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Edição 1080 - Já nas bancas!
16/08/2018

Editorial - Gestão e transparência

Editorial - Gestão e transparência

O orçamento do setor de saúde é um dos maiores em todas as esferas governamentais. Mesmo assim, ainda há diversas reclamações de vários lados sobre seu funcionamento.

De um lado está a população, que reclama que há dificuldade de atendimento. Já de outro lado, há os hospitais filantrópicos, que prestam serviço ao poder público, e que reclamam que o gasto é maior do que o recurso repassado. Há ainda o lado do poder público, que alega que a população não procura os locais corretos e acaba sobrecarregando o sistema.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é um desafio para todas as gestões. E um desses principais desafios é exatamente o tamanho do país, que tem mais de 200 milhões de brasileiros. Teoricamente, o SUS não descrimina os pacientes, atendendo a todos que o procuram, não importando se tem plano de saúde ou não. Assim, o custo para manter o sistema é muito grande e muitas vezes extrapola o que foi planejado.

Mas junto a isso, há justamente a gestão de recursos que precisa ser bem feita. O motivo já foi dito anteriormente: mesmo com orçamento alto, o custo também é alto, e isso demanda que as decisões sejam planejadas, imaginando possíveis cenários e tentando realizar as melhores escolhas possíveis de onde colocar o recurso. Isto é, é necessário responsabilidade e conhecimento para que essas decisões sejam as melhores para a população.

Neste sentido, uma das ferramentas que ajudam nesta gestão com responsabilidade é a transparência. Essa ferramenta não serve apenas como um meio fiscalizador, onde se consegue rastrear se algo falta ou se algo sobra, mas serve também como um termômetro. Através da transparência das ações, por exemplo, é possível mostrar que há controle do que sai e do que entra, e especialmente, mostrar onde estão os gargalos e as necessidades de determinado setor.

Contudo, muitos setores do Brasil ainda precisam melhorar a transparência, e o setor de saúde é apenas um deles. Na edição desta semana, trazemos uma reportagem em que a Câmara Municipal de Rebouças repassou ao Ministério Público um pedido para que seja fiscalizada a gestão do Hospital Darcy Vargas, citando a existência de nepotismo e relatando a dificuldade de acesso a informações sobre a prestação de contas da entidade.

Não apenas no hospital de Rebouças, mas em todas as instituições públicas e nas instituições que prestam serviços ao poder público é preciso que a população cada vez mais reivindique transparência. É importante ressaltar que a transparência não é a única ferramenta que transformará o país em um país menos injusto, entretanto, a transparência deve ser vista como um caminho a ser trilhado, visando um país com menos injustiça.