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Edição 1087 - Já nas bancas!
17/09/2018

Editorial - Solidão e invisibilidade

Editorial - Solidão e invisibilidade

O ser humano nasceu para viver em sociedade. Mas, no dia a dia, as pessoas passaram a viver cada vez mais sozinhas.  Para uns, a solidão é uma opção, já para quem possui indícios de algum transtorno psicológico, a solidão pode ser devastadora.
Para grande parte das pessoas,  os fins de semana, por exemplo, são momentos para desestressar. Para o esvaziamento operacional que ocupa o dia a dia, para desentulho material, já que a semana é preenchida com o trabalho ou o estudo. Para alguns, a melhor forma para se livrar do stress é compartilhar esses momentos  com a família ou com aqueles amigos que já fazem parte do dia a dia.  Já para outros, a solidão é um momento para desestressar. Longe da multidão, as pessoas conseguem ouvir o seu eu interior e tem um tempo para se autoconhecer.
Mas a solidão que mencionamos anteriormente é uma solidão diferente. É estar só. É começar e terminar a semana sem ninguém. Sem família, amigos ou conhecidos. Estar só, tão só, que se torna invisível a todos que poderiam lhe enxergar.
Agora já imaginou ter de enfrentar esta solidão, não ter água, luz ou internet?  Como conseguir manter um equilíbrio psicológico com tantos motivos para não ter? É sobre este tipo de solidão que contamos através da história da personagem da matéria de capa da edição de hoje. 
Quem é ela? Esquecida pela vida, ela encontrou dentro de seu mundo confuso –  onde as histórias verdadeiras se misturam com as imaginárias – um modo de gritar por ajuda, através de cartazes. O vermelho e o preto são as cores preferidas. Qualquer coisa vira tela, até mesmo a tampa de um vaso. 
As letras garrafais, em vermelho e preto são gritadas. São pedidos tristes de socorro. Quantos viram?
A decisão de contar essa história aos nossos leitores veio dessa necessidade de fazê-la visível a todos. Mas mais do que isso, mostrar que há ainda muitas pessoas invisíveis em nosso dia a dia que precisam mais do que apenas um prato de comida, mas sim, serem de fato enxergadas e ouvidas, especialmente pelos órgãos que tem essa prerrogativa.