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Edição 1093 - Já nas bancas!
13/07/2018

Rio Azul celebra 100 anos neste sábado

Neste Centenário, conheça um pouco mais sobre a história da formação do município, que inicialmente se chamou Roxo Roiz e passou a ser conhecido como Rio Azul apenas 11 anos depois de sua criação

Rio Azul celebra 100 anos neste sábado

Há cem anos, no dia 14 de julho de 1918, o distrito de Roxo Roiz era instalado como município. Somente 11 anos depois, o local seria denominado Rio Azul.

Contudo a história de Rio Azul começa antes de 1918. As primeiras povoações datam do fim do século XVII. “Eram habitadas pelos índios caingangues, guaranis e xetás. Deram-nos influência na culinária, no aproveitamento de frutas, ervas, folhas, raízes, na alimentação e na farmacologia caseira”, conta o professor aposentado Osdival Neve Albini.

O local era conhecido como Sertão do Jararaca. Segundo Osdival, o nome é incerto, já que muitas lendas contam a origem do nome. “Eles começaram pelo Taquari. Lá havia muitas lagoas, muitos brejos e tinham muitas cobras. Tinha um índio que se tornou exímio em dominar as cobras, estudava os tipos de ataque, e deram a ele o apelido de Jararaca. Só que não é oficial. Se é Sertão da Jararaca é em relação à cobra, mas se for do Jararaca é do índio. Não existe comprovação que seja”, relata.

A partir de 1863, a região começa a ser explorada por bandeirantes luso-brasileiros que usam o local como forma de trilha em suas viagens. Com o tempo, os bandeirantes também acabam fixando residências nas localidades. “De 1864 a 1890, novamente a região passou a ser observada,com muito interesse, por parte do ditador SolanoLopes, derrotado pelos brasileiros na guerra do Paraguai, mas a posse das terras era dos colonizadores paranaenses. O comendadorNorbertoMendes Cordeiroinicia e dá os primeiros passos incentivando a colonização. Tido como amansador de índios, é fazendeiro em Guarapuava, percorria toda a região procurando estabelecer colônias. Durante muitos anos a região onde se localiza o município de Rio Azul foi habitada por poucos moradores, que eram esparsos e temporários e só viviam  de produtos nativos”, destaca Osdival.

Os primeiros habitantes se instalaram nas colônias de Butiazal e Rio Azul dos Soares. A partir de 1894, começam vir os desbravadores de origem europeia. “Eles fundaram colônias, Butiazal foi uma das primeiras povoações que teve, houve predomínio de italianos, e a outra Rio Azul dos Soares, que era ali mais pessoal de origem portuguesa, que também veio dos arredores de Curitiba. Eles começaram a trabalhar, foram desenvolvendo atividade. No início foi a extração de madeira, depois a erva-mate, e posteriormente a agricultura”, explica o ex-secretário e servidor aposentado Ceslau Wzorek.

Grande parte do território que hoje é Rio Azul pertencia a Dr. Elizeu de Campos Mello. “Dr. Eliseu de Campos Melo, juiz de direito de Imbituva, camarista e prefeito municipal de Ponta Grossa, deputado estadual em várias legislaturas, industrial da madeira e da erva-mate possuía fazendas de criar, de café e de colonização no ano de 1902. Ele doa as terras para a fundação da cidade de Roxo Roiz”, conta Osdival.

Estrada de Ferro

A construção da estrada de ferro para ligar São Paulo ao Rio Grande do Sul, instalada em 1902, foi a grande responsável pelo desenvolvimento da localidade que até então era apenas uma passagem de tropeiros que cruzavam o Sul brasileiro.

É a estrada de ferro a responsável pela denominação Roxo Roiz. “Popularmente diziam Roxo Roiz. Ele era um engenheiro da rede ferroviária, que trabalhou na construção da via férrea. O nome dele era espanhol, descendente de espanhol, era Rojo Roiz, mas por causa da pronúncia difícil do espanhol, era conhecido por Roxo Roiz”, explica Ceslau Wzorek.

Através dela, a economia cresceu e desenvolveu, aperfeiçoando as culturas de erva-mate e de extração da madeira na região. Junto a isso, a população começou a ter um pouco mais de crescimento. “Em 1910, as grandes riquezas naturais eram o motivo de atrações para a vinda de pessoas. Iniciaram-se as instalações de maior número de casas particulares e de casas de comércio. Foi criada a coletoria estadual e o primeiro coletor foi o senhor Hortêncio Martins de Mello,que se tornou mais tarde o primeiro prefeito de Rio Azul”, relata Osdival.

Com o crescimento, a população começou a sentir a necessidade de transformar a vila em cidade. “A população do distrito de Cachoeira vinha com seu trabalho político buscandomelhorar suas condições de vida e já iniciava os primeiros movimentos para que a vila passasse a município”, explica Osdival.

Em 17 de abril de 1917, é criado o distrito de Roxo Roiz, subordinado ao município de São João do Triunfo. Mas é apenas em 26 de março de 1918, que o distrito passa a ser município. No entanto, o município é instalado apenas em 14 de julho de 1918 por causa da necessidade de se fazer as eleições que escolheriam a primeira gestão, que tomou posse neste dia. 

Por um tempo, o recém-criado município acabou se chamando Marumby, mas foi em 1929, que passou a se chamar definitivamente de Rio Azul.“É em decorrência de um rio que tinha na localidade de Rio Azul, popularmente chamada de Cambal. Este riotinha uma coloração bem azulada. Era azul mesmo. Por volta de 1950, eu verifiquei isso pessoalmente ea água tinha uma tonalidade azul, depois com a exploração agrícola e desmatamento, a água acabou perdendo a coloração”, contou Ceslau.

Ciclos econômicos

Essencialmente agrícola, Rio Azul passou por diversos ciclos econômicos. Os primeiros foram em relação à erva-mate e à extração de madeira.

No entanto, o ciclo da batata ajudou a desenvolver o município em seus primeiros anos de emancipação. “Exportava diariamente seis vagões de batata para o estado de São Paulo. Vinham tudo em carroças, que era o meio de transporte. Os carroceiros vinham, eles tinham um sentido obrigatório das comunidades que eles viessem. Eles tinham que passar pelo lado da prefeitura e vir até perto de onde hoje é conhecido como Posto do Pedroca. Ali que os vagões estavam estacionados. Ia para o depósito primeiro, e depois ia para os seis vagões”, relata Osdival.

Na metade do século XX, Rio Azul passa por crises. “Houve uma fase que teve uma queda por volta de 1950 e 1960, muita gente foi embora para outros lugares. A população decresceu. Com a introdução do cultivo do fumo – a primeira companhia foi a Souza Cruz – então com o cultivo do fumo, houve um crescimento”, conta Ceslau.

Desde a década de 60 até hoje, o cultivo de fumo é grande responsável pelo desenvolvimento do munícipio. Segundo o Sinditabaco, atualmente Rio Azul é o sétimo maior produtor brasileiro da cultura, tendo produzido na safra 2016/2017 mais de 15 mil toneladas. Ao todo, são 2.688 produtores em Rio Azul.

Comemorações em Rio Azul

Os 100 anos de Rio Azul estão sendo comemorados pela população. No dia 7 de julho ocorreu a ExpoAzul que mostrou serviços e comércio presentes no município. Neste fim de semana a programação continua:

Sexta-feira, dia 13

Jantar de escolha da Miss Centenário no Martins Centro de Eventos. Após o jantar, Balada na pista Mix. Ingressos para o jantar limitados, no valor de R$25 por pessoa. Criança até 6 anos não paga.

Sábado, dia 14

A programação começa comHasteamento das bandeiras na Praça Tiradentes às 8h. Às 9h terá o Desfile Cívico. Às 13h iniciam as atividades de lazer na Rodoviária Municipal. No mesmo local, acontecem os shows nacionais a partir das 20h com Jeann e Julio, EdyLemond e a grande atração da noite Teodoro e Sampaio.

Domingo, dia 15

O dia terá programações na Rodoviária Municipal. Às 9h30 inicia o culto ecumênico. Às 13h haverá atividade de lazer no mesmo local. Às 14h terá a programação Minha Cidade é Massa, com atrações da Rede Massa, cantores regionais e nacional.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Foto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

 

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