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Edição 1055 - Já nas bancas!
07/06/2018

Desconhecimento sobre democracia

Desconhecimento sobre democracia

Desde os protestos de 2013, a insatisfação da população com os políticos é pública e notória. Aos poucos, os protestos foram tomando mais as ruas e as disputas políticas foram se acirrando. Enquanto isso, mais e mais cidadãos foram se conscientizando da importância de participar da política.

No entanto, em meio às reinvindicações dos cidadãos, outros pedidos tem chamado atenção: são os pedidos para intervenção militar. Não há um perfil exato dos que pedem, mas nas redes sociais, onde os pedidos são mais exaltados, a explicação é que os favoráveis à intervenção militar desejam que apenas o presidente da república seja deposto, e que novas eleições sejam feitas, para então a população escolher outro presidente.

Porém, quem propõe só demonstra um desconhecimento sobre democracia e legislação. Em primeiro lugar, não há como isso acontecer dentro da legislação vigente no país. Se acontecer, especialistas apontam que isto seria golpe de estado. Em segundo lugar, as estruturas institucionais no país ficariam abaladas. O mercado financeiro não teria confiança no país, em consequência teríamos problemas maiores na economia. Ou você confiaria em um país que fica trocando de presidente como quem troca de roupa?

Além disso, há outro fator importante: uma intervenção militar pode trazer o risco de o Brasil vivenciar novamente uma ditadura militar. Isso porque da forma em que é proposta não há garantia nenhuma de direitos. Como garantir que após um golpe de estado, a democracia possa funcionar normalmente, sem que alguém queira fazer outro golpe de estado?

No fim, toda essa discussão é resultado de uma nação que não encara o passado. A Comissão da Verdade, instituída em 2012, tentou trazer à tona o que aconteceu neste período. Mas mesmo com este trabalho, o período da ditadura militar é ainda obscuro. Um dos motivos principais é o fato de que muitos documentos foram destruídos ou simplesmente desapareceram. Poucos documentos que restam estão espalhados pelo país e não possuem um cuidado muito grande como se deveria ter.

O resultado disso, é que cada vez mais descobrimos sobre nossa própria história pela boca de outros. Foi o caso do documento publicado em 2015 pelo governo dos Estados Unidos que mostrou que um informante americano relatava que o presidente do Brasil, Ernesto Geisel, concordava e autorizou a morte de inimigos políticos pelo regime.

O pouco que foi descoberto precisa ser discutido pela sociedade, seja através das escolas, mídia ou conversas entre amigos. É necessário que a sociedade brasileira encare com honestidade este período, pois como diria o filósofo Edmund Burke: “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”.