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Edição 1101 - Já nas bancas!
27/09/2018

Pessoas com deficiências superam obstáculos e obtém destaque

Pessoas com deficiências superam obstáculos e obtém destaque

Qualquer tipo de deficiência, seja ela motora, física ou psíquica, traz limitações e cada uma tem suasingularidade e especificidade. Mas dois garotos da região conseguiram ultrapassar obstáculos e acreditaram na sua capacidade, habilidade e competência. Eles deram asas à imaginação e seguiram os seus sonhos, mostrando ao mundo que suas limitações são apenas um detalhe. 
Josenei encontrou no esporte o caminho para se tornar um dos mais velozes em sua categoria e alcançar conquistas além-mar. Já Edison traçou o caminho acadêmico e está em busca de um doutorado. Conheça as histórias desses campeões.
 

Superação 

Josenei Greczyczyn é aluno da Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (APAE) de Prudentópolis. Ele tem colecionado troféus no esporte. “Josenei começou a praticar esportes na APAE com 11 anos e desde então tem um histórico de conquistas relevantes na modalidade de atletismo. Há 15 anos disputa campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais e há oito anos é considerado o atleta com Síndrome de Down mais veloz do Brasil”, conta Wilson Bini Junior, professor responsável por treinar e acompanhar o atleta. 
Disputando campeonatos estaduais, nacionais e internacionais, ele coleciona uma variedade de títulos que o levam a cada dia mais longe. Uma das competições mais importantes que participou foi na Itália. “Em 2016 participou do Trisome Games (Mundial Down) realizado na cidade de Florença, na Itália, onde conquistou duas medalhas de prata, uma nos 200m e outra no salto em distância e conquistou 03 medalhas de bronze nos 400m, 4x100 e 4x400 se colocando entre os melhores atletas com Síndrome de Downdo mundo”, conta Wilson que o ajuda a se preparar para um campeonato em Portugal.
O potencial de Josenei foi descoberto através das aulas de educação física. “Nas aulas de Educação Física na Escola Espaço e Vida (APAE de Prudentópolis) observei um grande potencial esportivo desde as primeiras aulas, então treinamos e estamos fazendo isso há 15 anos”, comenta Wilson.
 

Inclusão

Edison Luiz de Jesus nasceu com atrofia no nervo óptico, condição causada durante o nascimento. O estudante descobriu ao entrar para a escola aos cinco anos que enxergava menos da metade do considerado normal. “A minha vida sempre foi com dificuldade, eu enxergo somente 40%, eu fui descobrir apenas com cinco, seis anos de idade”, diz.
A ajuda de uma equipe pedagógica o auxiliou durante o processo de alfabetização e Edison conseguiu evoluir como uma criança comum no processo de ensino. “Quando eu entrei na escola na comunidade de Bituva dos Machados, em Fernandes Pinheiro, essa dificuldade foi superada graças à ajuda de muitos professores que eu tive durante essa trajetória escolar. Eu me adaptei com essas questões escolares. Eu sempre tive professores que me ajudaram”, explica.
Depois que terminou o ensino médio, Edison resolveu que não poderia parar. Ele acreditava que precisava continuar seus estudos. “Em Irati, eu estudei no Colégio Florestal, fiz técnico ambiental em 2007 e 2008”, diz orgulhoso.
Entretanto, para Edison, toda a conquista adquirida até aquele momento era muito pouco. Foi então que ele resolveu se dedicar ao curso de História. “Foi em 2011 que eu passei no vestibular para História, e então fiz a graduação com a ajuda do PIA que é o Programa de Inclusão e Acessibilidade da Unicentro. Ele fornece subsídios para as pessoas com deficiência. Também contei com a ajuda dos professores do curso de História, que me ofereceram monitores para me acompanhar durante o processo de ensino”, explica.
Com mais um desafio concluído, Edison quis ir mais longe em sua carreira como historiador. Logo após concluir a graduação, realizou o teste seletivo onde foi aprovado no mestrado em História da Unicentro. “Eu nunca desconfiei dele. Não é uma surpresa que o Edison tenha terminado esse mestrado. Ele passou no processo seletivo com louvor, com boas notas, com um bom projeto, e só confirmou aquilo que ele já vinha desenvolvendo. Acho que também é importante a confiança um com o outro”, destaca Geyso Germinari, professor da Unicentro que acompanhou Edison durante a graduação e mestrado.
 

Apoio

Edison também destaca a importância de projetos de inclusão como o realizado pela Unicentro. “Nós superamos esses desafios graças à instituição, graças às pessoas que topam esse desafio. Também notamos que há um respeito, e isso não é o que acontece em toda sociedade. Ela às vezes não está preparada para atender essas necessidades”, lamenta.
Nascido e criado na cidade de Fernandes Pinheiro, Edison ainda ressalta o apoio que vem tendo da prefeitura da cidade. “Fernandes Pinheiro tem me apoiado muito, não só nas questões de deficiência, mas também sobre o transporte escolar, oferecendo transporte gratuito para quem quer fazer universidade que é uma coisa que muitos municípios não têm para as pessoas com deficiência. Isso é importante, porque se não acontecesse isso, poderia ter desistido do curso”, comenta.
A família de Edison também foi parte fundamental para a conquista do título de mestre. “Um ponto muito importante é a participação da família, da mãe do Edison, do irmão do Edison. Como ele não usa o computador, ele escreveu uma dissertação de mais de 100 páginas toda a mão”, fala Geyso, acrescentando que o irmão de Edison sempre o auxiliou digitando o trabalho e enviando para que ele pudesse ser analisando.  
 

Dificuldades

Mesmo com tantos projetos de inclusão, Edison conta que já passou por algumas dificuldades. “Há certo desrespeito, preconceito com pessoas com deficiência. Isso acaba,às vezes, fazendo com que a pessoa desista por falta de apoio”, disse.
No entanto, ele conta que isso não afetou muito em sua vida. “O esforço é necessário, tanto para as pessoas com deficiência quanto para as pessoas sem deficiência. Porém,o prejuízo acontece quando as pessoas tratam as pessoas com deficiência com desdém, não tratam com respeito. Isso aconteceu muito pouco comigo, foi um caso ou outro que eu acredito que não deve ser levado em conta”, diz.
O que mais lamenta é nunca ter sido chamado para atuar como professor. “Eu já tentei atuar como professor, porém eu nunca consegui passar no processo seletivo. Eles dizem que tem vagas para pessoas com deficiência, mas nunca chamam. Eu sempre me inscrevo, a gente leva toda aquela documentação, mas eles nunca chamam”, lamenta Edison.
Outra questão destacada por Edison é sobre as vagas de empregos oferecidas para deficientes. “As agências do trabalhador, quando eles oferecem a vaga de emprego para uma pessoa com deficiência, eles não especificam a deficiência e quando você vai lá, eles dizem que precisam de pessoa com deficiência física, motora ou visual”, comenta.
 

Novos sonhos

Mesmo depois de realizar muitos sonhos, Edison ainda tem planos para o futuro. “A intenção de entrar no doutorado é uma questão que requer um processo, requer estudos e primeiramente, passar nesse processo de doutorado, porque não é fácil. Também estou me preparando para dar palestras motivacionais para empresas, porque muitas pessoas dão palestras e não tem essa experiência que eu passei durante a minha vida”, diz. 
O professor Geyso pretende acompanhar o aluno durante o doutorado. “Acho que continuo acompanhando, porque além da parceria que fizemos, orientando e orientador, nós estabelecemos uma amizade. O Edison é uma pessoa muito bacana e agora continua essa parceria”, diz.
Já Josenei se prepara para voltar à Europa mais uma vez. Ele irá participar no próximo mês do mundial Down em Portugal. “Agora vamos para o Mundial Down na Ilha da Madeira que será realizado entre os dias 01 a 08 de outubro. Estamos com uma equipe forte, acredito que temos grandes chances, principalmente nos revezamentos 4x100 e 4x400. O Josenei tem índices para medalhas em todas as provas em que irá participar. Pra mim é um motivo de orgulho estar acompanhando um campeão”, destaca Wilson.

Conselho

Para Edison, é preciso estímulo. “Eu quero falar uma coisa para as pessoas com deficiência, e até para quem não tem, se espelhe em pessoas dessa forma. Não desistam, sigam os seus caminhos e também, tirem o pessimismo das coisas, respeitem as pessoas com deficiência e as estimulem para conseguir tudo aquilo que querem”, destaca.

Texto: Silmara Andrade

Fotos: 
Josenei- Arquivo pessoal 

Edison - Silmara Andrade/Hoje Centro Sul

 

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