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Edição 1135 - Já nas bancas!
13/03/2019

Mulheres constroem um bar para conquistar renda própria

Mulheres constroem um bar para conquistar renda própria

Tijolo por tijolo. Foi assim que o casal Simone Ferreira e Aline Andrade levantou o lugar onde agora está instaladaa lanchonete Rota 153. Construída no bairro Alto da Glória em Irati, às margens da BR-153, o barzinho concretizou o sonho das duas de possuir seu negócio próprio.

Simone, natural de Pato Branco,conta como surgiu a ideia de fazer o bar. “Morávamos em Pato Branco, eu e minha companheira Aline, e os pais dela moravam aqui em Irati. Em Pato Branco trabalhávamos em uma empresa. Certo dia, resolvemos fazer um acerto com a empresa e tentar algo aqui. Quando viemos para cá, nosso plano a princípio era fazer uma casa, e iríamos trabalhar em outro lugar”, relata. Mas a vontade de ter um negócio próprio falou mais alto e elas decidiram residir com familiares e construir a lanchonete.

 “Aqui em Irati o trabalho não é fácil, é bem precário o trabalho. Às vezes você fica trancada em uma empresa enão consegue subir de cargo, por mais que você tenha força de vontade. E aqui não. É nosso. Não vamos pagar aluguel, nós vamos trabalhar, tudo que vier é nosso. Vai depender só de nós, não depende de mais ninguém”, comenta.

A construção

Para poder construir a lanchonete, o casal decidiu botar, literalmente, a mão na massa. Isso aconteceu devido à questão financeira. “No momento de construir, um pedreiro é muito caro, a mão de obra é caríssima. O dinheiro era curto. O pai da Aline é mestre de obras, só que ele trabalha fora, não teria como parar o trabalho dele para nos ajudar. Resolvemos nós mesmas fazer. O pai dela nos ensinava durante a semana. Ensinou a fazer medição, assentar tijolos, ensinou tudo. Durante a semana íamos fazendo e todo final de tarde ele vinha conferir se estava tudo certo e dar as dicas para o outro dia. Devagar fomos fazendo tudo. No começo achamos que não iríamos dar conta. É bem difícil, não tínhamos máquinas, betorneirae essas coisas. Foi tudo na enxada, tudo devagar”, relembra.

Simone destaca que o uso da imaginação foi essencial para driblar os recursos escassos. “Quando você vai construir algo, você faz um cálculo que vai gastar tanto, mas no final não é só aquilo. Nós reciclamos bastante coisa, o dinheiro era pouco, tínhamos que usar a imaginação. As luminárias nós inventamos. Compramos nos móveis usados, mesas e cadeiras. As madeiras eram muito caras, então fizemos com paletes. Pagamos R$3 cada palete”, disse.

O trabalho fez com que ela desse maior importância à profissão de pedreiro. “Construir é muito difícil. Eu digo pra Aline, hoje em dia eu dou muito valor para os pedreiros. É um serviço muito difícil, muito sofrido”, comenta.Ela sentiu na pele a dificuldade. “Quando fui rebocar as paredes, com a colher, no banheiro era apertado, pensei: ‘Mas tá muito ruim isso aqui, vou tentar com a mão’. Taquei a mão e deu certo, em dois minutos eu fiz uma parede. Falei: ‘Nossa deu certo’. Rapaz do céu, final do dia saiu todo o couro da minha mão. Não adiantou nada. Aquele dia eu apurei, deu tudo certo, daí fiquei uma semana sem poder conseguir colocar nem roupa direito. O calcome muito a mão da gente, daí com cimento tudo junto. Ele corrói mesmo”, explica.

Preconceito

O fato de serem um casal de mulheres e ao mesmo tempo ter feito um trabalho considerado de homens pode trazer a impressão de que elas sofreram preconceito. No entanto, Simone conta que o fato trouxe apoio para as duas. “Não sofremos preconceito, foi bem tranquilo até, pelo contrário as pessoas chegavam e perguntavam: ‘Nossa vocês que estão fazendo?’. E eu dizia: ‘Sim, nós que estamos fazendo’. Todo mundo passava aqui na BR bem devagar para ver se realmente eram mulheres que estavam fazendo. As pessoas ainda admiram e dão os parabéns para a gente por ser duas mulheres, por ser um serviço pesado, e considerado de homens”, relata. 

Atualmente

Depois de um ano de construção, o bar foi finalmente aberto há uns dois meses, o que é motivo de orgulho para o casal e todos que as ajudaram, principalmente o pai de Aline.Simone conta que as pessoas costumam ir ao bar pela curiosidade em saber como foi feito e acabam voltando pela energia do local.

“As pessoas dizem: ‘Olha as meninas fizeram assim, vai lá conhecer’. É mais pela história do que pelo bar. Isso eu acho engraçado, chegando aqui todo mundo diz: ‘Foram vocês mesmo’. Tivemos uma banda dia 2 de fevereiro aqui, deu muita gente, muito movimento, deu uma apurada em nós, porque somos só em duas. Tivemos que pegar uma menina para ajudar, mas foi muito bom. Todo mundo que vem aqui gosta do lugar, eles dizem: ‘vamos voltar’ , ficamos meio assim, porque a gente não sabe né, mas eles voltam mesmo. Então o pessoal está gostando, eles dizem que recebemos bem, e que a comida é boa”, comemora.

Texto: Da Redação/ Hoje Centro Sul

Fotos: Divulgação/ WhatsApp

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