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Edição 1080 - Já nas bancas!
23/08/2018

Editorial - Assunto delicado

Editorial - Assunto delicado

Sem Delegacia da Mulher, sem Defensoria Pública, sem Instituto Médico Legal, sem uma rede de enfrentamento que articule todos os setores. Esta é a situação atual de Irati quando falamos em estruturas para o combate à violência contra a mulher. A situação é pior na região onde há cidades que não possuem nem Delegacia da Policia Civil.

Apesar da falta de estrutura a demanda de atendimento a esse tipo de violência é grande na região. Somente na Delegacia de Irati, 50% a 60% dos atendimentos são de violência doméstica.

A falta de estrutura não acontece apenas localmente, mas também em todo o estado. Ao todo, segundo a Polícia Civil do Paraná, das 399 cidades paranaenses, apenas 21 possui uma Delegacia da Mulher. Do outro lado, de acordo com a última edição do Anuário Brasileiro da Segurança, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, quase 13 mil mulheres sofreram violência doméstica no Paraná.

Vale ressaltar que o número de vítimas é apenas o registrado em ocorrências policiais. Isto significa que são casos em que a mulher denunciou e levou o processo para frente. Há casos que, por medo e desconhecimento, muitas mulheres nem denunciam, e acabam perpetuando uma violência que pode virar morte.

Sem uma estrutura para atendimento, casos de estupro também acabam sendo subnotificados. Vítimas que conseguem denunciar acabam sendo vítimas da falta de estrutura para atendimento para o seu caso. Uma mulher seja vítima de estupro em Irati deverá ir à Delegacia da Polícia Civil que muitas vezes não tem estrutura para fazer o boletim de ocorrência em espaço separado dos demais tipos de ocorrência.

Além disso, a vítima acaba tendo que percorrer um longo caminho para conseguir denunciar o crime, desde contar repetidas vezes para pessoas diferentes sobre o acontecido até ter que viajar mais de cem quilômetros para fazer o exame de corpo de delito. É no Instituto Médico Legal (IML) que a vítima passará por um exame médico que coletará provas do estupro. O processo já é difícil por natureza, já que se aproxima muito de um exame ginecológico. Para que o médico, durante o exame, consiga coletar o sêmen e pelos do agressor, muitos especialistas aconselham a vítima a não tomar banho. Durante o exame, roupas íntimas que a vítima vestia no momento são recolhidas também para serem examinadas.

Tudo isso mostra como o assunto é delicado e requer mais atenção especialmente dos poderes públicos, que precisam criar condições para a lei seja cumprida. Ter estruturas dignas é o mínimo que as vítimas precisam possuir para enfrentar a violência.