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Edição 1158 - Já nas bancas!
06/02/2019

Região terá perdas nas culturas de soja e feijão

Região terá perdas nas culturas de soja e feijão

A estiagem no fim do ano passado deverá causar prejuízos na colheita desse ano, especialmente em culturas como a soja e o feijão. Dados revelados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), do Núcleo Regionalde Irati da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que a região, que abrange nove municípios, deverá seguir a tendência de perdas na lavoura estadual, que diminuiu as estimativas iniciais de produçãode 22,5 milhões de toneladas para 20,4 milhões de toneladas de grãos.

Feijão

Uma das principais perdas na região será na cultura do feijão, que teve uma redução de 10% na estimativa de produção na 1ª safra.

Inicialmente, era estimado que a região produzisse 55.370 toneladas de feijão. Mas com a colheita de 70% dos 30 mil hectares dedicados à cultura, a estimativa de produção caiu para 49.650 toneladas.

A estimativa de rendimento por hectare também caiu. Inicialmente, se esperava colher 1.826 quilos por hectare na região. Agora, a média está em 1.550 quilos por hectare.

Somente Irati, deverá produzir 5 mil toneladas a menos do que o esperado inicialmente.

A redução acontece também no estado, que registrou uma perda de 19% na produtividade. Agora a estimativa é que o Paraná produza 260 mil toneladas na primeira safra do feijão. Segundo a Seab, os produtores no estado deverão ter uma perda de R$ 171 milhões.

Soja

Com 10% da soja colhida na região, a produtividade das lavouras na região de Irati também poderá seguir a tendência de perdas que vem ocorrendo no estado, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).

Os números mostram que haverá uma quebra de safra de 12% na cultura da soja no Paraná. A estimativa inicial de 19,5 milhões de toneladas foi reduzida para 16,8 milhões de toneladas, o que pode representar uma perda de R$ 3 bilhões na receita dos produtores do estado. Regiões como Toledo, Umuarama, Campo Mourão, Francisco Beltrão e Paranavaí estão entre as principais com maiores perdas.

Apesar dos dados negativos no estado, a região de Irati aparece como uma das únicas menos afetadas, sendo uma das únicas com menos perda de rendimento. Segundo dados do Deral, a região aumentou em 2% a área plantada de soja, que está num total de 175.500 hectares. A estimativa inicial é que sejam colhidos 605.474 toneladas de soja.

No entanto, a engenheira agrônoma do Núcleo Regional de Irati da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SEAB), Adriana Baumel, alerta que os números divulgados, apesar de serem positivos, podem não estar mostrando a realidade. Isso porque eles não incluem os números da colheita que iniciou há pouco tempo na região. “Isso era estimativa, porque começamos a colheita agora da cultura da soja, então ainda aqui não foi colocado como colhida. E as outras regiões, que é mais adiantada a colheita, por isso já diminuiu. O nosso não. Mas vai diminuir”, disse.

Com 17.550 hectares colhidos, já é possível vislumbrar uma diminuição na produtividade. “As primeiras colheitas, a produtividade foi de 2.500 kg por hectare. A nossa estimativa aqui na região era de 3.500 kg por hectare. Essas foram as primeiras sojas colhidas em janeiro”, explica. Grande parte da soja colhida até o momento foi dos municípios de Teixeira Soares e Imbituva.

Ciclo menor

As perdas que ocorrem no estado, e que devem ocorrer na região, tiveram origem nos dois últimos meses do ano passado, quando houve seca e um forte calor.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu pouco em Irati. No acumulado, novembro teve apenas 76,6mm e 56,4mm em dezembro. Já em janeiro, o volume mais que dobrou acumulando até o início da semana 141,7 mm.

O cenário de estiagem causou interferência no desenvolvimento da cultura. “A seca diminuiu o ciclo das plantas”, explica a engenheira agrônoma.

Assim, o agricultor está colhendo antecipadamente, especialmente a soja. “Esse ano está adiantando o ciclo em pelo menos 20 dias. Em janeiro tinham algumas colheitas, mas não chegava a 1%. Esse ano já chegou a 10%. Em fevereiro, começava no final do mês a colheita mais forte. Esse ano, será no início de fevereiro. Estão colhendo antes por causa da estiagem”, relata.

No caso da soja, outro fator foi o Vazio Sanitário, em que os produtores tinham até 31 de dezembro para plantar soja. Por causa da estiagem, alguns produtores perderam o prazo porque acharam se estenderia, o que não ocorreu. “O ano passado que choveu muito em dezembro, deram mais 15 dias para plantar. Esse ano acharam que iam dar para a estiagem, e acabou não dando a prorrogação”, disse.

Milho

O milho da primeira safra também teve as estimativas reduzidas na região de Irati, apesar de não apresentar uma perda significativa.

Houve uma perda de quase 5% e a produção é estimada atualmente em 228.625 toneladas.

Até o momento, 20% do milho da 1ª safra foram colhidos na região. Ao todo, 28.940 hectares de terras foram destinados à cultura na região. O rendimento atualmente da colheita atualmente está em 6.500 quilos por hectare.

Maiores produtores

Soja

Na cultura de soja, Teixeira Soares lidera com maior área de plantio, 39 mil hectares estão dedicados à cultura. A estimativa inicial é que a produção seja de mais de 136 mil toneladas de grãos.

Em seguida está Irati, com 32,5 mil hectares de plantio de soja. A estimativa inicial é que haja uma produção de mais de 105 mil toneladas.

Apesar de Rebouças ter a terceira maior área plantada (25 mil hectares), Imbituva deverá ultrapassar o município na produção. A estimativa inicial é que Imbituva produza 84 mil toneladas em 24 mil hectares. Em Rebouças, a estimativa inicial é de 81,25 mil toneladas de produção.

Feijão

Irati lidera no plantio de feijão com 7.500 hectares dedicados à cultura. A estimativa inicial de produção é 14.900 toneladas.

Em seguida está Imbituva, com uma área plantada de 5.050 hectares. A estimativa inicial é de uma produção de 10.581 toneladas.

Milho

No milho, Irati lidera novamente na produção, tendo 7.410 hectares de área plantada e uma produção prevista de 61.874 toneladas.

Apesar de ter a segunda maior área plantada para o milho da 1ª safra, Rio Azul perde para Teixeira Soares nas estimativas de produção prevista. Em Rio Azul, 4.940 hectares foram plantados com milho, tendo uma estimativa inicial de 38.779 toneladas. Já Teixeira Soares, com 4.730 hectares dedicados à cultura, tem uma estimativa inicial de produção de 43.043 toneladas.

Batata

A colheita da primeira safra da batata já foi finalizada na região. Ao todo, foram 29.250 toneladas colhidas nos 900 hectares dedicados à cultura nos municípios do Centro Sul. A produção obtida foi de 32.500 quilos por hectare.

Para a segunda safra, 825 hectares serão dedicados à cultura. Com 70% de plantio, a estimativa de produção é de 30.800 toneladas nesta segunda safra.

Texto: Karin Franco

Foto: Arquivo/Hoje Centro Sul

Soja/ milho – Agência Estadual

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