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Edição 1099 - Já nas bancas!
20/09/2018

Editorial - Logística dependente

Editorial - Logística dependente

Na próxima sexta-feira (21) serão completados cinco meses da greve dos caminhoneiros. A paralisação, que durou pouco mais de uma semana em maio, deixou marcas na economia brasileira, que ainda tentava, a passos lentos, se recuperar da crise econômica.
A paralisação dos caminhoneiros mostrou também para a população a dependência enorme que há da malha rodoviária para o transporte de produtos no país. Em menos de uma semana, mercados e lojas acostumados a não possuírem grandes estoques começaram a ver as suas prateleiras esvaziarem. Junto a isso, o desespero de brasileiros, cercados de boatos de WhatsApp, fez com que muitos aumentassem o seu consumo, causando filas em diversos lugares e aceleração do desabastecimento.
Os boatos nas redes sociais também causaram confusão na população que acreditou que o protesto era motivado pelo aumento do preço da gasolina e do diesel. Muitos caminhoneiros inclusive acabaram protestando contra o aumento da gasolina, apesar de outros, inclusive lideranças, garantirem que o protesto era por causa do preço do diesel.
E foi o preço do diesel que entrou na mesa de negociações. Entre as promessas feitas aos caminhoneiros pelo Governo Federal, quase todas foram cumpridas, mas ainda há questionamentos sobre algumas questões como o próprio preço do diesel, que foi congelado por 60 dias, mas teve aumente em agosto, fazendo com que o preço atual esteja perto do era quando iniciaram os protestos. O aumento do dólar – que chegou aos R$ 4,15 nesse meio tempo – e as incertezas políticas, tanto nacionais como internacionais, são alguns dos motivos do aumento. 
Outro ponto ainda discutido é a tabela de frete, que estabelece um preço mínimo para os fretes realizados no país. De um lado, representantes de caminhoneiros dizem que a tabela feita não representa a realidade regional. De outro lado, representantes de indústrias e produtores temem o aumento de produtos por causa da logística.
O que fica claro desde que as discussões iniciaram é que a dependência do país em apenas uma opção para escoamento traz prejuízo a todos. De um lado, há muitos caminhoneiros e com isso o preço do frete cai, não cobrindo os custos do serviço. Do outro, uma indústria presa a um tipo de locomoção que pode dar problema a qualquer tempo e prejudicar toda a economia.
À curto prazo, é necessário um controle de preço para que a economia não entre em colapso. Contudo, é preciso urgentemente que o país revise sua logística e encontre mais caminhos para diversificar o escoamento de produtos. Ferrovias e transporte aeroviário são setores que devem entrar na discussão, além de forte investimento em infraestrutura, que ajudará  fortalecer o setor. Sem isso, não há como prever um futuro mais tranquilo.