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Edição 1093 - Já nas bancas!
26/10/2018

Quando a ansiedade se torna um problema na vida das pessoas?

Quando a ansiedade se torna um problema na vida das pessoas?

Ansiedade: Uma emoção normal, comum ao se enfrentar alguma situação inusitada e inesperada. Entretanto, em excesso, pode se tornar uma doença, ou melhor, um distúrbio.
“O corpo em uma situação estressante, perigosa, real ou imaginaria, provoca respostas biológicas automáticas, fazendo com que a pessoa fique ansiosa”, explica o psicólogo Maurício Waidslak.
O estresse rotineiro é um dos principais vilões da ansiedade, segundo o profissional.Para ele, o aumento do número de ansiosos nos últimos tempos deve-se às exigências atuais em termos de tarefas e processamento de informações. Nessas circunstâncias, as pessoas estão desenvolvendo um nível de ansiedade prejudicial à sua saúde física e mental.
“Geralmente, a ansiedade se manifesta quando a pessoa passa por um momento de muita pressão ou apreensão, porém, ela também está presente quando nos sentimos com medo ou quando a tensão vem à tona”, detalha.
Nesses momentos, o distúrbio comportamental pode se manifestar. “A ansiedade está diretamente associada a emoções mais intensas e acaba, assim, limitando as pessoas, que deixam de exercer sua autonomia sobre suas tarefas e, principalmente, sobre seus pensamentos”, explica Maurício.
Algumas pessoas estão tão acostumadas com os sintomas da ansiedade que acreditam fazer partede suas vidas. “Apesar de parecer que faz parte do dia a dia e que se trata de um sintoma fácil de ser controlado, existem diferentes tipos de ansiedade, podendo desencadear necessidades de cuidados ou tratamentos mais específicos”, alerta o psicólogo.
A estudante Loren Camila Vieira sofre de ansiedade desde criança, mas viu os sintomas se tornarem piores no último ano. “Eu sempre fui uma criança bem ansiosa, sempre queria tudo na hora, chova muito quando as coisas não davam certo, mas no final do ano passado a minha ansiedade foi ficando pior, até que precisei procurar um médico”, conta.
Segundo Loren,sua visão de mundo ficou diferente, as crises de ansiedade foram aumentando até chegar às crises de pânico. “Comecei a ficar mais ansiosa quando passei no vestibular e tive que mudar de cidade, deixar a casa dos meus pais para morar sozinha, isso foi uma mudança muito drástica. De repente eu tinha que ficar sozinha, cuidar da casa que eu moro e estudar muito, porque as pessoas esperavam que eu fosse uma boa aluna, me vi em um buraco, senti muito medo”, diz.
 

Sintomas

Agitação, dores de cabeça, dificuldade para dormir, falta de ar e formigamento são alguns dos sintomas comuns da tão conhecida ansiedade. Considerada “mal do século”, a ansiedade, dependendo do grau, pode estar relacionada a um distúrbio psíquico, mas não é fácil distinguir um nível normal de um patológico. Mesmo sendo mais ligada ao sistema mental, ela também manifesta sintomas físicos.
Segundo o psicólogo, os sintomas característicos da ansiedade são visíveis também no físico. “Os indivíduos que sofrem com a ansiedade possuem diversos sintomas, entre eles está àboca seca, aumento da transpiração, respiração acelerada, aperto na região do peito, vontade de fugir de algum lugar, irritabilidade, problemas de memória, insônia, diarréia, síndrome do intestino irritável, refluxo, azia, sentimento de desespero, tensão muscular, preocupação, perfeccionismo exagerado, desmaios, angústia, mente agitada, fobia social e formigamento no corpo”, explica.
Certos fatores colaboram para o desenvolvimento da ansiedade de acordo com Maurício. “Algumas outras situações, como sofrer de timidez excessiva, inibição comportamental, ter sofrido de exposições, ser do sexo feminino, ter passado por situações desagradáveis, preocupação excessiva, forte tensão interna, inquietação, entre outras, também podem estar relacionados a uma maior chance de desenvolver uma ansiedade exacerbada”, relata.
Segundo o profissional, diferente do que muitos acreditam, a ansiedade pode ser também hereditária. “Além de uma rotina estressante, estudos indicam que a ansiedade também pode ter origem em fatores genéticos”, diz.
 

Realidade e imaginação 

“Quando me mudei eu não conseguia dormir direito, parecia que a qualquer momento alguém entraria pela janela e me faria alguma mal. Comecei a ter pensamentos loucos. Se eu falava alguma coisa para alguém eu ficava repensando a todo momento no assunto. Pensava que tinha falado alguma coisa errada ou alguma coisa que fez com que a pessoa se sentisse mal, aí eu já imaginava que ela não iria mais falar comigo, que estava me odiando pelo que falei, eu sofria muito com isso”, relata Loren.
A estudante conta que o pior momento foi quando os sintomas reais se misturaram com os imaginários. “Comecei a criar sintomas no meu corpo. Eu lia uma reportagem sobre determinada doença e já achava que eu estava tendo os sintomas, o pior é que esses sintomas começavam a aparecer no meu corpo. Uma vez eu vi em um filme que a personagem tinha o ELA [Esclerose lateral amiotrófica], então eu passei a acreditar fielmente que eu também tinha. Aí começaram alguns ‘sintomas’, comecei a sentir a mão mole, comecei a derrubar os objetos, passei três semanas com o corpo todo formigando, parecia que meu corpo estava paralisando”, conta.
As crises de ansiedade começaram a aumentar até que a estudante sofreu algumas crises de pânico. “Um dia eu acordei com o coração acelerado, parecia que eu iria morrer, não conseguia respirar. Então comecei a chorar desesperada achando que eu estava morrendo, sentei em um canto da minha casa e não conseguia sair dali, nem para ligar para os meus pais para me socorrerem. Isso tudo parece não ser nada para quem nunca teve esses sintomas, mas para quem teve é um completo desespero”, disse Loren.
 

Tratamento

O número de tratamentos vem crescendo todos os dias. “A ansiedade pode ser gerenciada para que se mantenha no nível natural que os seres humanos em geral apresentam, ou seja, um nível que nos leve à ação, ao movimento e não à paralisação. A pessoa pode buscar o acompanhamento de psicólogos ou psiquiatras, praticar exercícios físicos, cuidar do sono, usar técnicas de relaxamento como o controle da respiração, organização na rotina e manter uma alimentação mais saudável”, recomenda Maurício.
Segundo o psicólogo, a mudança na alimentação também pode ser um fator importante para o tratamento. “Recomenda-se incluir à dieta alimentos fonte de triptofano, como banana e chocolate. Outras indicações, da ordem comportamental e emocional, também são consideradas, como buscar viver o presente, ser positivo, desenvolver o autocontrole e a autoconfiança, definir prioridades, entre outras”, disse.
 

Tratamento alternativo

No Brasil, os tratamentos mais comuns são os realizados com medicamentos e acompanhamento psicológico, entretanto, existem outras alternativas. “No oriente a gente vê pouca farmácia, e aqui no ocidente a gente vê farmácia a cada trezentos metros. Então isso é sinal de que as pessoas estão doentes e que o problema esta aí, não está sendo resolvido”, fala Emiliano Gomes, professor de yoga e meditação.
Para Emiliano é importante a prevenção, evitar que o problema se instale. Ele cita o trabalho que é desenvolvido no Oriente. “Cada um por si só faz um trabalho voltado à respiração e a atenção plena, esse termo nada mais é do que trazer a atenção através da respiração. Toda vez que a gente trás atenção para a respiração é o único momento que a gente se faz presente”, explica.
O professor destaca a importância de reservar alguns minutos diários para a meditação. “De que forma nós podemos nos fazer presentes.Precisamos silenciar, ficar de dez a quinze minutos todos os dias ali, tendo o seu tempo, podendo contemplar as técnicas de meditação em si e acima de tudo familiarizar com ospensamentos, com as dificuldades que estão sem julgamento para que nós possamos ter mais domínio e controle daquilo que se passa na nossa mente e, principalmente, as reações que se passam no nosso dia a dia”, destaca. 
Através da respiração a pessoa pode entrar em contato com o seu interior, se colocando no presente. “Normalmente as pessoas estão com pensamento no futuro ou pensamento no passado, isso faz com que se distancie do presente momento, aí que vem as grandes preocupações, aí vem a ansiedade, vêm os medos e aí por diante. São projeções que a mente automaticamente faz”, comenta Emiliano. 
As diferentes técnicas de respiração são chamadas de pranayamas. “Existem várias técnicas, vários tipos de respiração, a gente indica que faça respiração abdominal de três a quatro minutos que é inspirando e expandindo o abdômen, mais isso tudo se encontra na internet, vale as pessoas procurarem”, diz Emiliano.
 

Exercício

O professor de yoga e meditação dá o exemplo de técnica respiratória que pode ser feito. Um pranayama consiste em iniciar a respiração apenas pela narina esquerda, tampando a narina direita, esse processo deve acontecer contando até quatro. Depois tampe as duas narinas, segurando o ar contando até seis, em seguida libere a narina direita e expire todo o ar por ela contando até oito. Logo após inspire apenas pela narina direita contando até quatro. Tampe as duas narinas e segure o ar contando até seis, depois libere a narina esquerda e expire todo o ar por ela, contando até oito. 
O ideal é que o exercício seja realizado durante a manhã, antes do café. O tempo do exercício dura cerca de cinco minutos e dois minutos para a atenção na respiração normal. É necessário observar atentamente a inspiração e exalação, desfrutando os efeitos da prática. 
Mais exemplos de pranayama podem ser encontrados na internet com facilidade. 

Texto: Silmara Andrade

Fotos: Pixabay

 

 

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