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Edição 1080 - Já nas bancas!
03/09/2018

Editorial - A espera

Editorial - A espera

Um simples pedido de publicação de lista de espera para exames e consultas pelo Sistema Único de Saúde revela a complexidade e a burocracia envolvida no processo para gerenciar as consultas e exames oferecidos na rede pública de saúde.
Muitos fatores e empecilhos, além de dificuldades estão no caminho do paciente que precisa de atendimento e que não possui condições de buscá-lo na rede particular. Tudo começa na unidade básica de saúde. Após o paciente esperar para retirar uma ficha – que em alguns locais são limitadas por causa da disponibilização de horários dos médicos –, o paciente irá para a consulta e poderá ter dois tipos de encaminhamentos: a necessidade de ir a um médico especializado e/ou a necessidade de fazer um exame.
Nesse momento que a caminhada e a espera do paciente começam. Em boa parte dos casos, o paciente precisa esperar a autorização do exame e pedir encaminhamento para a consulta especializada, normalmente em um local distante da unidade básica de origem. Dependendo de como o médico estabeleceu esse encaminhamento (se ele pediu urgência, se ele descreveu o histórico, se ele pediu consulta em lugar específico), o exame poderá passar para frente ou não. Isso só acontece após a avaliação de um auditor. No entanto, em Irati, por exemplo, não há auditor para a rede básica, mas somente para exames da rede especializada como tomografia e ressonâncias.
Se o médico solicitante informou que o paciente precisa consultar em um local ou outro, ele é inserido na lista de espera daquele hospital específico. Se houver vaga em outro hospital, ele não poderá ser inserido, já que o pedido original determinou o local onde deverá ser feita a consulta.
E este é outro problema: o número de vagas não é constante, já que para alguns exames há mais de um fornecedor e também há situações como a da Secretaria de Saúde de Curitiba que oferece, através da 4ª Regional de Irati, uma cota pequena de vagas em seu próprio sistema a cada mês. 
A esperança é que a informatização possa ajudar. Contudo, falta de internet de boa qualidade, equipamentos e sistemas são entraves para a implantação em grande parte dos municípios brasileiros e nos municípios da região de Irati não é diferente.
Enfim, o sistema de saúde pública no Brasil é complicado e burocrático. Para funcionar, todas as entidades, desde o paciente até o poder público, precisam cumprir o seu papel. Se um deles não cumprir, o sistema entra colapso como está atualmente. E mais do que isso, além de cada membro do sistema cumprir seu papel, é necessário que haja comunicação entre cada membro para que o sistema possa fluir. Sem isso, o maior prejudicado – o paciente – continuará a sofrer nas filas de espera.