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Edição 1099 - Já nas bancas!
29/06/2018

Violência contra a mulher édiscutida emevento em Fernandes Pinheiro

Violência contra a mulher édiscutida emevento em Fernandes Pinheiro

O I Encontro regional em defesa das mulheres foi realizado na última terça-feira (26) pela Secretária de Assistência Social de Fernandes Pinheiro,em parceria com o escritório regional da Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social – que engloba os municípios de Fernandes Pinheiro, Imbituva, Guamiranga, Inácio Martins, Mallet, Rebouças, Rio Azul e Teixeira Soares. 

“O evento surgiu de uma programação que a gente fez para o ano. Então a Secretaria de Assistência Social mensalmente tem um tema para ser tratado e esse mês foi trabalhada a violência contra a mulher”, diz Emanuelle de Matos, secretária de Bem estar Social de Fernandes Pinheiro.

Uma das palestras realizadas foi ministrada pela assessora de Projetos Sociais da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa Joseli Collaço, que conhece de perto o tema abordado. Ela também foi vítima de violência doméstica durante 22 anos. Durante a palestra,Joseli contou aos ouvintes um pouco da sua história. “Chega de violência, chega de ligarmos a TV ou o rádio e nos depararmos com mortes de mulheres, violência contra a mulher, acho que esse é um momento bem importante para as mulheres, tanto daqui de Irati quanto de toda a região que estiverem aqui, eu estou muito honrada”, fala.

Joseli, quando grávida de sete meses, foi agredida pelo seu companheiro com diversas coronhadas. A agressão resultou em cinco dias em coma no hospital. Logo após essa agressão ela conheceu o delegado Bradock e, durante o evento, teve um encontro emocionante com ele. “Essa pessoa que é tão importante para mim é o delegado Bradock, ele atuou há mais de vinte anos na delegacia do Alto Maracanã, região metropolitana de Curitiba onde eu sofri uma violência por parte do meu agressor, fiquei cinco dias em coma e quando eu acordei, eu acordei com o delegado Bradock ao meu lado”, fala em tom de felicidade com o encontro.

A prefeita de Fernandes Pinheiro Cleonice Schuckfrisoua preocupação com as mulheres da cidade, destacando que é necessário falar sobre o assunto. “No nosso município as mulheres são muito guerreiras, então resolvemos homenagear, esclarecer, fortalecer as nossas mulheres, para que essas que estiverem aqui hoje possam levar paras suas vizinhas, suas amigas essa necessidade e valorização do respeito da mulher” diz.

Quem também esteve presente no evento foi Fernanda Richa, Secretária da Família e Desenvolvimento Social do Paraná. Ela falou sobre a importância de iniciativas que venham combater e inibir a agressão física contra as mulheres. “Esse tema e muito importante, a violência contra a mulher, eu sempre faço questão de participar, de estar junto porque é uma ação que a gente não admite, não pode mais acontecer. Então quanto mais a gente divulgar, quanto mais à gente trabalhar o tema, mais rápido a gente vai erradicar esse tipo de problema no nosso estado”, ressaltou.

Durante o evento a palestrante Joseli aconselhou as mulheres para que se ajudem, evitando que mais casos de homicídios contra as mulheres aconteçam. “Eu quero dizer para vocês mulheres que contem sempre umas com as outras. Nós mulheres precisamos deixar de nos pré-julgar. Muitas vezes a gente ouve as nossas vizinhas, nossas amigas e muitas vezes a gente pré-julga essa mulher. Vamos deixar de pré-julgar e estender as mãos. Onde se diz que em briga de marido e mulher não se coloca a colher, coloca a colher sim, antes que você veja a sua vizinha, a sua amiga, sua parente saindo em um carro de IML”, aconselha Joseli.

Também esteve presente no evento, Kátia Alexsandra dos Santos, coordenadora do Núcleo Maria da Penha (Numape) da Unicentro.

Números

No Brasil,segundo uma pesquisa realizada pelo Kering Doundation, em 2016 e 2017, cerca de 500 mulheres brasileiras foram vítimas de agressão física a cada hora.  Entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calaram e apenas 11% procuraram a delegacia da mulher. Na maioria dos casos, o agressor é conhecido da vítima e realiza essas agressões dentro de sua própria casa. O número mais alarmante é que se estima que 40% das mulheres acima de 16 anos já sofreram algum tipo de agressão, seja ela física, sexual ou financeira.

Texto e Fotos: Silmara Andrade/Hoje Centro Sul

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