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Edição 1099 - Já nas bancas!
03/12/2018

Irati é palco de discussões nos 16 Dias de Ativismo contra Violência à Mulher

Irati é palco de discussões nos 16 Dias de Ativismo contra Violência à Mulher

Diversas programações estão ocorrendo em Irati durante o evento intitulado “16 dias de ativismo contra violência à mulher”. Uma das primeiras programações foi a IV Feira da Cidadania – Ação & Cidadania, promovida pela Unicentro, que aconteceu no dia 20, na Câmara de Vereadores de Irati.
Durante o evento, a desembargadora Dra. Lenice Bodstein, que é coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Famílias (CEVID-TJ-PR), realizou a palestra “Mulher, violência doméstica e o Sistema de Justiça”.
Para Katia Alexsandra dos Santos, coordenadora do Núcleo Maria da Penha da Unicentro, o evento foi de grande importância para realizar algumas conversas sobre o tema. “A presença da desembargadora aqui no município foi muito importante. Ela vem passando por vários municípios. Ela organiza tudo que se tem colocado em termos de ações relacionadas aos órgãos e que estão ligadas ao Poder Judiciário que fazem algum trabalho relacionado à violência contra mulher”, disse.
O trabalho desenvolvido pela desembargadora é de colher dados, observando o que cada cidade vem desenvolvendo para o combate da violência contra a mulher. “E a partir disso ela vai construindo meio que um banco de dados, vendo o que está dando certo, o que não está, o que está funcionando, o que não está, e a partir disso é possível fazer uma troca, então eu acho que a experiência dela é bem bacana para nós”, comenta Kátia.
Na ocasião, a desembargadora pode conhecer como é realizado o trabalho em Irati. “Para nós em especial, acredito que foi uma oportunidade de divulgar os trabalhos do Núcleo, que não é um equipamento da rede, mas acaba fazendo às vezes, porque é um projeto de extensão e está ligada a uma prestação de serviço pela universidade”, fala a coordenadora. 
 

Dificuldades e atendimentos


Katia ainda cita as dificuldades enfrentadas pelas mulheres vítimas da violência em Irati. “Não tem delegacia especializada, não tem um centro de referência para atendimentos de mulheres em situação de violência, então acaba que ocupamos o lugar, embora ainda estejamos bem no começo das nossas atividades”, destacou.
O Núcleo Maria da Penha vem crescendo. Nesse ano foram oferecidos atendimentos psicológicos e judiciários para mulheres vítimas da violência. “Esse ano, com a atuação da área do Direito no projeto, temos acompanhado as mulheres na delegacia para fazer registro de boletim de ocorrência. Esse ano, nós já participamos desses três momentos que tem da Semana da Justiça pela Paz em Casa. Nós também participamos do mutirão de audiências que teve em relação à Maria da Penha. O nosso representante participou de 26 audiências, defendendo as mulheres”, explica Kátia.
As mulheres que procuram o atendimento do Núcleo podem contar com o auxílio em diversos setores, como divórcio e pensão, mas a localização dos atendimentos ainda é a maior dificuldade. “Os atendimentos psicológicos também tem tido uma grande procura, as mulheres tem aparecido. A nossa grande dificuldade é a localização, grande parte da população que precisaria acessar o serviço acaba não tendo condições financeiras de vir até aqui. E também tem uma questão que nem todas as pessoas se sentem bem para conversar na universidade, então temos algumas dificuldades ainda nesse sentido”, disse Kátia.
Para sanar essas dificuldades enfrentas pelo Núcleo, foi proposto pelo Conselho da Comunidade que uma vez por semana os atendimentos sejam realizados no espaço do Conselho no próximo ano.
 

Atividades


Além das palestras realizadas, outros eventos estão ocorrendo durante todo o mês de novembro. “Essa semana parte da nossa equipe vai estar na rádio fazendo a divulgação do projeto, falando sobre a violência, sobre formas de denúncia. Também teremos várias ações em algumas localidades do município, todas as tardes dessa semana vão ter representantes fazendo ações pontuais nos bairros, vão conversar com as pessoas, vão divulgar, informar em relação da forma de denúncia, em relação mesmo aos serviços que temos, muitas pessoas nem sabem onde procurar ajuda”, fala Katia.
Avanços no último ano
No último ano, Irati teve um grande desenvolvimento em relação à violência contra mulher, é o que diz Kátia. “Esse ano houve um percurso interessante no que diz respeito à violência contra a mulher, porque eu considero que houve uma evolução significativa. Acho que eu poderia pontuar algumas: o Conselho da tivemos uma reformulação do Conselho da Mulher com a participação de outras pessoas, da comunidade, representações, também o lançamento do projeto Botão do Pânico que é um projeto que está sendo botado em prática aqui no município”, salienta.
Lançado, o Botão do Pânico busca atender mulheres que já fizeram denúncia contra seus parceiros e estão sobre a proteção do estado. Porém, o projeto ainda precisa de várias adequações para sair do papel. “Já foi lançado, mas ainda temos uma necessidade de ter a Guarda Municipal, possivelmente à Patrulha Maria da Penha para fazer o atendimento, mas as coisas já estão caminhando”, explica Kátia. 
 

Programação


Nos próximos dias, a programação será sempre desenvolvida das 9h às 16h, e terá conteúdo abrangente e diversificado.
Dia 28 (quarta-feira), o evento será na Vila Matilde, na quadra de areia. 
Dia 29 (quinta-feira), a equipe da Assistência Social estará no Centro de Convivência do Nhapindazal, situado na Rua José Pabis, ao lado da quadra de areia.
Dia 30, as ações ocorrerão no Centro de Convivência do Rio Bonito, situado à Rua Expedicionário José de Lima, no Bairro Rio Bonito.

Ativismo presta homenagens a irmãs mortas em 1960


Os 16 Dias de Ativismo começaram em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), iniciaram uma campanha com o objetivo de promover o debate, e denunciar as várias formas de violência contra as mulheres no mundo.
A data é uma homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, que se posicionaram contrárias ao ditador Trujillo, ficando conhecidas como “Las Mariposas”, e sendo assassinadas em 1960, na República Dominicana.
O evento discute propostas contra a Violência de Gênero e é uma campanha internacional de combate à violência contra mulheres e meninas. No Brasil, é realizada desde 2003.

Texto: Silmara Andrade

Foto: Agência Câmara