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Edição 1093 - Já nas bancas!
07/11/2018

Dia de Finados: Fieis atribuem milagres às “santas populares”

Elas não são beatificadas ou canonizadas, mas fieis atribuem histórias de milagres a elas. Conheça as histórias de Albertina e irmã Anatólia

Dia de Finados: Fieis atribuem milagres às “santas populares”

Em 2 de novembro é celebrado o Dia de Finados, data em que muitos homenageiam seus entes queridos que já faleceram.  Nos cemitérios de Prudentópolis e de Irati há túmulos que recebem, além dos familiares,  grande número de visitantes para agradecer bênçãos que acreditam terem recebido ou para fazer pedidos.

Um desses túmulos é da professora Albertina Nascimento dos Santos, enterrada em Irati. Em sua lápide podem ser encontradas muitas flores e placas que simbolizam a gratidão dos fieis que a visitam todos os anos o local. O outro é de irmã Anatólia, que morreu no ano de 1955, vítima de gangrena. Localizado em Prudentópolis, o túmulo também é enfeitado por placas e flores, em agradecimento.

Sem muitos registros históricos, o túmulo de Albertina no Cemitério Municipal de Irati se tornou um local de peregrinação há muito tempo. Fieis veem na figura da professora uma santidade e atribuem diversos milagres a ela.

Segundo Araci de Lurdes Silveira, a história de milagres passa de geração a geração, e a visitação acontece desde a época de sua morte. As pessoas visitam, fazem seus pedidos e agradecem às bênçãos. “As pessoas vinham e vem pedir graças a ela e ela atende. Eu conheci muita gente que já foi atendido”, conta.

Estevo dos Santos é responsável pelo Cemitério Municipal há 25 anos e confirma as poucas informações sobre a professora que faz milagres. Ele conta que o local onde Albertina está enterrada não possui nenhum dado. No livro onde constam informações sobre os falecidos e enterrados no local, está descrito apenas o nome e o local onde está o corpo de Albertina.

Já em Prudentópolis, a história de milagres da irmã Anatólia se tornou famosa em diversos estados brasileiros. Os milagres concedidos chamaram atenção e um processo de beatificação de irmã Anatólia foi aberto em 1993 para reunir os relatos de graças alcançadas.

Para Roseli Iaguella Sybrux, a recuperação de sua filha Maria Eduarda Sybrux é um dos milagres concedidos pela irmã Anatólia. “A Maria Eduarda tinha uns dois, três anos. Ela começou a ter muita tosse, uma tosse seca, que parecia que machucava. Eu levava ela na pediatra e ele dava um xarope, um antialérgico, e dizia para aguardar, mas aquilo não melhorava”, conta.

Mesmo com todos os remédios, a menina não melhorava, sempre tinha crises e dificuldades para respirar. “Acabei levando ela em um otorrino que vinha aqui em Prudentópolis. Esse otorrino atendeu ela, deu uma medicação e mandou ela voltar com 15 dias. Eu voltei na consulta e ele disse: ‘Olha mãe eu tenho meu consultório em Guarapuava, eu quero que você pegue a Maria Eduarda e vá lá para fazermos a cirurgia dela. O valor é R$2.400,00, eu tenho que tirar as amígdalas dela. É devido à adenoide’”, relata a mãe.

Depois do diagnóstico de que a menina precisaria passar por uma cirurgia, a mãe ficou inconsolável. “Eu saí lá do consultório desesperada porque ela é uma criança. Foi um diagnóstico muito rápido, muito drástico, sem exame, sem nada. Só simplesmente olhou e quis fazer a cirurgia”, diz.

Em busca de uma segunda opinião, Roseli buscou atendimento para Maria Eduarda em Guarapuava. O médico que atendeu a menina na ocasião decidiu realizar um tratamento durante seis meses antes de pensar em realizar uma cirurgia.  “O médico me alertou que toda a cirurgia de garganta, independente do que for, tem um risco e que precisávamos ficar cientes disso. Então, ele comentou que ela faria um tratamento durante seis meses, destacando que se ela não melhorasse, a cirurgia seria feita”, conta.

A mãe de Maria comenta que com quase seis meses de tratamento a menina não melhorava. O desespero já estava tomando conta da família. Ela acreditava que na próxima consulta a cirurgia seria marcada. “Estava dando quase uns seis meses de tratamento. Meu esposo chegou do serviço. Já estava escuro, era inverno, estava muito frio naquela época. Ele chegou e eu falei que a Maria Eduarda não estava bem de novo, estava com febre, com tosse, não estava legal. Nós não tínhamos dinheiro para gastar, para comprar remédio e pagar a consulta”.

Em meio ao desespero por verem a filha doente e sem nenhuma expectativa de melhorar, a família decidiu pedir intercessão à irmã Anatólia. “Meu marido falou para fazermos uma novena para a irmã Anatólia. Então, perguntei como faríamos a novena. Ele disse para fazermos no túmulo da irmã Anatólia. Já era noite, o cemitério já estava fechado, mas ele sugeriu que a novena fosse feita do lado de fora do cemitério, já que ele estava fechado. Então durante nove dias fizemos a novena do lado de fora. Ele chegava todo dia do trabalho, nós a enrolávamos naquele frio, colocávamos no carro e íamos fazer as novenas”, explica.

Foi então que o milagre começou a acontecer. Depois de alguns dias, Maria Eduarda começou a mostrar sinais de melhora. A tosse foi diminuindo e ela foi ficando mais forte. “No dia da consulta o médico a examinou, eu fiquei parada olhando para ele. Então ele perguntou o que eu tinha feito para ela. Eu falei que não tinha feito nada, que só tinha dado o medicamento que ele tinha passado. Ele ficou surpreso com a melhora da minha filha. Comentou que amígdala quando aumentada, ela não diminui sozinha, ela apenas estabiliza. No caso de Maria Eduarda, as amígdalas murcharam, apesar de todo o frio que estava fazendo”, relata.

Ela só notou que poderia ser um milagre, quando o próprio médico mencionou a palavra. “Falei para o médico que nos últimos dias ela estava bem. Ele olhou para mim e disse que parecia um milagre. Então lembrei das nove novenas. Na hora eu me arrepiei, mas fiquei quieta, eu não sabia de que religião ele era, se ele acreditava ou não”, recorda Roseli.

Curada, Maria Eduarda recebeu alta. “Ele disse que não estava acreditando o que tinha acontecido com a Maria Eduarda. A adenoide dela diminuiu, a amígdala simplesmente desinchou, ela melhorou da sinusite e eu sai de lá comemorando. Depois de três, quatro anos a gente viu que era uma graça confirmada. Ela não tem dor de garganta, não tem problema no nariz, ela não tem nada”, comenta.

Depois da cura da filha, Roseli presenciou outros milagres atribuídos à irmã Anatólia. Um deles foi a gravidez de uma amiga. Roseli realizou a novena pedindo que a amiga engravidasse, já que estava na idade limite de ter filhos. O pedido foi atendido e a amiga está grávida. Outro pedido realizado por Roseli era em decorrência a sua saúde, que foi mais uma vez foi atendido pela madre.

 

Albertina do Nascimento

Não há muitos registros oficiais sobre a história de Albertina do Nascimento. Sem muitas datas e fatos de sua vida comprovados. Sua vida e morte são contadas de forma oral, de geração a geração. “A história é muito antiga. Os meus familiares contavam que ela era professora e que estava grávida. O seu marido era muito ciumento e em um certo dia ele chegou em casa bêbado e botou fogo em seu corpo”, conta Araci de Lurdes Silveira.

Apesar da fé das pessoas que atribuem milagres a ela, Albertina do Nascimento não é reconhecida como santa pela Igreja Católica.

 

Irmã Anatólia

Irmã Anatólia Tecla Bodnar nasceu em 29 de março de 1884, em Zhuzhelh, Ucrânia Ocidental. Ela foi uma das sete irmãs pioneiras que chegaram ao Brasil em 1911 e ajudou durante sua trajetória a consolidar a Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada em terras brasileiras. Durante sua vida, ficou conhecida por ajudar os mais doentes.

Nos últimos cinco anos de vida sofreu de modo marcante. Acometida de uma gangrena incurável que a deixou presa ao leito durante dois anos, sofria dores fortes, mas não se lamentava, procurando forças no olhar dirigido continuamente à imagem de Jesus Crucificado. Oferecia tudo pela Igreja, pela salvação das almas e pela Congregação. As Irmãs se revezavam para atendê-la durante o dia e durante a noite.

Ela faleceu no dia 16 de fevereiro de 1956 e foi sepultada no cemitério da Paróquia de S. Josafat, em Prudentópolis, PR. Logo depois do seu falecimento, as Irmãs e as pessoas que a conheciam e admiravam, começaram a rezar para que ela intercedesse junto de Deus nas suas necessidades, e recebiam graças. Teve início assim à fama de sua santidade que perdura até hoje. Em vista disso no ano de 1993 o Eparca D. Efraim Krevey, nomeou um tribunal e foi feita a abertura oficial do processo de sua canonização. Foram ouvidas as testemunhas.

Este processo continua aberto e em andamento. A fama de sua santidade cresce. Muitas pessoas continuam rezando para a Irmã Anatólia e recebendo graças pela sua intercessão.

Os fieis costumam realizar uma novena todo dia 16, às 16 horas, em frente ao seu túmulo.

Texto: Silmara Andrade

Fotos: Silmara Andrade e Karin Franco/Hoje Centro Sul

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