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Edição 1148 - Já nas bancas!
15/02/2019

Número 193 para ligações de emergência apresenta problemas na região Centro Sul

Número 193 para ligações de emergência apresenta problemas na região Centro Sul

Diante de uma situação de emergência, como acidente ou incêndio, um dos números mais conhecidos para pedir socorro é 193, do Corpo de Bombeiros. Entretanto, nos últimos dois meses, na região Centro Sul tem ocorrido problemascomo a ligação ser transferida para outras instituições oumesmo não ser repassada à central do Corpo de Bombeiros.

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Irati, capitão Jorge Augusto Ramos, inicialmente a situação foi identificada através das redes sociais, onde os bombeiros viram postagem que reclamava da demora no atendimento. Junto a isso, outro fator foi que os próprios bombeiros não conseguiram fazer uma ligação pelo 193 que caísse na central de Irati. “Em Rio Azul me deparei com acidente e fui pedir apoio, quando liguei caiu em Guarapuava”, disse.

O comandante ainda relata que as ligações são transferidas de acordo com a localização geográfica, e não pela localização de atendimento do Corpo de Bombeiros. “A pessoa de Rio Azul, por exemplo, quando liga de determinada operadora, liga para o 193 que é o número do bombeiro, essa ligação cai em Guarapuava. Em determinados locais próximos de Mallet ou Rio Azul cai em Ponta Grossa. A região próxima a Inácio Martins e Cruz Machado já identificamos a ligação caindo em Maringá. Nós já identificamos locais que o chamado de socorro chegou no litoral”, relatou o capitão Jorge Augusto Ramos.

Apesar de o problema existir, uma das dificuldades é que nenhuma queixa formal foi registrada.“Nós temos notado muitos informes, mas nunca chegou na forma de reclamação de pessoas que não conseguem ligar no Corpo de Bombeiros por meio de determinadas operadoras de celular”, explica o comandante.

Causa

De acordo com o comandante, o telefone da central de Irati tem funcionado e recebido chamadas. “Observamos que nosso telefone está funcionando, o serviço está funcionando de maneira normal. Por que a ligação caiu na Polícia e não caiu no Bombeiro?”, indagou.

Por isso, ele acredita que o problema pode ser em alguma operadora que presta serviços ao usuário de telefonia móvel. Quando se faz a chamada, algo na linha do usuário faz ele ser transferido para outra cidade, para a Polícia Militar ou até mesmo não finalizar a ligação. “Estamos tentando nos comunicar com as operadoras para verificar o que está acontecendo, mas senão obtivermos, vamos procurar outros caminhos para que haja essa correção. Já é ruim estar em uma situação de emergência, mais ruimainda é você conseguir ter o mecanismo para ter o telefone celular para chamar a emergência e não conseguir porque está havendo algum problema”, explica.

No entanto, o comandante tem dito que o contato está difícil. “Já tentamos falar com as operadoras, mas não conseguimos telefones adequados. Com essas questões de call-center, número remoto, até agora não conseguimos identificar o responsável que nos atenda neste sentido. Estamos percorrendo alguns caminhos para tentar achar os responsáveis para nos certificarmos das questões das programações, mas isso vai ter que ser levado de repente até o Ministério Público, para que com seus argumentos, consiga acionar as operadoras para que corrijam essas situações”, disse.

A assessoria do Corpo de Bombeiros do Paraná informou que deverá abrir uma ouvidoria para identificar o problema.

De acordo com a Anatel, o serviço de emergência é feito através de uma prestadora de Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC, a telefonia fixa. Quando a anormalidade é constatada, é essa prestadora que deve ser comunicada. “Qualquer anormalidade que envolva a prestação destes serviços, que seja detectada pelo contratante (Corpo de Bombeiros) inclusive se as falhas forem decorrentes de programação ou avaria nas redes de outras prestadoras, deve ser direcionado àquela prestadora de telefonia fixa contratada. A seu turno a prestadora reclamada tem a obrigação de interagir com todas as demais prestadoras interconectadas para a solução do problema”, explica a assessoria da Anatel.

Teste

Enquanto uma solução não é encontrada, o comandante pede para que os moradores da região façam um teste com seus celulares para identificarem para onde sua operadora está enviando a ligação. “O que eu peço de início é que as pessoas façam esse teste de onde moram”, disse o comandante.

Segundo ele, é importante que se faça o teste também em localidades do interior. “Porque temos locais que são muito mais próximos de Prudentópolis do que de Irati, mas estamos ainda no município de Irati. Teixeira Soares tem locais que são muito perto de Ponta Grossa, mas a área de atendimento é Irati”, relata.

No momento do teste, o usuário pode discar o 193 e explicar que este é um teste. “Identifique para o atendente da polícia, do bombeiro, da Secretaria de Saúde, que você está fazendo um teste. É importante que se faça, mesmo que o atendente brigue com você, mas faça o teste e observe do local que está tentando a comunicação, onde está efetivamente caindo a ligação”, explica.

Após o teste, o comandante pede que as pessoas informem se ocorreu algum problema. “Já identificamos o problema, temos que identificar a extensão dele”, conta.

O problema pode ser informado para o Corpo de Bombeiros de Irati pelo telefone (42) 3907-3333.

Já no momento do socorro, o indicado é que a pessoa identifique que estava tentando ligar para o Corpo de Bombeiros de Irati. “Sempre for fazer o chamado de socorro, certifique de onde está caindo essa ligação. Se você está chamando o bombeiro e ele cair em outra central, como em Guarapuava, ou Ponta Grossa, ou outra cidade, você tem que identificar que a situação é em Irati, ouUnião, ou  Prudentópolis. Aquela central mesmo sendo de outra região, a central vai fazer o registro e vai repassar para nós”, explica.

Operadoras

O jornal Hoje Centro Sul tentou contato com as assessorias das empresas Tim, Oi, Vivo e Claro para verificar se algo foi registrado.

A assessoria da Tim explicou em nota que o pode acontecer é que a ligação é direcionada para a área associada à torre, e que os usuários devem entrar em contato para solucionar o caso. “Os telefones de emergência, como 190, 192 e 193, são números que quando discados são convertidos pela central da operadora em um número fixo comum pré-determinado pela Anatel, e direciona a chamada para a área associada à torre, o que faz com que a ligação de Irati-PR caia na Polícia Militar da cidade, por exemplo. Esta é uma ligação que não é tarifada, porém o telefone precisa de sinal, caso contrário o aparelho não funciona. Em caso de problemas de chamada para os números especiais, o cliente deve entrar em contato com a operadora via call center e lojas para a solução do problema o mais rápido possível”, diz nota.

A assessoria da Claro informou que não possui nenhum registro  de falha em sua rede e que está funcionando normalmente. “A Claro afirma que sua rede está funcionando normalmente em Irati, no Paraná. A operadora reforça que mantém todos os canais de atendimento à disposição dos consumidores, como: loja física, SAC 1052, fale conosco, chat, atendimento por carta, aplicativo e o site www.claro.com.br. A Claro reitera o compromisso de continuar trabalhando para oferecer sempre a melhor experiência aos seus clientes”, disse em nota.

A assessoria da Vivo informou que uma solicitação foi recebida e que estava sendo verificada internamente. “A Vivo informa que sua equipe técnica verificou o encaminhamento das chamadas e executou testes com atendimento do Corpo de Bombeiros (193) da localidade e não constatou anormalidades nos serviços da operadora”, disse nota.

A assessoria da empresa Oi informou que não verificou nenhum problema. “A Oi informa que após verificação de equipe técnica foi constatado que o telefone de emergência 193 de Irati está funcionando normalmente. Para realizar solicitações de reparo ou informar dificuldade em completar chamadas para os telefones de emergência deve-se ligar para a central de atendimento da Oi no telefone 10314”, disse em nota.

Reclamações

Se o usuário verificar o problema, ele possui meios para comunicar sobre a não realização do serviço. “Quando a anormalidade for detectada pelo usuário que chama, ele deve entrar em contato com a sua prestadora e fazer a reclamação. Sugere-se, também, que o cidadão informe a própria corporação dos Bombeiros, informando dos problemas. A Anatel também mantém uma central de relacionamento que recebe as reclamações de consumidores”, explica a assessoria da Anatel.

A reclamação na Anatel pode ser feita pelo telefone de segunda a sexta-feira, nos dias úteis, das 8h às 20h. O consumidor pode ligar no telefone 1331 para registrar, junto à Anatel, reclamações contra prestadoras, pedidos de informação à Agência, sugestões e denúncias sobre exploração ilegal ou irregular de serviços de telecomunicações. As pessoas com deficiência auditiva ou da fala devem ligar 1332 de qualquer telefone adaptado.

Pela internet (http://www.anatel.gov.br/consumidor/canais-de-atendimento/internet) podem registrar e acompanhar reclamações, denúncias, pedidos de informação e sugestões em relação às operadoras e à Anatel. O acesso ao sistema é feito mediante cadastro do usuário.

Pelo celular ou tablet, há o aplicativo "Anatel Consumidor" para registrar e acompanhar reclamações, pedidos de informação e sugestões. Ele pode ser baixado nas lojas de aplicativos de forma gratuita. O usuário pode utilizar o mesmo cadastro do serviço de atendimento via internet - Fale Conosco para utilizar o aplicativo.

Se houver alguma dificuldade para o registro, há ainda a Sala do Cidadão, nas capitais brasileiras. O registro de solicitações na Sala do Cidadão é realizado por meio do preenchimento de formulário.

Como funciona

Para que o usuário ligue para um número de emergência de forma gratuita, a instituição deve contratar uma prestadora de serviço, conhecida como prestadora de Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), a telefonia fixa, que gerenciará o funcionamento deste número.

 No caso, o Corpo de Bombeiros contrata uma empresa de telefonia fixa para receber as chamadas do 193. “No momento desta contratação o prestador do Serviço de Utilidade Pública, no caso os Bombeiros, definem e informa para a contratada qual a região que ele pretende atender. Assim, ele pode contratar o serviço para que uma central de atendimento receba as chamadas dos cidadãos de uma cidade, de um conjunto de cidades, de um estado, ou, até, do país inteiro. Isto é uma escolha de quem atende a demanda”, explica a assessoria da Anatel.

Quando o usuário liga pelo 193, por exemplo, a prestadora que repassa a informação. “Essa prestadora de serviço contratada então informa a todas as demais prestadoras, pelo relacionamento de Interconexão, que encaminhem para a sua rede as chamadas, conforme a definição requerida pelo contratante. A regulamentação da Anatel obriga que a prestadora de telefonia celular, em conjunto com as demais envolvidas na chamada, deve encaminhar as chamadas de emergência ao respectivo serviço público de emergência. Assim, quando um usuário pega o celular e marca o 193 a prestadora de origem da chamada verifica qual prestadora é responsável pelo serviço dos Bombeiros na região de origem da chamada e a encaminha para o destino”, relata a Anatel.

Texto: Karin Franco

Foto: Karin Franco/Hoje Centro Sul