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Edição 1119 - Já nas bancas!
15/02/2019

Moradores de Irati reclamam sobre cavalos abandonados na cidade

Moradores temem que cavalos possam se soltar e atingir um veículo em uma rodovia próxima. Eles acusam também que há maus tratos com os cavalos. Guarda Municipal se pronuncia sobre o caso.

Moradores de Irati reclamam sobre cavalos abandonados na cidade

Oito cavalos que estão em uma propriedade privada em Irati, localizado no bairro Nhapindazal, atrás do almoxarifado da Copel, preocupam os moradores que ali residem. Eles relatam que os animais estão abandonados.

Os moradores ainda comentam os animais sofrem maus tratos, já que o dono dos animais nunca está em casa. Eles também temem que os animais podem sair para BR-277, que fica às margens da propriedade.

Marcelo Nascimento de Oliveira se mudou há poucos dias para o local. Ele relata que esses animais já lhe causaram muita preocupação e incômodo. “Eu me mudei para cá na semana do dia 19 de janeiro. Umas duas semanas antes, vínhamos para arrumar a casa. Durante esse tempo, eu nunca vi ninguém tirar os cavalos do lugar, nunca vi serem alimentados, nem nada. O máximo que eu vi foi o nosso vizinho vir pegar água aqui na torneira e levar para os animais. Eu particularmente achei que os animais eram desse senhor, o meu vizinho”, conta.

Ele ainda relata que já viu os animais soltos. “Um dia vim à noite para arrumar a casa antes de nos mudarmos, e um dos cavalos estava no meio da via que dá acesso para o nosso terreno. Descemos do carro, buzinamos, mexemos com os cavalos, tinha de três a quatro cavalos atravessados. No outro dia, o caminhão veio trazer as mudanças e os cavalos ainda permaneciam ali. Eu vi o vizinho e fui reclamar. Foi quando ele me disse que não era o dono, que ele troca de lugar o animal porque ninguém vem trocar. Eu falei para ele: ‘Olha é complicado, porque minha esposa tem trauma de animal, porque ela sofreu um acidente nessa mesma rodovia, quase morreu, e provavelmente o cavalo era desse mesmo dono’”, disse.

Marcelo conta que o maior prejuízo é a água, além das plantações que esses animais acabam comendo e o sofrimento dos animais. “A minha reclamação é que a água sai do meu bolso. Dar de beber oito cavalos sai em torno de 20 litros por cavalo. No fim do mês, a água que já não é barata, sai muito mais cara. Não que eu não me preocupe com os cavalos, mas não tenho condição de ficar mantendo animais que não são meus”, relata.

Ele ainda fala da preocupação com a segurança. “O cavalo arrebenta facilmente a corda, e quando vemos que um cavalo sumiu, já ficamos assustados e vamos procurar nas vias. Já aconteceu dos cavalos estarem dentro do nosso lote, na porta de casa comendo a grama, temos a plantação de feijão que os animais vem comer, e isso acaba dando um grande prejuízo, é preciso fazer algo. Nesses dias que estou aqui, a única vez que vi o dono dos cavalos foi quando um dos animais estava doente, deitado, quase morrendo, e a Guarda Municipal bateu na casa dele. Mas para ele está conveniente deixar os animais aqui, estamos alimentando eles para que não aconteça algo pior”, explica.

Marcelo conta que chegou entrar em contato com a Guarda Municipal, mas não houve nenhuma solução. “Eu liguei para a Guarda Municipal. Eles vieram e constataram que poderia ser um risco esses animais indo para a BR. Disseram que tem um programa do município que recolhe esses tipos de animais em vias e em espaços urbanos. Retornaram outro dia e um dos agentes, veio e disse que os cavalos não estão em maus tratos. Aí contei que o animal estava há mais de 10 dias sem água e comida, tomando chuva e sol tudo no mesmo lugar, mostrei as fotos dos animais enroscados, fui explicando para ele. O que ele disse foi o seguinte:‘Se não é maus tratos, quem teria que reclamar é o dono do terreno’”, contou.

Dono do lote

O dono do lote que preferiu não se identificar, contou que há cerca de dois anos pede para o dono dos cavalos retirar os animais e ele não aceita. Diz também ter entrado em contato com a Guarda Municipal e a Polícia, mas não consegue resolver a situação. “Ele não cuida, não dá comida, nem água, meu cunhado que vai dar água para os cavalos por dó. Uma das vezes que conversei com o dono, falei para ele que os animais estavam sofrendo com o frio e há muito tempo sem beber e ele me disse: ‘Os cavalos ficam tempo sem beber, ele tem coro,ele aguenta’. Eu falei não quero esses cavalos aqui, além de estar sofrendo está correndo risco de ir para a BR. Ele simplesmente me deu as costas e eu não sei o que fazer. Chamei a Polícia a Guarda Municipal pra ver o que dá para fazer, mas não resolveu nada”, explicou.

O proprietário do lote conta que a grande preocupação é que um desses animais possa sair para a BR e acabar causando um acidente, além do próprio sofrimento dos animais. “Minha preocupação é que corre o risco de um desses animais sair para a BR e acabar causando um acidente. Dia de geada, o cavalo fica coberto de geada amarrado no mesmo lugar. Pedi para tirar os cavalos, chamei a Guarda Municipal três vezes, o vizinho chamou também e fez uma denúncia de maus tratos”, contou.Ele diz que não fez uma denúncia formal por medo de represálias.

Guarda Municipal

Em contato com a Guarda Municipal, o comandante Everaldo Lejambre contou que nada pode ser feito nesse caso em específico, visto que a lei prevê a apreensão de animais em espaços públicos e os animais encontram-se em propriedade privada.

“Sobre esse caso em especial, os cavalos se encontram em propriedade particular. Estão no meio de um pasto, eles estão comendo, estão recebendo água, aparentemente não estão sofrendo maus tratos. AGuarda só pode agir quando esse animal estiver solto na via. Um animal que possa estar oferecendo risco para o trânsito, nessa situação que poderíamos recolher. A Guarda vai, identifica, dá o apoio e recolhe, mas nesse caso específico, não tem nada que possa ser feito e aparentemente não existe maus tratos.Como os animais estão em propriedade particular, não temos amparo para fazer recolhimento. Essa é uma questão entre o dono do terreno e o dono dos animais, é um acerto deles”, disse.

Texto: Da Redação/HojeCentroSul

Fotos: Jonas Stefanechen/Hoje Centro Sul

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