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Edição 1080 - Já nas bancas!
10/08/2018

Editorial - O candidato e o eleitor

Editorial - O candidato e o eleitor

Após semanas de muita especulação, o cenário para as eleições parece estar definido. Mas só parece. Os partidos têm até o dia 15 de agosto para registrar as candidaturas e a Justiça Eleitoral tem até o dia 17 de setembro para aprovar ou não as candidaturas propostas.

 

Até o fim de semana, muitas indefinições deixaram de existir e a disputa pelos cargos majoritários começou a ter um rumo, já que uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral exigiu que os partidos oficializassem as chapas até segunda-feira (06). Isso possibilitou que na segunda-feira a população conhecesse os nomes dos 13 candidatos a presidente e dos dez candidatos a governador do Paraná.

 

As candidaturas ainda devem ser registradas e confirmadas, mas com a divulgação dos resultados das convenções e a oficialização de muitas candidaturas, o eleitor começa a conhecer quem são os candidatos.

 

E esse deverá ser um desafio ao eleitor nesse ano. Muitos candidatos, seja na eleição nacional ou na eleição estadual, dentre eles, muitos nomes novos para grande parte da população. Há alguns candidatos que são conhecidos apenas por um nicho de eleitores, outros que em seu estado até possuem visibilidade, mas que eleitores de outros lugares do país ainda desconhecem. Há ainda concorrentes às eleições majoritárias (governadores e presidentes) que sequer tiveram um único mandato eletivo em toda a sua vida, ou seja, não participaram da política nos últimos anos ou se participaram, não foram eleitos. 

 

Candidatos pouco conhecidos também são desafio para seus partidos, que deverão conseguir apresentar os candidatos e suas propostas com a verba de financiamento público e doações de pessoas físicas, já que as campanhas estão proibidas de receber financiamento de empresas privadas.

 

Todas as incertezas e desafios da eleição de 2018 são frutos de muitos fatores que atingiram o país nos últimos anos. O eleitorado brasileiro já não tinha muita participação na vida política e sempre procurou um salvador que resolvesse seus problemas, ao mesmo tempo, a própria classe política não tinha iniciativas para aumentar essa participação popular.

 

Aliado a isso, a corrupção de integrantes da política começou a ser realmente punida. Prisões de integrantes do alto escalão dos partidos passaram a ocorrer, o que há uns dez anos era inimaginável no Brasil. Uma população pouco politizada tornou-se avessa aos políticos e à política, de modo geral. 

 

Com os processos da Lava Jato, as condenações e revelações só fizeram aumentar a desesperança para com a classe política. A desesperança associada a despolitização do eleitor é traduzida no crescimento do número de votos nulos e brancos nas últimas eleições – números que ainda está em ascensão, de acordo com as intensões de voto nas eleições 2018. 

 

Boa analista de estatísticas – em busca de votos para se eleger ou reeleger –, a classe política começa a se preocupar em que tipo de aliança faz e quais coligações serão bem vistas por seu eleitor. Essas dúvidas fizeram com que os cenários eleitorais ficassem ainda mais confusos.

 

O que nos resta agora é esperar que a campanha política desse ano possa mostrar propostas que ajudem o país a seguir para frente e que os eleitores possam, em meio a tantas dúvidas e insatisfações, conseguir encontrar um candidato que, no mínimo, consiga responder um pouco de seus anseios.