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Edição 1177 - Já nas bancas!
18/02/2019

A vida registrada em versos

Teteco: Conheça a história do poeta amador que reúne fatos da vida e as registra em versos

A vida registrada em versos

Hélion Samways, mais conhecido como Teteco,sempre foi um poeta amador. Residente em Irati, o poeta de 75 anos coleciona histórias de uma vida e as repassa ao papel em formato de versos.

A caminhada entre os versos iniciou aos 17 anos, quando um pedido para escrever sua primeira poesia o marcou a ponto de nunca mais parar de escrever. “Quando um amigo meu, aqui em Irati disse para mim:‘Dá pra você fazer uma poesia para eu entregar para uma moça? Todo dia que passo do serviço ela está na janela. Faça uma poesia, quem sabe eu entregando para ela, eu consigo me aproximar’. Daí eu fiz ‘A Menina da Janela’. Entreguei para ele. Ele deu para ela. Eles namoraram e casaram. Foi uma coisa que marcou bastante minha vida, também por ter sido minha primeira poesia”, diz.

Inspiração

Sua inspiração pode vir de qualquer situação ou palavra. Até mesmo dormindo. “Antigamente se vivia isso. Qualquer coisa dava margem para se fazer uma poesia, um verso, nomes de pessoas. Cada letra do nome é uma frase. Às vezes, estou dormindo de madrugada, acordo e vêm todas aquelas palavras na cabeça, aí eu faço um rascunho, porque no outro dia você não lembra mais. Uma que eu fiz no Dia dos Pais, eu entrei no carro e liguei o celular, coloquei uma música de fundo e comecei a falar”, relembra.

Ele conta que sempre fez poesias por amor e nunca cobrou nada. “Eu não vendo. Quem me pedir eu faço, e fico alegre por fazer. É uma arte. Algo que a gente tem e gosta de apresentar para as pessoas. Sempre apareceram pessoas que precisavam de um empurrãozinho. Eu sempre falo para as pessoas que quem precisar é só vir, conte o que está acontecendo, se está triste e o porquê, separado, com saudades. Cada vida é uma história”, explica.

Sobre juntar todas essas histórias em um livro, o poeta conta que já sonhou com a possibilidade. “Eu não fiz porque não tenho condições financeiras. Senão, teria feito, mas pode ser que um dia ainda faça”, disse.

Quartel

A feitura dos poemas o acompanhou também quando serviu ao Exército.Hélion conta que no quartel daLapa, tinha uma sala onde os colegas vinham pedir seus poemas para ajudar a resolver problemas da vida.

“No quartel eu era chamado de Samways, meu sobrenome. Eles pediam: ‘ÔSamways! Faz uma poesia pra mim! ‘Tenho uma namorada muito rica e sou pobre’, ‘Eu sou rico e ela muito pobre’ ou ‘Ela mora muito longe’, enfim, eu fazia. Quando fui servir, não tinha gravador, em 1963. Me recordo de uma poesia no dia em que entrei assim: ‘Dia 05 me alistei/ Dia 10 fiz inspeção/ Dia 15 me apresentei/ Dia 20 peguei o trem na estação/ Parti com tantas saudades dos amigos que deixei/ Chegando nessa cidade outros colegas encontrei/ Foi difícil para minha vida quando começou a instrução/ Todo dia reunida e à noite tinha plantão/ É preciso ser homem macho/ para passar o que não deseja/ mas logo estarei voltando/ porque a baixa tá chegando’”, disse.

A poesia e o amor

Poesias de amor trazem consigo histórias emocionantes, histórias nem sempre vividas por poetas, mas que o destino muitas vezes entrega a eles. Como em um episódio, onde Hélion virou o motivo de um término.

 “Tinha uma moça que se apaixonou por mim. Ela era noiva de uma pessoa muito rica aqui em Irati. Essa pessoa foi ao cinema e pegou um jornal e colocou no bolso. Chegando à casa da noiva, ela olhou no bolso e disse, ‘Jornal do Cinema. Me deixa ver se não tem poesias do Hélion’. Ele disse: ‘Tem poesia do Hélion. Fica com a poesia e fique com ele. O noivado está acabado’. Os pais vieram atrás de mim, me culpando por eu ter estragado o noivado, porém eu não tive culpa nenhuma. Ela não se casou com ele, esse homem acabou casando com outra mulher e teve vários filhos. Um dia aconteceu um acidente e faleceramtodos. Então, são coisas da vida que acabam acontecendo, e aconteceu com as poesias”, relatou.

Um poeta apaixonado tem mais histórias para contar. Hélion conta que sua esposa lhe trouxe muitas delas. “A história da minha vida  que foi a mais inesperada e de muita importância para mim foi a da mulher que vive comigo hoje. Falavam e falam que eu a ganhei nos versos. Eu trabalhava na rádio e era técnico de som. Eu que punha as músicas, e para os pais dela não saberem, eu usava outro nome. Eu usava Natalie. Ela sabia que era pra ela. Fomos nos encontrando e acabou que ficamos juntos. Já vai fazer 36 anos. Cada momento que vivemos foi uma poesia que fiz, e ela colocou essas poesias em um livro feito por ela mesma”, conta Hélion.

Poesia para a filha

Depois de passar por um momento difícil no qual enfrentou um câncer Hélion também fez poesia. Ele conta que sua filha teve um papel fundamental na sua recuperação e, por isso, a homenageou com uma poesia. “Uma poesia que fiz para minha filha diz assim: ‘Quantas vezes eu te disse que o nosso amor tava um tanto devagar/Quantas vezes você dizia é tolice/ Cada um tem seu modo de amar’”, contou.

Texto: Da Redação/HojeCentroSul

Fotos: Jonas Stefanechen/Hoje Centro Sul

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