que o gado morreu e não veio comunicar, ou é produtor que se mudou, demoramos um pouco para achar. É um número muito pequeno que fica sem vacinar”, disse.

Quem não vacinar poderá multado. “O valor mínimo da multa é R$ 1.024. O vidrinho [da vacina] hoje para 15 cabeças, custa em torno de R$ 23 ou R$ 24”, disse.

Processo

A previsão é que em setembro, o Ministério da Agricultura declare o Paraná como Área Livre de Febre Aftosa sem Vacinação. Hoje o estado é reconhecido como Área Livre de Febre Aftosa com Vacinação. Em maio do ano que vem, o estado deve pedir à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que reconheça esse novo status internacionalmente. O reconhecimento deve vir em 2021.

O processo faz parte doPlano Nacional de Erradicação de Febre Aftosa. Inicialmente, o Paraná fazia parte do grupo que estava previsto para terminar a vacinação em 2021. No entanto, o estado pediu ao Ministério da Agricultura para adiantar o término da vacinação ainda neste ano. O pedido foi aceito.

Agora, além de vacinar praticamente todo o rebanho do estado, o Paraná também precisa certificar até setembro outros dois requisitos: a finalização das barreiras sanitárias entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, e ainda, contratar mais veterinários para unidades veterinárias que ainda precisam de pessoal.

Como será

Com a mudança de status, o Paraná se juntará ao estado de Santa Catarina, que foi o primeiro estado a não precisar fazer a vacina.A fronteira entre os dois estados será facilitada com a liberação. Mas o novo status trará mudanças no setor agropecuário que terá mais cuidados sanitários.

Uma das primeiras mudanças é que ao invés de vacinar o gado, o produtor deverá realizar a atualização do cadastro na Adapar nos meses de maio e novembro, contando quantos animais possui, quais morreram e quais nasceram. “Desse ano, já vai ter em novembro e depois vai seguindo”, disse Cristina.

A atualização também já está sendo feito com produtores que não possuem gado para vacinar neste mês. “Aqueles produtores que nessa campanha não tenham gado em idade de vacinação, eles têm que vir aqui fazer a atualização de cadastro. Não vai precisar comprar a vacina, mas ele tem que vir fazer uma atualização, nem que sejam os mesmos animais que ele já tinha antes”, disse.

A fiscalização da Adapar também continuará. “Nós vamos trabalhar principalmente, a partir da parada da vacinação, no controle de trânsito animal. Será bem mais intenso, e aquela questão de vigilância também. Estaremos indo nas propriedades, verificando os animais, vendo se têm sinais clínicos com doença compatível com febre aftosa. Nós abrimos a boca, vemos a gengiva, a língua, entre cascos, nas tetas, para ver se tem alguma ferida que pode ser compatível”, disse.

Rigor na fiscalização

Na área do transporte de gado e carne, haverá mais rigor sanitário. As fronteiras entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, além do Paraguai, serão fechadas e haverá uma fiscalização mais rigorosa.

Quem tiver rebanho vivo e quiser entrar no estado, terá dificuldade. De forma geral, a entrada de gado está proibida, bem como a de animais suscetíveis à febre aftosa, como animais de casco partido que é o caso do cabrito, carneiro e porco.

No entanto, em alguns casos poderá ser liberada a entrada mediante um processo mais burocrático. Para isso é preciso pedir uma autorização especial ao Ministério da Agricultura. Além disso, precisará fazer exame de origem para comprovar que não há febre aftosa e cumprir um isolamento de até 60 dias, acompanhado pelo serviço oficial. Somente após a liberação do Ministério da Agricultura é que o gado poderá entrar na zona livre.

O transporte de carnes também terá modificações. Somente poderá entrar no estado carne desossada, já que o vírus pode estar no osso. Além disso, uma rota pré-estabelecida será incluída na Guia de Trânsito Animal (GTA) e o transporte passará pelas barreiras pré-determinadas. O caminhão também passará lacrado para não haver possibilidade de contaminação.

Benefícios

A liberação da vacinação contra a febre aftosa poderá trazer benefícios ao setor agropecuário no estado. “Além de produzir a carne de gado, de frango, de suíno, que são produtos que são exportados que serão beneficiados, nós também temos produção de milho e soja, que vão ser transformados em proteína animal. Os estudos mostram que deve melhorar bastante”, disse.

O reconhecimento internacional poderá ser refletido na melhora de preços para a exportação. “Começando pela própria carne de gado, carne de porco, até frango, que não pega febre aftosa, vai ter um benefício. Vai poder ser vendido a países que pagam melhor porque, hoje, como vacinamos existem países que pagam bem, mas eles têm um pouco de receio que acabem indo junto com os produtos o vírus da febre aftosa para o país deles. Então na hora que nós pararmos de vacinar eles vão acreditar que realmente não existe vírus da febre aftosa circulando aqui, que é garantido que eles comprem sem medo de ter contaminação”, disse.

Um estudo do Departamento de Economia Rural (Deral) e da Adapar mostra que se o Paraná conseguir conquistar apenas 2% do mercado potencial, liderado por China, Japão, México e Coreia do Sul – conhecidos por pagarem mais pelo produto com qualidade sanitária - as exportações de carne suína no Paraná podem chegar a 200 mil toneladas ao ano.

Texto: Karin Franco

Foto: Divulgação/Adapar

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