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Edição 1134 - Já nas bancas!
10/05/2019

Plano traz projetos e ações para evitar alagamentos em Irati

Plano de drenagem foi apresentado nesta segunda-feira (07) e traz ações que podem ser realizadas em um período de 30 anos.

Plano traz projetos e ações para evitar alagamentos em Irati

O plano diretor de drenagem de Irati foi apresentado nesta segunda-feira (07) em uma audiência pública na Câmara de Vereadores do município.  O plano é um conjunto de propostas a serem realizadas com o objetivo de diminuir e prevenir as decorrentes enchentes e alagamentos que ocorrem em diversos pontos de Irati.

O plano apresentado foi formulado pela empresa Ferma Engenharia e elaborado com recursos provenientes de uma emenda parlamentar de autoria da deputada federal Leandre Dal Ponte (PV), no valor de R$ 300 mil.

Para o planejamento de ações e programas, o plano foi dividido em duas partes: estrutural e não-estrutural. “Com critérios técnicos, nós elegemos quais projetos a serem realizados, quais são as medidas estruturais, quais são as obras, quais as medidas não-estruturas, que são por exemplo a mudança na legislação, algumas exigências dentro de obras, para a contenção de água de chuva. E coloca dentro de um planejamento com ações de curto, médio e longo prazo, pensando num tempo de 30 anos”, explica André Malheiros, coordenador geral da equipe que elaborou o plano de drenagem.

Estrutural

A parte estrutural possui a realização de obrasque possam ajudar a prevenir enchentes e alagamentos. Para o planejamento das ações, o território de Irati foi dividido em nove sub-bacias: Alto das Antas, Médio Antas, Baixo Antas, Bonito, Cascata, do Meio, Pereiras, Nhapindazal e Riozinho.

Cada sub-bacia possui planejamento de ações e programas. “Como prioritária, a obra que estudamos e projetamos dentro do trabalho, foi a continuidade do canal de drenagem do Arroio dos Pereiras. Já foi feito uma intervenção recente, uma canalização, colocado galerias, mas você precisa manter a qualidade de escoamento, essa vazão até o Rio das Antas”, explicou André.

O coordenador ainda destacou que esta parte possui diversas medidas de responsabilidade pública e privada. “Outras medidas previstas tem viés de contenção de chuva, que são bacias de detenção, que amortecem e acumula água preventivamente e libera isso em direção ao curso hídrico e também outras medidas de responsabilidade das pessoas, como por exemplo, fazer dentro dos lotes, pequenas bacias de contenção, porque apesar de termos a responsabilidade da prefeitura de fazer as obras, cada cidadão também tem que ter o cuidado”, disse.

Não-estrutural

As medidas não estruturais dizem respeito às ações que não envolvem necessariamente obras. Uma delas é a legislação e a permanente regulamentação. “A lei de ocupaçãode uso de solo, tudo isso tem que se adequando à realidade e às necessidades do munícipio. Já orientamos algumas questões do que achamos que tem que ser revistas dentro da impermeabilidade permitida para cada zoneamento”, explicou André.

Há ainda ações na área de monitoramento e acompanhamento no município. “Nós precisamos de dados para entender melhor os problemas e acompanhar a evolução, tanto para o lado positivo quanto negativo. Medir cotas de rio, medir chuvas, esse monitoramento também está previsto”, disse.

A educação ambiental com a população também foi pensada, tendo as escolas como parceiras. “É incentivar ou melhorar o processo de educação existente dentro do município, de educação ambiental, inserindo um dos temas importantes que é esse que estamos tratando, que são águas pluviais e a consequência”, detalhou.

Implantação

O plano de drenagem apresentado deverá seguir para a análise da Câmara de Vereadores de Irati. Mesmo assim, a implantação de cada item do plano terá muitas variáveis. No caso de obras, por exemplo, é necessária a busca de recursos, seja municipal, estadual ou federal. Já em legislações, há apenas anteprojetos, que precisam seguir um trâmite para virar lei.

Por isso, a implantação do plano é um dos desafios desta gestão e das próximas. Para coordenador André, o desejo do município em obter o plano é um ponto positivo. “No caso de Irati, acredito que há um ponto positivo que desde antes da elaboração desse plano, foi um plano muito desejado. Desde os termos de referência para a elaboração dos estudos já foi bem pensado. O município sabia muito bem o que queria. Isso facilitou na elaboração do trabalho e facilitará na implantação”, disse.

O prefeito Jorge Derbli ainda destacou que será preciso colaboração da população e também de futuras gestões para que o plano seja realizado. “Vai depender da consciência dos próximos legisladores, tanto da Câmara Municipal, quanto da prefeitura, do Executivo, ter consciência que é um trabalho para 30 anos e que eles devem seguir essa norma, essa diretriz. Não adianta fazer dentro do nosso mandato e depois o próximo prefeito ou prefeita, enfim os que vierem na sequência, ignorar isso. Será besteira, porque isso é uma coisa para 30 anos e a cidade tem que se planejar”, disse.

População

A participação da população no processo de prevenção também foi mencionada na audiência pública. A educação ambiental para a prevenção de alagamentos, com ações desde a conscientização de obedecer às regras para deixar solo permeabilizado em seus terrenos até a conscientização da limpeza da cidade foram pontos citados.

O prefeito ainda comentou que é necessária colaboração de todos, desde o poder público até a população. “Não é só do poder público. Sim, ele é a entidade que tem que resolver a situação, mas se não tiver a cooperação da população nada acontece”, disse.

Para o coordenador André, a população terá um papel fundamental em todos os processos. “Cobrar a implantação e cumprir a responsabilidade, acho que é algo que precisa do comprometimento de todas as partes do município”, disse.

Loteamentos

O plano traz sugestões de regulamentações dos loteamentos do município.  No caso de novos loteamentos, a sugestão é que se verifique no processo de licenciamento para o parcelamento do solo se o projeto possui controle da vazão da água que cairá no solo. Entre as sugestões estão as bacias de contenção que ajudarão a diminuir a vazão da água da chuva.

Já nos loteamentos consolidados, onde há unidades construídas, a sugestão é verificar as novas estruturas a serem construídas ou aplicar tarifas, que podem ser utilizadas em obras de prevenção. Há também a sugestão de isenção, caso a unidade tenha alguma obra que ajude na vazão da água de chuva.

Nos lotes ou condomínios não construídos, as verificações de controles de vazão da água podem ser vistos no Habite-se ou no Alvará de Funcionamento.

Ações no 2º semestre

Durante a audiência pública, o prefeito Jorge Derbli destacou algumas ações para o segundo semestre para prevenir alagamentos. Uma delas é a dragagem.  “Em janeiro de 2017 começamos a dragagem. Trabalhamos um ano fazendo a dragagem, da BR 277 até próximo o Olímpico, e vamos continuar da BR 277, para frente, seguindo o Rio Imbituvão”, disse.

Outra obra será uma galeria na avenidaVicente Machado. “Ali na Vicente Machado, próximo ao campo doIraty, na rotatória, onde tem uma galeria muito estreita de pedra e como não dá o suporte, a vazão de água que cai aqui no Rio Bonito, enche aqui o bairro do Fósforo. Com essa nova galeria que vamos fazer, consequentemente dará mais vazão e não terá mais alagamento”, disse.

Texto/Foto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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