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Edição 1087 - Já nas bancas!
04/06/2018

Apadrinhamento afetivo: Uma opção de amor e referência familiar

Três adolescentes da Casa Lar de Irati aguardam apadrinhamento afetivo. Qualquer pessoa pode apadrinhar e acompanhar esses adolescentes ao longo de suas vidas

Apadrinhamento afetivo: Uma opção de amor e referência familiar

O apadrinhamento afetivo prevê que padrinhos e madrinhas passem os fins de semana, feriados e parte das férias com uma criança ou adolescente morador da Casa Lar de Irati para lhe oferecer, além da relação afetiva, uma referência de vida fora do abrigo.

Trata-se de uma opção para crianças e adolescentes que têm uma chance remota de adoção. “O projeto apadrinhamento afetivo foi criado no ano de 2015 e faz parte da Secretaria de Assistência Social, com o objetivo de aproximar as crianças e adolescentes acolhidos na comunidade, mas principalmente para aqueles adolescentes que não tem mais como voltar para a família. A família por algum motivo não pode mais recebê-los, e aqueles que já não têm mais condições de ser adotados”, explica a coordenadora da Casa Lar de Irati, Claudia Bonete.

Ela comenta que é mais difícil que as famílias optem pela adoção de adolescentes. “Então nós temos bastante adolescentes lá na Casa Lar. Alguns já tem padrinhos afetivos, outros não. Esse projeto visa colocar esses adolescentes mais próximos de uma convivência familiar. Padrinhos afetivos vão auxiliar principalmente na questão emocional”, ressalta.

Na Casa Lar as crianças e adolescentes recebem a atenção de cuidadoras que fazem o possível para que o local pareça um lar. “Por mais que a gente queira deixar a Casa Lar com um formato de casa, de família, nunca vai ser. Sempre sai um, logo entra outro, desestrutura toda a vida deles, é uma mudança muito grande”, diz Claudia.

Atualmente, a Casa Lar conta com 11 crianças e adolescentes, entretanto esse número varia de tempos em tempos.

Regras

O apadrinhamento afetivo não envolve guarda, tutela ou adoção. As regras do apadrinhamento afetivo variam conforme a Vara de Infância e as instituições que as aplicam. Os padrinhos são pessoas que não podem ou não querem adotar, mas que têm disponibilidade de prestar suporte afetivo ao longo da vida de uma criança ou adolescente abrigado.

É necessário que a pessoa interessada em apadrinhar tenha uma idade mínima. “São pessoas com mais de 21 anos, têm a questão aqui da diferença de idade, de 16 anos, mas isso não é uma coisa obrigatória”, fala a coordenadora da Casa Lar.

Claudia destaca que não faz parte das regras a necessidade de que a criança seja apadrinhada por um casal. “Não precisa ser casal, só precisa passar por algumas questões, uma entrevista com a equipe, tem toda uma ficha de cadastramento que vai ser enviada pelo fórum, quem determina se foi aprovado ou não é o Ministério Público e o Judiciário”, diz.

Os padrinhos afetivos terão total responsabilidade sobre o afilhado. “A partir do momento em que eles são madrinhas e padrinhos, que eles levam a criança e o adolescente para a sua casa, naquele momento que eles estão lá, eles são responsáveis por essa criança, então precisa ter toda uma questão legal, por isso tem fichas e documentação que são exigidos e passa pela aprovação do Ministério Público e Judiciário”, explica.

O tempo de convívio entre afilhado e padrinho não tem regra fixa. “O tempo que o padrinho pega o afilhado depende muito, às vezes pega a cada 15 dias, dependendo da situação é autorizado a ela passar de sábado para domingo, Dia das Mães ou Páscoa, férias. Mas isso a gente sempre tem contato com o fórum, depende muito do padrinho, não tem uma regra fixa, toda semana ou cada 15 dias, vai depender do acordo e da disponibilidade do próprio padrinho”, diz Claudia.

É apadrinhamento, não adoção

Quando um casal se torna padrinho afetivo não quer dizer que eles vão pular a fila para adoção, mas isso pode acontecer.  Claudia comenta sobre um caso de quatro irmãos que foram apadrinhados e, durante a convivência, o casal e as crianças tiveram a vontade de formar uma família. Atualmente, o processo de adoção já está encaminhado. “Não é esse objetivo, pular a fila para adoção, mas no caso desses quatro irmãos surgiu por parte dos padrinhos e por parte deles, dos afilhados,a questão dessa afinidade e eles também não tinham mais condição de voltar para casa. Dificilmente alguém adotaria quatro de uma vez, o mais velho tem 17 e a mais nova tem 6, então pode acontecer a adoção, mas não é o objetivo”, explica.

Adolescentes disponíveis para o apadrinhamento

Apesar de a Casa Lar contar com 11 crianças e adolescentes nesse momento, apenas 3 estão precisando de um apadrinhamento afetivo. “Hoje a Casa Lar conta com três crianças sem apadrinhamento,três irmãos que aguardam para serem apadrinhados: uma menina de 13 anos, um menino de 14 e um menino de 18 anos”, conta Claudia.

Quem se interessar em apadrinhar não precisa apadrinhar os três. Caso queira, isso é possível, porém não é obrigatório. 

“Eles são três irmãos com deficiência, os dois meninos são cadeirantes e a menina possui uma leve deficiência na perna, os três participam de atividades esportivas, os três já foram campeões, inclusive a menina foi campeã brasileira de atletismo paraolímpico no ano passado”, diz a coordenadora.

Claudia destaca a vontade da menina de 13 anos em ser apadrinhada. “A menina é uma que diz: ‘Por favor, arrume uma família para mim, alguém que me adote’”, fala.

Apesar de a instituição ter no momento apenas três adolescentes para serem apadrinhados, ela aceita padrinhos que queiram estar em uma fila de espera, aguardando outras crianças que venham a ser abrigadas na Casa Lar. 

Voluntaria defende a causa

O projeto Voluntaria, que tem mais de 300 componentes cadastrados para realizar trabalhos voluntários,presta ajuda a diferentes instituições da cidade e oferece assistência à Casa Lar.

“O papel do Voluntaria nessa campanha é a disseminação da ideia, a gente sempre foi parceiro da Casa Lar desde a nossa primeira ação”, destaca Ricardo Penteado, um dos idealizadores do Voluntaria.

A primeira ação realizada pelo projeto Voluntaria foi a reforma da residência da família de uma menina que estava abrigada na Casa Lar.  A moradia não apresentava condições de segurança para o retorno delas. “O Voluntaria foi lá, fez a reforma da casa, colocamos duas portas, fizemos a reforma dos vidros e, por isso, as meninas voltaram para a casa. A gente ficou muito feliz, logo na primeira ação poder ajudar”, relembra Ricardo.

Ele cita a importância de apadrinhar uma criança. “O apadrinhamento afetivo representa um norte, representa uma referência para essas crianças que estão lá. Então, se porventura esses padrinhos forem encontrados, eles não vão ser só amigos, eles vão ser um norte dessa criança”, diz. Ricardo comenta que a referência continua quando eles completarem a maior idade, pois não terão como voltar para sua família, porém terão criado novos laços com esses padrinhos.

O Voluntaria também pretende desenvolver outras iniciativas na Casa Lar. “A gente está pensando em fazer algumas reformas, principalmente na parte de lazer deles. Porque sabendo da seriedade, da transparência, a gente como instituição e grupo de voluntários adotou a ideia para disseminar”, finaliza Ricardo.

Mais informações sobre o apadrinhamento afetivo: Fone (42) 3907-3110/(42) 99107-9780

Olho: “Esse projeto visa colocar esses adolescentes mais próximos de uma convivência familiar. Padrinhos afetivos vão auxiliar principalmente na questão emocional”, Claudia Bonete.

Texto: Silmara Andrade/Hoje Centro Sul

Foto: Divulgação

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