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Edição 1135 - Já nas bancas!
13/02/2019

Mortes por afogamento marcam este início de ano na região

Mortes por afogamento marcam este início de ano na região

Apesar de não serem frequentes, os casos de afogamentos têm sido marcantes no início deste ano, principalmente por causarem vitimas fatais na região.

Uma das vítimas, em janeiro, foi um adolescente de 16 anos que morreu em Fernandes Pinheiro. Ele estava brincando em um tanque de peixes, e como não sabia nadar, quando caiu, acabou se afogando.

Na última semana, em Prudentópolis, dois homens morreram ao tentar salvar um jovem de 14 anos que estava se afogando no Rio dos Patos. Todos os três, que eram da mesma família, morreram afogados.

Em Mallet, dois jovens também morreram por causa de afogamento. Segundo testemunhas, um dos jovens tentou salvar o outro que estava se afogando e acabou não conseguindo.

Foi em Mallet, também que outro caso chamou a atenção na última semana. Um homem caiu em um rio com sua bicicleta, depois de perder o equilíbrio por causa de um caminhão que passava pela ponte. Ele chegou a ficar mais de duas horas pedindo socorro, até a Polícia Militar de Mallet chegar ao local e salvar o homem.

Ajudar pode ser perigoso

Muitos dos casos fatais registrados na região ocorreram porque as pessoas tentaram salvar quem estava se afogando. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Irati, capitão Jorge Augusto Ramos, essa é uma prática que não é indicada, especialmente para quem não possui técnicas de salvamento. “A questão do afogamento é uma fatalidade bastante complexa. Ela parece ser muito simples, e muitas vezes as pessoas que sabem nadar acham que têm a capacidade de tirar alguém da água. Mas dentro do meio líquido, dentro da água ou outro meio líquido, a força é dissipada. Não é quanta força, é quanta técnica você tem”, explica.

Uma das razões é que quem está se afogando, por um instinto de sobreviver, simplesmente busca por algo para se agarrar, sem raciocinar muito nas suas ações. Nesta situação, a vítima pode acabar fazendo com que o outro também se afogue. “Ele pega o que estiver na frente. Quando pega uma pessoa, quando a pessoa chega muito perto sem técnica, a reação da pessoa é agarrar e não soltar”, disse.

O indicado é que a pessoa que está tentando salvar a vítima jogue algo para que ela possa boiar. “Ao invés de você tentar acessar aquela vítima e pegar ela com as mãos e trazer para margem, se você não tem técnica, você pode oferecer um objeto flutuante para ela. Uma garrafa pet já é suficiente. Ela usa como boia e vai ter um pouquinho mais facilidade de ficar flutuando. Aí você pode utilizar um galho ou até a própria roupa, uma calça jeans que comumente as pessoas usam, ela tem um tecido mais comprido e consegue ofertar esse meio para puxar para a margem”, explica.

No caso dos bombeiros, ele destaca que há técnicas de salvamento para casos em que não é possível salvar sem acessar o local do afogamento. “Se isso acontecer também, muitas vezes não teve outra maneira, o que o guarda-vida faz nesse momento: ele afunda com a vítima, a medida que ele afunda, a vítima quer o ar, a tendência dela é soltar. Então ele praticamente mergulha com a vítima, se desvencilha da vítima, toma a posição às costas da vítima. E aí tenta tirar. O guarda-vida nunca tenta tirar de frente, a não ser que seja um local mais raso, em que ele dá a mão para pessoa e puxa para a margem”, relata.

Prevenção

A prevenção é um meio para que o momento de diversão não se torne uma tragédia. Segundo o comandante, antes de ir ao local, as pessoas podem se preparar levando alguns itens como boias, colete salva-vidas ou até mesmo cordas. “Sempre levar ao local, flutuadores ou boias. Se você não tem recursos para comprar um colete salva-vida ou uma boia, use materiais improvisados. Pode ser uma garrafa pet, aquela caixa de isopor que as pessoas utilizam para levar uma bebida, levar um lanche, para refrigerar o lanche, ela também flutua, o estepe do carro, vários meios você tem para lançar”, explica.

Além disso, se organizar para ir em grupo é importante. “Nunca estar sozinho em locais para se banhar, ou atividade de pescaria, de veraneio, qualquer tipo de atividade no meio líquido. E crianças nunca estar sozinhos. Um grupo de crianças está desprotegido, tem que estar sempre com um adulto ou responsável”, alerta.

Outro cuidado é que quem irá nadar em rios sempre analise onde irá. “Quando vai nadar em tanques e rios, sempre nadar em locais que não são desconhecidos. Sempre temos pedras submersas, muitas vezes a enxurrada traz um pedaço de cerca, paus, uma árvore que caiu e você não está vendo. E principalmente, se a pessoa irá fazer mergulho, pular de uma árvore, de um barranco, de uma pedra, pode acontecer um acidente diferente, como mergulhar e se chocar com um objeto dentro da água. Normalmente registramos, nesses casos, lesões sérias, pessoas tetraplégicas, paraplégicas”, relata.

As cachoeiras também precisam de cuidados especiais porque os locais podem trazer profundidades diferentes. “Essa do Rio dos Patos em Prudentópolis, de um lado tem cerca de 18m e no outro quase 50m. Então isso faz com que gere muita corrente interna na cachoeira. Às vezes, a pessoa não sabe nadar, acha que é raso, acha que é bonito, mas uma corrente que pega ela vai ter problema e de repente se afogar por isso”, conta.

Mas se algo acontecer, a dica é não nadar contra a correnteza. “Você sempre nada ou a favor dela, tentando sair, ou você nada pelas laterais, onde tem menos resistência”, aconselha.

Para quem vai nas piscinas ou balneários, é importante verificar se o local oferece guarda-vida. O comandante destaca que a presença é obrigatória.

Quem tiver boias que não estão presas ao corpo precisa de atenção. “Essa pessoa pode ir a um local mais profundo e perder a boia, como temos alguns registros.Criança pequena e pessoa que não sabe nadar, mesmo com boia, tem que estar sempre em local de que dá pé”, disse.

Litoral

No litoral, o começo do ano também é marcado pelo aumento dos afogamentos. Desde o início da Operação Verão, foram 13 óbitos e 776 salvamentos segundo o Corpo de Bombeiros do Paraná. Os óbitos ocorreram principalmente em áreas que não há guarda-vidas.

Por isso, a dica para quem vai ao litoral é procurar estar perto de guarda-vidas e ver a orientação das bandeiras. “Os guarda-vidas no litoral colocam as bandeiras indicando o local próprio para o banho, local com perigo e local proibido. Nunca entre em local proibido para o banho”, explica o comandante.

A orientação deve ser seguida porque as correntes de retorno – motivo da maioria das mortes – são difíceis de serem observadas. “Temos tanto corrente no sentido da praia, quanto aquela corrente de retorno, que é toda a água que vem com a onda, ela volta para o canal. Então, quando as pessoas caem, tanto na vala, quanto no valão, nesses canais, ela tem uma possibilidade grande de afogamento porque a água em pouco tempo vai jogar a pessoa lá para o mar aberto e leva a pessoa que não sabe nadar ou mesmo quem tem pouca prática com natação”, alerta.

 

O que fazer?

- Comunique imediatamente as autoridades responsáveis: se não tiver sinal de telefonia, procure o local mais próximo. Ao comunicar,preste atenção onde você está. Dê referências, ou indique pessoas que saibam chegar ao local.

- Não acesse o local de afogamento.

- Jogue algo que flutue para ajudar a vítima. Se não tiver boia ou coleta salva-vida, objetos como garrafa pet, isopor, estepe de pneu ou qualquer outro objeto que boie pode ajudar nesse momento.

- Alcance algo que a vítima possa agarrar e ser puxada. Pode ser cordas, roupas como calças jeans, galhos, ou qualquer outro objeto que você consiga puxar para a margem.

 

Antes de ir

Antes de ir a um local como rios, cachoeiras, praias, procure seguir as seguintes dicas:

- Vá em grupo. Caso algo aconteça, há mais pessoas que podem ajudar.

- Verifique se o sinal de telefone funciona no local onde está. Se não, procure um local próximo que possa funcionar.

- Avise a alguém para onde você vai. Essa pessoa pode tanto ajudar a chamar ajuda em alguma ocasião, como até mesmo levar as autoridades ao local onde você está.

- Leve algo que flutue. Boiais e coletes salva-vidas são boas pedidas. Aproveite e leve cordas ou objetos que possam ajudar caso haja algum afogamento ou emergência.

- Caso vá usar um barco, o colete salva-vidas é obrigatório.

- Se não sabe nadar ou não tem muita prática, não se arrisque. Fique em locais que dê pé e que não sejam muito fundos. Água na altura do umbigo é um limite seguro para o banho.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos:Arquivo/Hoje Centro Sul

 Assessoria Corpo de Bombeiros

 Tadeu Stefaniak/Najuá

 Reprodução/Facebook

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