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Edição 1094 - Já nas bancas!
06/09/2018

Editorial - Pesquisa e negociação necessárias

Editorial - Pesquisa e negociação necessárias

Desde 2014, muitos brasileiros deixaram de investir para pagar suas despesas, que só cresciam conforme a crise se instalava no país. No mercado imobiliário, as mudanças nas regras de financiamentos impostas pelos bancos públicos restringiram a oferta de crédito.  Alguns bancos recuaram tanto que passaram a oferecer apenas 70% no total de financiamentos para casas novas. Anteriormente, o percentual era de 90%. Os imóveis usados também sofreram com a crise e hoje os bancos liberam apenas 50% do valor total para financiamento. Além dessa queda, os bancos oferecem menos possibilidades de negociação, o que causa medo aos futuros compradores. 
A crise também fez com que o número de construções diminuísse, assim como o número de compradores. Quem ainda tem o nome limpo está esperando o melhor momento para comprar ou construir. Quem não tem, está impossibilitado de fazer financiamentos.
Enquanto o crédito continua difícil e muitos consumidores estão receosos em contrair dívidas em longo prazo para investir na casa própria, a demanda por moradia é real. Exemplo disso é que há grandes filas de espera por projetos subsidiados pelo governo federal, através do Minha Casa Minha Vida em todos os municípios brasileiros. Na região e em Irati, a situação não é diferente.
A demanda é grande e a impressão que o consumidor tem é que, de modo geral, os preços ficaram mais altos de uns cinco anos para cá. Claro, os valores dos imóveis variam de acordo com aquilo que eles têm a oferecer. Uma casa bem estruturada, com um bom acabamento,  situada nas proximidades de supermercados, farmácias e escolas, por exemplo, é muito mais valorizada que aquela casa com acabamento simples, localizada em área sem infraestrutura.
Entretanto, na comparação entre imóveis similares, situados em áreas de mesmas características, em Irati e nas demais cidades, Irati apresenta preços maiores do que boa parte delas. Os representantes do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná (Creci) alegam que é difícil comparar os preços de imóveis em municípios diferentes devido à infraestrutura que cada município possui. 
O fato de Irati ser pólo regional torna inadequada a comparação de preços com municípios outros municípios da região Centro Sul com população similar, como Prudentópolis. Neste aspecto, concordamos com o Creci. Mas, se a comparação for feita com municípios bem maiores, como Ponta Grossa, que também é pólo regional, os preços de Irati continuam sendo mais altos. Isto, tanto para a locação, como para a compra de um imóvel. 
Também para justificar os preços elevados, representantes do Creci disseram que, de modo geral, em Irati os donos de imóveis são tradicionais, conservam suas propriedades e as valorizam. 
A defesa não convence. O fato é que o mercado imobiliário local tem esses preços e ponto. Quem quiser alugar ou comprar precisa pesquisar bastante para encontrar opções mais atrativas em meio à competitividade, pois quem realmente quer vender ou alugar, negocia.