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Edição 1078 - Já nas bancas!
11/07/2018

Quer se tornar vegetariano ou vegano? Nutricionista alerta sobre os riscos dessa decisão

Quer se tornar vegetariano ou vegano? Nutricionista alerta sobre os riscos dessa decisão

Seja por crenças religiosas ou apenas para cuidar da saúde, muitas pessoas têm optado por se tornarem vegetarianas ou veganas. Uma das razões é por acreditarem ser o melhor caminho para uma vida mais saudável.  Entretanto, para quem não está acostumado,são necessários alguns cuidados.

Algumas pessoas dizem que é apenas uma fase, outras dizem que é um jeito novo de viver e outras ainda, são orientados por sua religião. O fato é que o número de pessoas que estão deixando de comer derivados vindos de animais está se ampliando ao longo do tempo.

Uma destas pessoas é Kimberly Bueno. A jovem se tornou vegetariana há dois anos e desde então não consome nenhum tipo de carne. “Eu comecei em julho de 2016, quando deixei de comer carne de porco. Depois eu cortei a carne branca, depois cortei o peixe e por último leite e ovos”, diz.

Entretanto, nesse ano ela voltou a comer ovos e ingerir leite. “Fiquei de outubro a janeiro de 2017 sem comer ovos. Quando eu voltei para a faculdade não consegui, porque a maioria das receitas tem leite e ovo, e eu continuei sendo vegetariana restrita”, conta.

Para se ter uma dieta saudável aderindo ao estilo de vida vegetariano ou vegano é necessário saber os riscos dessa decisão. A nutricionista Jaqueline Nezer faz um alerta sobre os riscos em mudar a alimentação sem o auxílio de um bom profissional. “Caso a pessoa venha a adquirir essa dieta sem ter um conhecimento prévio sobre o assunto, ela pode estar correndo um perigo muito grande, um mal para a saúde”, explica.

A carne vermelha possui muitos nutrientes que são fundamentais para a saúde, um exemplo disso é a vitamina B12. “A pessoa que vier a aderir essa dieta e não tiver uma gama muito grande ou até mesmo a suplementação da vitamina B12 pode, no futuro, desenvolver algumas carências nutricionais, ou até mesmo na formação de tecidos, ou no caso das gestantes, uma má formação no cubo neural do bebê e na questão do sistema cerebral”, comentou Jaqueline.

A religião foi um dos principais motivos que levaram Kimberly a mudar sua alimentação. Ela conta que a igreja aconselhou a não comer carne. “São por motivos religiosos, sociais e físicos. Primeiro eu fui pesquisar o que a carne fazia para o meu corpo, o mal que fazia para o meu corpo. Depois que fui fazer isso, eu fui olhar o quesito social. Quando eu vi alguns documentários sobre frigoríficos, da indústria da carne, eu me convenci que socialmente o consumo da carne não faz bem. E por último, eu fui estudar o quesito religioso, e dentro da minha religião, Adventista do Sétimo Dia, nós fomos aconselhados a não utilizar carne,” diz.

 

Além das vitaminas existentes na carne vermelha, que são fundamentais para o nosso organismo, ela também é compostas por proteínas que possuem um papel importante para renovação do sistema celular.  “A dieta vegetariana tira toda a carne, ovos e leite. São nesses alimentos que a gente encontra grande quantidade de proteínas de alto valor biológico, onde o organismo consegue absorver com mais facilidade. As proteínas necessárias para o organismo são aquelas que trabalham na construção de tecidos, cabelos e unhas. Elas possuem a missão de renovar o sistema celular, por isso são importantes principalmente para as crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças graves”, diz a  nutricionista.

A decisão de se tornar vegetariano ou vegano deve vir acompanhada de um atendimento especializado, pois não é apenas deixar de comer carne, é necessário analisar as vitaminas e proteínas que o corpo está perdendo e então definir os alimentos que farão essa substituição. “A proteína de origem vegetal é saudável, até pela questão que não tem grande quantidade de gordura saturada, porém, deve-se fazer uma dieta bem equilibrada, ingerindo grande quantidade de leguminosas como feijão, grão-de-bico, lentilha, soja, ervilha e vagem. Também se deve ingerir uma grande quantidade de oleaginosas, que são as nozes, castanhas e amendoim”, explica Jaqueline.

Desisti de ser vegano

Muitas pessoas passam meses e até anos sem comer carne ou qualquer derivado animal, mas em algum momento de suas vidas retornam a consumir. Foi o que aconteceu com Estephani Nowak. Ela foi vegetariana, depois vegana – aqueles que além de seguir uma dieta vegetariana estrita, ela excluiu do seu estilo de vida produtos que usaram força de trabalho animal (tração, transporte), extração de matéria-prima (seda, mel, couro, lã), ou que foi testada em animais (cosméticos e produtos de higiene) – e desistiu deste estilo de vida.

“Eu me tornei vegetariana após perceber que os animais eram os únicos seres nos quais eu poderia confiar de verdade. Fui influenciada pela novela ‘Caminhos das Índias’, da Rede Globo, que era exibida pela primeira vez na época. Eu passei cinco anos sendo ovolactovegetariana (pessoas que não comem carne, mas comem ovo e leite). Depois eu fui vegana por quatro meses, voltei a ser onívora após perceber que, segundo meus conceitos de crença religiosa pagã, eu fui criada onívora e por isso deveria comer o que me foi destinado”, afirma.

Segundo Estephani, tornar-se vegana não é uma decisão que pode ser tomada de um dia para o outro, tem que ser pensada e realizada aos poucos.“Foi um longo processo. Eu comecei a parar com 14 anos, passei alguns meses até parar totalmente, ainda com essa idade, e voltei a comer com 19 anos”, disse.

Por não se sentir preparada para continuar com este estilo de vida, Estephani voltou a ingerir derivados de animais e destaca que ser vegana implica muito mais do que simplesmente não comer carne.

Ser vegetariano em cidade pequena

Na região de Irati, a decisão de seguir uma dieta vegetariana tem bem menos adeptos que em centros maiores, onde é mais fácil encontrar lugares específicos para atender este público. “Aqui na região de Irati não tem muita procura, talvez por ser uma cidade mais interiorana que tem uma grande produção de aves, de bovinos, suínos,e também grande produção leiteira. Eu particularmente não tenho tanta procura com relação a essa dieta, é mais em cidades maiores e principalmente no litoral, onde as pessoas costumam ingerir alimentos mais leves”, disse a nutricionista Jaqueline Nezer.

Kimberly comenta que nunca sentiu dificuldade no comercio local para realizar suas refeições.  “Eu não encontro dificuldade para encontrar alimentação, porque todo restaurante vai ter arroz, feijão, salada e legumes quentes. A minha dificuldade é quando eu quero comer lanche, porque realmente é difícil, mas em Ponta Grossa temos opções de FastFood. Já encontrei comida mexicana, comida árabe”, disse.

Texto: Da Redação/Hoje Centro Sul

Foto: Leticia Torres/Hoje Centro Sul

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