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Edição 1099 - Já nas bancas!
03/12/2018

Alunos protestam contra fechamento do Colégio São Vicente

Protesto percorreu principais ruas de Irati

Alunos protestam contra fechamento do Colégio São Vicente

Alunos, professores e funcionários do Colégio Estadual São Vicente, em Irati, realizaram um protesto na segunda-feira (26) contra o fechamento do colégio.
O protesto passou pelas principais ruas, como a Rua Dr. Munhoz da Rocha e seguiu em direção ao Núcleo de Educação de Irati. No local, alunos colocaram diversos cartazes, além de faixas pretas que carregavam.
O ato aconteceu após a equipe do colégio verificar que o sistema onde é realizado matrículas e rematrículas não foi aberto para as turmas de 6º ano do Ensino Fundamental e 1º ano do Ensino Médio. Na última semana, o chefe do Núcleo de Educação de Irati, Cleto Antônio Castagnoli, confirmou o fechamento gradual do colégio. 
Sem matrículas
A diretora Margareth de Fátima Piazzetta Antunes disse que o colégio não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o fechamento. Antes da impossibilidade de realizar as matrículas, a equipe diretiva apenas soube através da secretária estadual de Educação, Lúcia Côrtes, de que a escola seria transferida para a Escola Mercedes Braga. No entanto, após uma visitação foi visto que a escola não conseguiria comportar a todos. 
A diretora comenta que o colégio foi pego de surpresa. “Até 11 de novembro nós tínhamos no programa do SERE (Sistema Estadual de Registro Escolar) todas nossas turmas abertas. No dia 19 de novembro, ao acessarmos o programa, nós vimos que cessaram nossa turma de sexto, cessaram nossas turmas de primeiro e nos deixaram somente no período da manhã”, disse.
Ela conta que não houve contato do Núcleo Regional de Educação para comunicar o impedimento das matrículas. “Já vai para o quarto ano essa situação. Chegar no final do período letivo dessa maneira é muito angustiante, estressante, tanto para pais quanto para alunos, mas é muito preocupante por conta dos profissionais que trabalham  nesse colégio, até porque você veja que estamos aqui por causa da nossa formação, por causa de um concurso público prestado ao Estado. Nós devemos sempre estar de acordo com o estado, só que numa situação dessa, as pessoas se desesperam porque não tivemos nem a opção de participar do concurso de remoção”, comenta.
Reinvindicações
No final do protesto, a diretora protocolou um documento com reinvindicações no Núcleo Regional de Educação. No documento há pedidos para que as turmas não sejam encerradas e para que possa haver negociações no próximo ano.
Segundo a diretora, as turmas não podem ser encerradas porque professores e funcionários prestaram concurso para 40 horas. Com o funcionamento do colégio apenas no turno da manhã, professores e funcionários cumprirão apenas 20 horas. “Nós estamos totalmente perdidos por conta de que temos professores e funcionários que tem dois padrões de 20 horas. Tem professores e funcionários com um padrão de 40 horas. No entanto, agora estão tirando as 20 horas, então vai restar apenas 20 horas. E as outras 20 horas? Nós vamos para onde?”, relatou.
Motivo
De acordo com o Núcleo Regional de Educação de Irati, o motivo para o encerramento gradual é a diminuição de alunos ao longo dos anos, o que inviabilizaria o preço investido no prédio.
A diretora do Colégio São Vicente disse que não concorda com a justificativa. Segundo ela, mesmo com as constantes ameaças de fechamento, o número de matrículas cresceu.  “Nós temos 407 matrículas – matrículas é o tanto de vezes que o aluno está matriculado, incluindo a Sala de Recursos e o Programa do Empreendedorismo. Desde 2015 estamos na luta contra o fechamento do colégio. É obvio que o número de alunos nossos não seria um número muito maior do que quando iniciamos aqui. Até por conta do fechamento, nenhum pai que tenha um filho indo pro sexto ano, vai fazer a matrícula dessa criança num colégio que está prestes a fechar. Mas mesmo assim, de ano a ano está aumentando o número de alunos nossos. E os alunos que nós temos são alunos que realmente querem ficar conosco”, disse.
Para ela, se essa fosse a justificativa, a escola teria que ser comunicada no início do ano. “Nós devíamos ser procurados antes, no início do ano letivo e não no final do ano letivo, até por conta de que o contrato de locação vai até 2019. Então fomos pegos de surpresa. Estamos sem rumo porque tínhamos 40 horas, agora não temos. A Secretaria ainda não chamou a Sociedade para conversar sobre aluguel, visto que há um protocolo em cima disso. Então, vamos para rua, mas estamos incertos com o que vai acontecer com todos. Com alunos, professores, com os funcionários, no dia de amanhã”, disse.

Aluguel


O prédio onde o colégio está instalado é pertencente à Sociedade Educacional de Irati Ltda. Através de uma licitação, o Estado paga R$28.500,00 de aluguel. No entanto, o valor pago é reajustado de acordo com o índice oficial, o que faz com que o aluguel atualmente esteja no valor de cerca de R$ 34 mil.
De acordo com o assessor da Sociedade, Edélcio José Stroparo, um documento foi protocolado junto ao Núcleo Regional de Educação de Irati. “Se o Estado não está contente com a situação, os contratos podem ser renegociados. O que tem que deixar claro é que desde 2014 até hoje, jamais a nossa Sociedade foi procurada para qualquer renegociação. Jamais. Ao contrário, o Estado só ameaça fechando a escola. Mas não propõe nenhuma espécie de negociação”, comenta. Ele ainda ressalta que o valor do aluguel foi revertido em reformas custeadas pela Sociedade.
No documento, a Sociedade propõe que a área locada seja somente dos espaços que serão utilizados, assim o valor do aluguel poderia diminuir, já que corresponderia somente a esses espaços. “Nosso interesse não é tanto o aluguel, nosso interesse é que a escola permaneça”, disse.

Texto/Fotos: Karin Franco

 

 

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