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Edição 1135 - Já nas bancas!
12/04/2019

Você conhece os serviços gratuitos oferecidos em Irati para cuidar da saúde mental?

Você conhece os serviços gratuitos oferecidos em Irati para cuidar da saúde mental?

Estima-se que a cada 100 pessoas, pelo menos 30 pessoas possuem ou possuirão algum problema de saúde mental no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

No país, depressão e ansiedade são as doenças mentais mais comuns. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 11,5 milhões de pessoas possuem depressão no Brasil, fazendo com que o país seja o primeiro no ranking de países da América Latina onde também ocorre a doença.

Para enfrentar esse cenário, a saúde pública no país tem oferecido serviços para cuidar da saúde mental de forma gratuita. O jornal Hoje Centro Sul conversou com especialistas que falaram sobre os serviços gratuitos oferecidos em Irati e os caminhos que as pessoas precisam percorrer para ter atendimento.

Primeiro passo

A porta de entrada para o cuidado da saúde mental em Irati é a mesma para o cuidado de qualquer doença: a Unidade Básica de Saúde (UBS), conhecida como posto de saúde. “Dentro do posto de saúde tem o enfermeiro, o técnico de enfermagem, ou o agente de saúde. Em geral, eles são a nossa referência no munícipio, porque estão perto das pessoas. São eles que nos encaminham os casos. Mas eles também são responsáveis pelas informações. Eles dão suporte para a pessoa: ‘Olha, você está precisando de um atendimento psicológico, tem em tal lugar’”, conta a coordenadora da Saúde Mental de Irati, a psicopedagoga Cristiane Santos de Paula.

Em Irati, a equipe do município é formada por três psicólogas, uma psicopedagoga, um psiquiatra, dois técnicos em enfermagem e uma estagiária. A equipe atende também de acordo com territorialidade, como no caso das psicólogas. Isso significa que as profissionais estão em unidades espalhadas no munícipio: uma na Vila São João, outra Adhmar Vieira de Araújo, além do centro.

Por isso, após procurar o posto do bairro, o paciente é encaminhado para a unidade mais próxima que conta com psicólogo. “Por exemplo, Fernando Gomes fica mais próximo à Vila São João, então faz o atendimento na Vila São João. Nhapindazalfica mais próximo ao Adhmar, então quem atende é o posto Adhmar”, explica a coordenadora. Nos bairros onde não há um posto próximo com psicólogo, o paciente é encaminhado para a unidade do centro da cidade.

Trabalho conjunto

A coordenadora explica que o trabalho na área de saúde mental em Irati é feito em conjunto com outras entidades que também oferecem atendimentos gratuitos ao público. “Temos algumas parcerias, por exemplo, os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), da Assistência Social, fazemos um trabalho integrado, também com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), de alta complexidade, temos o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) também”, conta.

Ela explica que os encaminhamentos aos serviços são feitos de acordo com cada caso. “Nós vemos que o paciente está com uma depressão muito profunda, ele se enquadraria em um grupo do CAPS, pela questão de demanda do indivíduo. Fazemos a referência e encaminhamos para o CAPS. O paciente está bem, está estabilizado. O CAPS dá alta para o paciente. Se ele voltar a procurar, nós fazemos novamente os caminhos”, explica.

Emergência

Assim como nas demais doenças, a saúde mental enfrenta casos de emergência, como os surtos. Por isso, a orientação é que nesses casos o Pronto-Atendimento seja o procurado. “Porque precisa de um auxílio de um médico, que faz a avaliação e os encaminhamentos seguintes”, comenta.

Prioridades

As prioridades de atendimento listadas pelo setor de Atenção Primária também existem na saúde mental municipal. Assim, quando um caso chega à equipe, ele é avaliado e classificado de acordo com sua gravidade. “Por exemplo, um dependente de álcool e outras drogas, acabou de sair do internamento, então ele terá uma prioridade no atendimento para que ele não recaia na questão da dependência que ele possui no internamento. Foi a causa do internamento. Questão de tentativa de suicídio têm prioridade, porque teve um alto risco envolvido. Procuramos sempre pensar a saúde mental de forma sensível, escutando a pessoa, para destinar ao atendimento ideal, senão ideal, o necessário”, conta.

Procura

A saúde mental municipal tem feito diversos atos de prevenção em escolas e comunidades, de forma a conscientizar sobre a saúde mental. O trabalho tem dado resultado. “Os munícipes estão procurando. Claro que procuramos sempre trabalhar de um modo preventivo, então fazemos sensibilização em escolas, em reuniões de pais, fazemos a questão da prevenção. E é justamente neste sentido que aparece a nossa procura”, destaca.

Por isso, atualmente há uma lista de espera para as consultas. Mesmo assim, a coordenadora explica que quando a pessoa chega ao serviço, ela é ouvida. “A lista de espera existe. A técnica de enfermagem faz a manutenção dessa lista. A pessoa chega e diz: ‘Não, eu preciso conversar mesmo’. Ela chama no reservado e dá uma atenção até para explicar o caminho que vai seguir o tratamento, esse acompanhamento”, comenta.

Clínica da Unicentro

Além do serviço da rede municipal da saúde mental, Irati possui outro serviço gratuito que é diferenciado de outras cidades. Por causa do curso de Psicologia na Unicentro, a Clínica Escola de Psicologia da Unicentro (CEPSICO) oferece serviços gratuitos à população.

“A Clínica Escola de Psicologia da Unicentro(CEPSICO), caracteriza-se por ser o local onde ocorrem os estágios de Formação Profissional em Psicologia Clínica. Como Clínica Escola possui entre os seus objetivos: prestaratendimento psicológico à comunidade de forma gratuita;desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão na área de Psicologia, buscando com isso, ampliar e aperfeiçoar os serviços prestados à comunidade”, explica a coordenadora do Departamento de Psicologia, professora Michele Cervo.

A partir de estágios e projetos de pesquisa e extensão, vários atendimentos são oferecidos como psicoterapia para criança, adolescente e adultos; psicoterapia familiar e de casal;  aconselhamento psicológico, entre outros atendimentos na área ou afins, orientados pelos professores responsáveis.

Já outros serviços não são oferecidos como avaliação psicológica para salas de recurso; avaliação bariátrica; laudos para juízes, advogados e/ou promotores; exame psicológico para o Detran; aplicação de testes para avaliação psicológica. Como não há uma equipe multiprofissional, também não é feito o atendimento em urgência e emergência em saúde mental.

Como procurar

O atendimento na Clínica Escola de Psicologia da Unicentro pode ser procurado por qualquer pessoa, mas é necessário realizar um cadastro primeiramente. “Para se cadastrar é necessário fazer a inscrição, presencialmente e levar documento de comprovação de identidade, junto à secretaria. Ao se inscrever, a pessoa entrará para uma lista de atendimento, e na medida em que as vagas para atendimento forem abertas, será feito o contato. É fundamental que as pessoas se responsabilizem pela atualização de seus dados no cadastro, como por exemplo, mudança de número de telefone, pois será através deste que entraremos em contato”, explica a coordenadora.

A Clínica Escola funciona das 7h30 às 20h30, de segunda a sexta-feira.

Como ajudar

A psicopedagoga Cristiane Santos de Paula destaca que os familiares e pessoas próximas podem ajudar a identificar aqueles que necessitam de apoio quanto a sua saúde mental, mas que é preciso sensibilidade. “A dor do outro é muito mais complexo para a gente equilibrar. Porque quando é minha dor eu entendo, eu sei viver a dor, ou sofrer ela, agora quando é o outro que está passando por uma fase difícil ele precisa de sensibilidade dos familiares para ajudar ele sobre a necessidade de ter um acompanhamento”, diz.

Ela indica como familiares e amigos podem ajudar. “A pessoa pode orientar a procurar do nosso serviço ou até mesmo, como já aconteceu, vir junto com a pessoa no nosso serviço, para explicarmos como funciona”, relata.

Prevenção

A coordenadora do Departamento de Psicologia da Unicentro, professora Michele Cervo, explica que a prevenção é um trabalho conjunto de várias áreas que gerenciam diversas políticas públicas. “A prevenção não está somente sob responsabilidade do setor saúde, é necessário avaliarmos outros aspectos e âmbitos de inserção das pessoas. Pensar em como vem se dando as relações de trabalho, e assim pensar a saúde mental no trabalho; na escola; nos serviços de garantia de Direitos, etc. Quais ofertas de cultura e lazer são oferecidas à população; como estamos organizados quanto às questões relacionadas a empregabilidade e renda. Ampliar o olhar e escuta para os determinantes sociais dos processos de adoecimento da população são fundamentais para planejar, avaliar e implementar ações que minimizem o sofrimento das pessoas”, comenta.

Precisa conversar?

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza um trabalho de ajuda e apoio emocional, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo.

Você pode ligar pelo número 188 (gratuito e 24 horas) ou entrar em contato por e-mail ou chat, através do site https://www.cvv.org.br/.

Texto: Karin Franco

Fotos: Arquivo/Hoje Centro Sul

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