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Edição 1072 - Já nas bancas!
04/06/2018

Dê apoio, esteja presente

Dê apoio, esteja presente

Por definição do dicionário, padrinho ou madrinha significa proteger/defender. É sinônimo de amparo, de favor. Por definições sociais e culturais, padrinho ou madrinha é aquele que provê algo a uma criança ou adolescente. Algo como “você precisa, eu posso, então te dou”. Mas, e por definições humanas, o que seria? É aquele que provê o afeto. Que dá carinho, que está presente e que se faz presente.

Mas o dia a dia está muito mais cheio de padrinhos da “sacolinha”ou padrinhos financeiros. Que são sinônimos de um padrinho desconhecido, com o qual a criança não tem contato, muito menos vínculo.

Em datas comemorativas como o Natal e a Páscoa é muito comum vermos a disseminação do conceito de apadrinhar uma criança ou adolescente. Escolhe-se um nome da listinha de uma instituição e doam-se roupas e brinquedos. É uma forma de ajudar, claro que sim. Mas acredite: o presente de um desconhecido a uma criança em situação de acolhimento, por exemplo, tem pouco significado.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, por muitas razões, somos ensinados e incentivados a apadrinhar crianças e adolescentes apenas de forma financeira ou material achando que já estamos fazendo todo o bem que podemos a alguém. Mas apadrinhar uma criança ou um adolescente deveria significar dar apoio, compartilhar uma angústia, sentar para bater um papo, sair para tomar um sorvete ou brincar no parque. Apadrinhar é construir uma relação afetiva e poder trocar afeto.

Quando a gente fala de vínculo, a gente fala de uma relação de troca afetiva. E quando a gente fala do apadrinhamento, estamos falando da relação de um adulto e uma criança ou adolescente, e que, a partir da troca, um passe a existir na vida do outro de forma constante.

E por uma serie de razões essas crianças precisam de apoio. E nesse contexto, o apadrinhamento é uma ótima política para aqueles que provavelmente ficarão acolhidos por muitos anos. O apadrinhamento é uma das alternativas para essa construção, já que muitas vezes essas relações não acontecem de forma tão espontânea como na vida de quem não está em acolhimento.

E o que vai fazer esse padrinho? Ajudar, ensinar, acompanhar, participar. Vai estar. Estar junto. Estar presente. O vínculo é extremamente reparador. Faz com que se entenda a existência na vida de alguém. E existir na vida de alguém significa, como em toda relação humana, que vão ter momentos bons e momentos difíceis e aí o adulto precisa estar presente. Presente. Porque não tem melhor presente que a presença. É sempre um jeito carinhoso de existir na vida de alguém. Quem não gosta de ganhar?

Existem 47mil crianças e adolescentes em serviços de acolhimento, segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Pense diferente e ofereça a quem você puder, e quiser, um presente mais cheio de presença. Porque histórias de mudanças só são possíveis com a contribuição de outras histórias. Histórias de pessoas. Como você, como nós. Apadrinhe uma criança.