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Edição 1126 - Já nas bancas!
11/04/2019

Prédio é liberado após desmoronamento em obra em Irati

No sábado (30) um desmoronamento interditou um prédio no centro de Irati. Moradores voltaram ao local apenas na terça-feira (02) à noite.

Prédio é liberado após desmoronamento em obra em Irati

Ao chegar à lotérica localizada na rua Dr. Munhoz da Rocha, em Irati, era possível ouvir a voz ao longe de Augusto Tucholski, mais conhecido como Gutio, proprietário do prédio onde está a lotérica. Ele dava instruções para consertar um problema no fornecimento da água. Três registros haviam sido fechados, e durante a limpeza da caixa d’água, dois deles não haviam sido ligados.

Essa foi apenas uma das situações enfrentadas durante a volta ao prédio, na quarta-feira (03). O prédio ficou interditado durante três dias, após um desmoronamento ter ocorrido em uma obra na esquina da quadra, que acabou atingindo a garagem do prédio ao lado, no início da noite do sábado (30).

Ainda no sábado, o prédio foi interditado e os moradores tiveram que se abrigar em hotéis ou casas de amigos e parentes. Além do prédio, as ruas Dr. Munhoz da Rocha e XV de Novembro também ficaram interditadas, ficando em meia-pista no início da semana. Durante este tempo, a lotérica ficou fechada e os funcionários foram remanejados para as outras duas lotéricas da cidade.

O local foi totalmente liberado apenas na tarde de terça-feira (02).Por isso, a quarta-feira (03) foi um dia para normalizar e voltar aos afazeres do dia a dia. Ainda pela manhã, a lotérica abriu e os moradores voltaram aos seus apartamentos. Mesmo assim, era possível ver que a movimentação ainda não estava tão frenética como é usual no local.

“Você não imagina como estava maluco para voltar”, disse Gutio que ficou abrigado na casa de uma das filhas. Ainda em meio à arrumação, Gutio conta que a volta tem sido normal, apesar dos pequenos percalços como o fornecimento de água. “Nós sentimos esse atendimento ao público”, falasobre o tempo que a lotérica ficou fechada.

Apesar de voltar normalmente, Gutio conta que a família ainda está abalada emocionalmente com o que aconteceu. Sua esposa, Irene, tem tido sustos aos ouvir barulhos mais estridentes. Já ele, tem sonhado. “Tenho sonhado de cair o prédio e estar embaixo”, diz. Uma das filhas, Luciana, fala que ainda haverá um tempo para assimilar o que aconteceu. “Ainda vamos ficar uma semana atrapalhados”, relata.

Desmoronamento

Gutio estava tomando banho no início da noite de sábado (30) quando ouviu os gritos assustados de sua esposa. Imediatamente saiu do banho para verificar o que tinha acontecido, temendo que ela tivesse se machucado.

Meia hora antes, ela havia saído da garagem e tinha entrado no prédio para se arrumar, já que em seguida, às 19h30, eles participariam de um encontro com outros casais. Gutio chegou após as 19h, deixou seu carro na frente do prédio, e entrou no prédio através da garagem. Foi por volta das 19h10 que ele ouviu os gritos da esposa.

Os estampidos, descritos como dominós sendo derrubados, foram ouvidos por Irene, que achou que poderia ser de algum inquilino, na primeira vez que ouviu. Somente no segundo estampido, foi que ela avistou a garagem e o carro Chevrolet Cruze engolidos por um buraco.

Por volta das20h, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros de Irati chegaram ao local e verificaram que a obra ao lado possuía uma escavaçãopara fazer subsolos no terreno. Segundo o alvará obtido pelo Corpo de Bombeiros, o projeto contava com um subsolo de dois pavimentos, e mais outros dois pavimentos acima do solo.

O comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Jorge Augusto Ramos, relata que o local já possuía uma contenção de concreto para realizar a escavação. “Eles fizeram a escavação e essa estrutura que foi realizada para conter o solo ao lado, da rua ao lado, então ele veio a romper, e com isso ele puxou um pedaço da edificação do Gutio, aonde tinha uma garagem, e mais para o fundo era usado para depósito da lotérica.Diante do fato e do problema, como a escavação tinha de 4 a 6 metros e meio, pelo solo, e pelo problema apresentado do rompimento dessa contenção e pelo risco de danos estruturais no prédio ali do GutioLoterias, por precaução, nós optamos para junto à Secretaria de Obras e Arquitetura do município, e a Defesa Civil do munícipio, nós entendemos por bem fazer a interdição do prédio do Gutio”, disse.

Liberação

O comandante explica que o atendimento possui quatro fases. A primeira foi de certificação do prédio, e a interdição para caso ocorresse algo. “Além da desocupação do prédio fizemos o impedimento do tráfego nas ruas laterais tentando evitar um excesso de trepidação dos veículos que pudesse contribuir no agravo da situação”, explica.

A segunda fase contou com a retirada dos escombros, incluindo o carro. Essa fase também contou com o recolhimento de materiais pela perícia que analisará o caso. Já na terceira fase, houve a retomada da estabilização do terreno. “A opção foi de reposição de material, com um solo de melhor qualidade, porque ali o solo é um banhado”, explica.

Após a estabilização, o local foi liberado. “A reposição de solo e a compactação devolveu a capacidade estrutural no solo circundante”, contou o comandante.

A engenheira Diana Serbai, contratada por Gutio para ser responsável por apontar uma causa e verificar a estabilidade do edifício, explicou a liberação em uma nota. “O edifício pôde ser liberado para habitação e funcionamento do comércio porque não apresenta riscos e sua estrutura é independente da estrutura da garagem, o edifício apresenta estabilidade e solidez. Somente a área da garagem continua interditada”, disse.

Agora uma quarta fase inicia com a comprovação da empresa responsável da obra sobre a segurança da construção. Essa fase é feita diretamente com a prefeitura.

Causa

Ainda não é possível estabelecer uma causa para o que ocorreu. Tanto Gutio, como Renato Sobutka, dono do empreendimento que está sendo construído, possuem peritos que estão analisando as reais causas.

Até o momento, os representantes de ambos os lados apontam que o solo úmido pode ter influenciado no desmoronamento. No entanto, a causa para o solo úmido é divergente. De um lado, há o apontamento para o histórico do local que possuía um banhado. Do outro, há apontamento que o esgoto pode ter infiltrado o solo. Mas nada ainda é comprovado.

O comandante disse conhecer os relatos antigos e que pela observação do local, é possível pensar em hipóteses. “Podemos observar que no local onde houve o problema, tanto tem um solo que é típico de regiões pantanosas, quanto os sucessivos aterros feitos na região”, explica. “O engenheiro da obra fez uma previsão para essa obra, uma contenção, mas por algum motivo essa contenção não aguentou a pressão, ou a movimentação do terreno. Alguma coisa de anormal houve”, disse.

Licenciamentos

O engenheiro responsável pela obra é Rodolfo Garbelini Júnior, da Pórtico Engenharia. Ele explica que colaborou com o projeto de ação após o acidente, e que a empresa deu assistência no momento da interdição do prédio.

Ele conta que agora há a fase de comprovação através de documentação com a prefeitura. “Estamos fazendo algumas alterações no projeto para que haja prosseguimento da obra”, explica. Uma das alterações é que o subsolo deverá ter apenas um pavimento, diferente do previsto inicialmente.

Ele explica que o terreno possuía contenções para evitar o desmoronamento. “Todo o terreno ele já tem a contenção dele. O que aconteceu é que naquele lugar específico teve um problema de infiltração e essa infiltração causou o empuxo secundário no solo que não havia sido programado”, disse.

O engenheiro ainda garantiu que a obra está regular. “Nós temos todas as licenças. Licença da prefeitura, do IAP, do Crea, temos todas as licenças. Nós somos muito corretos”, disse.

Texto: Karin Franco

Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

 WhatsApp/Divulgação/Najuá

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