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Edição 1078 - Já nas bancas!
06/07/2018

Lixo e inovação

Lixo e inovação

De acordo com o Governo Federal, o brasileiro produz em média quase um quilo de lixo por dia. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, feito pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil produziu mais de 78 milhões de toneladas de lixo em 2016. Somente em Irati, são produzidas quase 30 toneladas de lixo por mês.

A destinação do lixo é um dos graves problemas que as autoridades de todo o mundo se deparam e tentam encontrar soluções. Muitas das soluções acabam sendo inviáveis para municípios que sofrem com o alto custo de encontrar destinação correta para seus resíduos. Quem não tem aterro sanitário acaba tendo que optar pelo transbordo que pode sair caro aos bolsos do contribuinte.

Em Irati, o problema é antigo e piorou com a sobrecarga de lixo no aterro sanitário do município. Segundo o Poder Público, a falta de reciclagem de materiais fez com que o aterro sanitário atingisse a sua capacidade máxima mais rápido. Ministério Público e o Instituto Ambiental do Paraná pressionaram as autoridades para encontrar uma solução para o problema.

Aparentemente, a pressão deu resultado. A empresa Atena Engenharia do Rio de Janeiro deverá se instalar em Irati e usar o lixo produzido na cidade para a fabricação de uma madeira biossintética. A empresa ainda deverá separar uma porcentagem para a cooperativas e associação de reciclagem, criadas antes do contrato, para que não prejudique quem tira a sua renda do lixo.

Uma das vantagens é que não haverá custo para o município, que doará o lixo produzido à empresa. O fato ainda causa estranheza, mas tanto a empresa, quanto a própria prefeitura garantem que não haverá custos.

Mesmo com o contrato quase assinado e com a contratação confirmada, os agentes da negociação ainda estão receosos. Isso porque a situação é única e Irati se tornará um dos primeiros municípios a usar seus resíduos urbanos na fabricação deste material.

A experiência é pioneira e reflete a inovação que o setor de destinação de resíduos sólidos passa. Experiências inovadoras vêm acompanhadas de receios, mas é necessário que elas sejam realizadas, para que cada vez possamos conseguir evoluir e trazer soluções para problemas difíceis.